Açaí

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Açaizeiros na várzea

Açaizeiros na várzea
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Arecales
Família: Arecaceae
Género: Euterpe
Espécie: E. oleracea
Nome binomial
Euterpe oleracea
Mart. 1824
Euterpe oleracea - MHNT

O açaí (Euterpe oleracea), também chamado uaçaí, açaí-branco, açaizeiro, coqueiro-açaí, iuçara, juçara, palmiteiro, palmito, piná e tucaniei,1 é uma palmeira que produz um fruto bacáceo [1] de cor roxa muito utilizado na confecção de refrescos.

Etimologiaeditar | editar código-fonte

"Açaí" e "uaçaí" são oriundos do tupi yasa'i, "fruta que chora", numa alusão ao sumo desprendido pelo seu fruto1 . "Juçara" provém do tupi yu'sara2 . "Palmiteiro" e "palmito" são alusões ao seu uso na alimentação humana sob a forma de palmito2 3

Descriçãoeditar | editar código-fonte

Espécie monocotiledônea nativa da várzea da região amazônica, especificamente dos seguintes países: Venezuela, Colômbia, Equador, Guianas, e Brasil (estados do Amazonas, Amapá, Pará, Maranhão, Rondônia, Acre e Tocantins ), assim como em Trinidad e Tobago e nas bacías do Pacífico na Colômbia e no Equador.4 A Festa da Juçara do Maranhão refere-se ao açaí.5

O açaí é um alimento muito importante na dieta dos nortistas do Brasil,4 onde seu consumo remonta aos tempos pré-colombianos. Hoje em dia, é cultivado não só na Região Amazônica, mas em diversos outros estados brasileiros, sendo introduzido no resto do mercado nacional durante os anos oitenta e noventa.6 O estado do Amazonas e Pará, no Brasil, são os maiores produtores da fruta, sendo juntos, responsáveis por mais de 85% da produção mundial. O açaí é considerado, por muitos, uma iguaria exótica, sendo apreciada em várias regiões do Brasil e do mundo.

O açaizeiro é semelhante à palmeira-juçara (Euterpe edulis Mart.) da Mata Atlântica, diferenciando-se porque cada planta de juçara tem somente um caule mas os açaís crescem em touceiras de 4 a 8 estipes7 (troncos de palmeira) cada um de 12 m de altura e 14 cm de diâmetro ponto-médio8 e podendo chegar até uns 20 metros.4

Usoseditar | editar código-fonte

O açaí é muito consumido como suco ou pirão e cujo gomo terminal constitui o palmito. Assim, pode ser consumido na forma de bebidas funcionais, doces, geleias e sorvetes. O fruto é colhido por trabalhadores que sobem nas palmeiras com auxílio de um trançado de folhas amarrado aos pés - a peconha.

Para ser consumido, o açaí deve ser primeiramente despolpado em máquina própria ou amassado manualmente (depois de ficar de molho na água), para que a polpa se solte e, misturada com água, se transforme em um suco grosso também conhecido como vinho do açaí.

Na Amazônia, o açaí é consumido tradicionalmente junto com farinha de mandioca ou tapioca geralmente gelado.9 Há quem prefira fazer um pirão com farinha e comer junto com peixe assado ou camarão, ou mesmo os que preferem o suco com açúcar.

Além do uso de seus frutos como alimento ou bebida, o açaizeiro tem outros usos comerciais. As folhas podem ser feitas em chapéus, esteiras, cestos, vassouras de palha e telhado para casas, e madeira do tronco, resistentes a pragas, para construção civil.10 Os troncos da árvore podem ser processados para produzir minerais.11 O palmito é amplamente explorado como uma iguaria.12

Despolpamento mecânico em máquina utilizada no preparo do vinho. Usada em substituição às primitivas de rotação manual

As sementes limpas são muito utilizadas para o artesanato.13

Nas demais regiões do Brasil, o açaí é preparado da polpa congelada batida com xarope de guaraná, gerando uma pasta parecida com um sorvete, ocasionalmente adicionando frutas e cereais. Conhecido como açaí na tigela, é um alimento muito apreciado por frequentadores de academias e desportistas, já que as propriedades estimulantes presentes no fruto são semelhantes às encontradas no café ou em bebidas energéticas. O açaí também ajuda na eliminação de resíduos do corpo, garantindo saúde para seus consumidores.14 15

Açaí sendo despolpado.

Importância comercialeditar | editar código-fonte

O açaí é de grande importância para a sua região de cultivo em virtude de sua utilização constante por grande parte da população, principalmente os ribeirinhos. Nas condições atuais de produção e comercialização, a obtenção de dados exatos é quase impossível, devido à falta de controle nas vendas, bem como à inexistência de uma produção racionalizada, uma vez que a matéria-prima consumida se apoia pura e simplesmente no extrativismo e comercialização direta. Nos estados do Amazonas e Pará, principais produtores, o consumo de açaí, em litros, chega a ser o dobro do consumo de leite.

Comércio de açaí no mercado do Ver-o-peso

Neste sentido, constitui-se num item de alimentação fundamental para muitas pessoas. Entretanto, a exportação em larga escala tem acarretado uma diminuição significativa na qualidade do suco consumido pela população de baixa renda que para consumir o fruto com uma qualidade razoável necessita pagar mais caro. O que torna-se inviável do ponto de vista da renda financeira que possuem. Consumindo um suco fino que as pessoas denominam de chula.

Banca de polpa fresca de açaí no mercado do Ver-o-peso

A mistura com água e outros ingredientes, promovida fora da Região Norte do Brasil,reduzindo a participação efetiva de açaí na mistura, é devido ao alto custo que seria exportar açaí do Norte, para outras regiões do país. Para se tornar economicamente viável, comerciantes passaram a misturar o açaí original, adquirido a alto custo, com outros elementos de menor valor econômico, viabilizando a venda. O detalhe é que isso gerou uma distorção na concepção de consumo da fruta: muitos brasileiros não sabem que o fruto é nativo do Norte ou que é consumido puro. Na Região Norte, tanto humildes ribeirinhos (moradores tradicionais das margens dos rios) como as classes econômicamente mais favorecidas dos grandes centros urbanos consomem açaí sem os artifícios comumente empregados em outras regiões do país, considerando o açaí de duas classes: o açaí integral, sem tais artifícios, e o açaí misturado, que é aquele no qual se acrescenta água para dar mais volume e muitas das vezes até amido com intuito de obter mais consistência, comercializado com frequência em todo o país.

Informação Nutricionaleditar | editar código-fonte

Açaí Puro
(valor nutritivo por 100g)16 17

água: 48,0g resíduos totais: 1,58 g fibras:17g valor energético: 247 kcal
proteínas: 13 g lípidos: 17 g glícidos: 1,5 g açúcares simples: 1,5 g
oligoelementos
potássio: 932 mg magnésio: 174 mg fósforo: 124 mg cálcio: 286 mg
sódio: 56,4 mg zinco: 7 µg ferro: 1,5 µg cobre: 1,7 µg
vitaminas
vitamina C: 0,01 mg vitamina B1: 11,8 µg vitamina B2: 0,32 µg vitamina B3: 1738 µg
vitamina B5: 1389 µg vitamina B6: 257 µg vitamina B9: 0 µg vitamina B12: 0 µg
vitamina A: 146 UI retinol: 0 µg vitamina E: 2,07 µg vitamina K: 20 µg

Apesar do alto teor de gordura do açaí, trata-se em grande parte de gorduras monoinsaturadas (60%) e poliinsaturadas (13%),16 também presentes no abacate. Estas gorduras são benéficas e auxiliam na redução do colesterol ruim (LDL, melhoram o HDL, contribuindo na prevenção de doenças cardiovasculares como o infarto do coração e previnem, até mesmo obesidade, problemas de memória e fraqueza física). A antocianina, pigmento que tinge os dentes com a cor arroxeada, possui grande capacidade de combate aos radicais livres, moléculas que destroem as células sadias do nosso corpo.18

Origem Populareditar | editar código-fonte

De acordo com o folclore brasileiro, existia uma tribo indígena muito numerosa. Como os alimentos estavam escassos, era difícil conseguir comida para toda a tribo. Então, o cacique Itaki tomou uma decisão muito cruel. Resolveu que, a partir daquele dia, todas as crianças recém-nascidas seriam sacrificadas para evitar o aumento populacional daquela tribo da floresta.

Até que um dia a filha do cacique, chamada Iaçá, deu à luz uma menina que também teve de ser sacrificada. Iaçá ficou desesperada, chorava todas as noites de saudades. Ficou vários dias enclausurada em sua oca e pediu a Tupã que mostrasse ao seu pai outra maneira de ajudar seu povo, sem o sacrifício das crianças.

Certa noite de lua, Iaçá ouviu um choro de criança. Aproximou-se da porta de sua oca e viu sua filhinha sorridente, ao pé de uma grande palmeira. Lançou-se em direção à filha, abraçando-a. Porém, misteriosamente, sua filha desapareceu.

Iaçá, inconsolável, chorou muito até morrer. No dia seguinte, seu corpo foi encontrado abraçado ao tronco da palmeira. Porém, no rosto, trazia, ainda, um sorriso de felicidade. Seus olhos estavam em direção ao alto da palmeira, que se encontrava carregada de frutinhos escuros.

Itaki, então, mandou que apanhassem os frutos, obtendo um vinho avermelhado que batizou de Açaí ("Iaçá" invertido), em homenagem a sua filha . Alimentou seu povo e, a partir deste dia, suspendeu a ordem de sacrificar as crianças.

Referências

  1. a b FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.19
  2. a b FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.992
  3. http://ambientes.ambientebrasil.com.br/amazonia/floresta_amazonica/o_acai,_fruto_tipico_de_uma_palmeira_amazonica,_ganhou_o_mundo.html
  4. a b c Henderson, Andrew; Gloria Galeano & Rodrigo Bernal 1997. Field Guide to the Palms of the Americas: 124. Princeton Paperbacks.
  5. Amazônia Maranhense: A Festa da Juçara (açaí)
  6. Embrapa. Sistema de Produção do Açaí. Mercado e comercialização.
  7. Johnson, Dennis V. 1996. "Manejo Sostenible de Asaí (Euterpe precatoria) para la Producción de Palmito en la Concesión Forestal Taruma, Provincia Velasco, Santa Cruz - Bolivia"; Documento Técnico 31. Proyecto BOLFOR.
  8. Mahecha G., Ovalle A., Camelo D., Rozo A., Barrero D. 2004. Vegetación del territorio CAR. 450 especies de sus llanuras y montañas. Bogotá, Colombia 871pp.
  9. ISTOÉAMAZONIA Culinaria - Frutas regionais
  10. Silva, S. & Tassara, H. (2005). Fruit Brazil Fruit. São Paulo, Brazil, Empresa das Artes
  11. Dyer, A. P. 1996. Latent energy in Euterpe oleracea. Biomass Energy Environ., Proc. Bioenergy Conf. 9th.
  12. Açaí Fruit. Página visitada em 2010-04-21.
  13. Thais Massanet 2009. "Levantamento e estudos de reintrodução espécies vegetais utilizadas no artesanato guarani (Aldeia Krukutu – Parelheiros / SP): Busca de uma alternativa sustentável de extrativismo" Centro Universitario Fundação Santo André.
  14. http://www.plantasmedicinaisefitoterapia.com/plantas-medicinais-acai.html
  15. Jussara Dutra Izac 2006. Açaí na tigela Jornal Conversa Pessoal AnoVI - Número 70 - setembro 2006.
  16. a b Composição química do açaí. Sistemasdeprodução.com. Página visitada em 18/01/2012.
  17. Açaí – Valores Nutricionais. Maxima Saúde. Página visitada em 18/01/2012.
  18. Saúde é Vital, Editora abril, janeiro de 2009. n° 307. p. 20.

Ver tambémeditar | editar código-fonte

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