Alemanha Nazi

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Großdeutsches Reich
Grande Reich alemão

República ditatorial

1933 – 1945
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Lema nacional
Ein Volk, ein Reich, ein Führer (alemão: «Um povo, um império, um líder»)
Hino nacional
Primeira estrofe de Das Lied der Deutschen

seguido por Horst-Wessel-Lied
Localização de Alemanha Nazi / Alemanha Nazista
Europa no auge da expansão alemã, 1941-1942
  Grande Alemanha
  Aliados da Alemanha, co-beligerantes e Estados fantoche
Continente Europa
Capital Berlim (proposta Welthauptstadt Germania)
52° 31' N 13° 24' E
Língua oficial Alemão
Governo Nacional-socialismo
Reichspräsident (Presidente)
 • 1933-1934 Paul von Hindenburg¹
 • 1934-1945 Adolf Hitler
 • 1945 Karl Dönitz
Reichskanzler (Chanceler)
 • 1933-1945 Adolf Hitler
 • 1945 Joseph Goebbels
 • 1945 Lutz Schwerin von Krosigk
História
 • 30 de janeiro de 1933 Ermächtigungsgesetz¹
 • 30 de junho de 1934 Noite das facas longas
 • 10 de abril de 1938 Anschluss
 • 1 de setembro de 1939 Início da Segunda Guerra Mundial
 • 30 de abril de 1945 Morte de Hitler
 • 8 de maio de 1945 Rendição Incondicional
Área
 • 1941 (Großdeutschland) 696 265 km2
População
 • 1941 (Großdeutschland) est. 90 030 775 
     Dens. pop. 129,3/km²
Moeda Reichsmark
Precedido por
Sucedido por
Flag of Germany (3-2 aspect ratio).svg República de Weimar
Flag of Saar 1920-1935.svg Sarre (Liga das Nações)
Flag of Austria.svg Primeira República Austríaca
Flag of Czechoslovakia.svg Checoslováquia
Flag of Lithuania (1918-1940).svg Região de Klaipėda
Gdansk flag.svg Cidade Livre de Danzig
Flag of Poland.svg Segunda República Polonesa
Flag of Belgium.svg Eupen-Malmedy
Flag of Luxembourg.svg Luxemburgo
Flag of France.svg Alsácia-Lorena
Flag of the Kingdom of Yugoslavia.svg Dravska Banovina
Governo Flensburg Flag of the NSDAP (1920–1945).svg
Zonas ocupadas pelos Aliados na Alemanha Flag of Germany (1946-1949).svg
Zonas ocupadas pelos Aliados na Áustria Flag of Austria.svg
República Popular da Polónia Flag of Poland.svg
Terceira República da Checoslováquia Flag of Czechoslovakia.svg
Eupen-Malmedy Flag of Belgium.svg
Luxemburgo Flag of Luxembourg.svg
Óblast de Kaliningrado Flag of the Soviet Union (1923-1955).svg
Protetorado de Sarre Flag of Saar (1947–1956).svg
República Popular da Eslovênia Flag of SR Slovenia.svg
Alsácia-Lorena Flag of France.svg
Deu origem a  Alemanha
 Áustria
 Bielorrússia
 Bélgica
 Eslovênia
 França
 Lituânia
 Luxemburgo
 Países Baixos
 Polónia
 República Checa
 Rússia
 Ucrânia
Membro de: Eixo, Pacto Tripartite
¹ Desde a morte de Hinderburg, o cargo de presidente ficou livre, embora Hitler o tomasse de modo implícito. Isto demonstrar-se-ia ao nomear Dönitz como seu sucessor em 1945.
História da Alemanha
Brasão de Armas da Alemanha
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Idade Média
Formando uma nação
Império Alemão
Alemanha pós-1945
Alemanha moderna

Alemanha Nazi (português europeu) ou Alemanha Nazista (português brasileiro), também chamada de Terceiro Reich (oficialmente desde 1943, Grande Reich Alemão), é o nome que se dá ao período do governo que se estabeleceu na Alemanha entre 1933 e 1945, enquanto era liderada por Adolf Hitler e o Partido Nacional Socialista Alemão dos Trabalhadores (NSDAP). O nome Terceiro Reich (em alemão: Drittes Reich) refere-se ao Estado sucessor do Império Alemão (1871-1918), sendo este o Segundo Reich e o Sacro Império Romano Germânico o Primeiro Reich. Na Alemanha, o Estado era conhecido como Deutsches Reich (Reich Alemão) até 1943, quando seu nome oficial tornou-se Großdeutsches Reich (Grande Reich Alemão).

Em 30 de janeiro de 1933, Adolf Hitler foi nomeado Chanceler da Alemanha. Embora ele inicialmente tenha liderado o governo de coalizão, rapidamente eliminou seus parceiros governamentais. Dentro dos seis anos que se seguiram de 1933 a 1939, a Alemanha sob o governo do Partido Nazista mudou-se de um país totalmente corrupto e pobre para uma superpotência mundial. Em 1939, Adolf Hitler era o líder mais popular da Europa, senão o maior do mundo, e o desemprego era apenas algo do passado, sendo que as indústrias alemãs eram as melhores e mais fortes do mundo.1 Nesta época, as fronteiras alemãs ainda eram determinadas pelo Tratado de Versalhes, o tratado de paz entre a Alemanha e as potências aliadas da Primeira Guerra Mundial, como o Reino Unido, a França, os Estados Unidos, a Itália e o Japão.

Ao norte, a Alemanha era banhada pelo Mar do Norte, o Mar Báltico e fazia fronteira com a Dinamarca; ao leste, era dividida em duas e fazia fronteira com a Lituânia, a Cidade Livre de Danzig, a Polônia e a Tchecoslováquia; ao sul, fazia fronteira com a Áustria e a Suíça; e ao oeste, fazia fronteira com a França, Luxemburgo, Bélgica, Países Baixos e Renânia. Estas fronteiras mudaram após a Alemanha retomar o controle da Renânia, anexar a Áustria, os Sudetos e a Boêmia e a Morávia. A Alemanha expandiu-se durante a Segunda Guerra Mundial, que teve início em 1939 após a invasão alemã da Polônia, desencadeando a declaração de guerra do Reino Unido e França ao país.

A Alemanha conquistou e ocupou a maior parte da Europa e do Norte da África durante a Segunda Guerra Mundial. Milhões de judeus e outras minorias foram perseguidas e mortas, em meio ao chamado Holocausto. Apesar de sua aliança com outras nações, principalmente a Itália e o Japão, que juntas lideraram as potências do Eixo, o país, em 1945, foi derrotado e subsequentemente ocupado pelas potências aliadas vitoriosas, a União Soviética, Reino Unido, Estados Unidos e França.2

Históriaeditar | editar código-fonte

Ascensão do governo nazistaeditar | editar código-fonte

Primeira bandeira da Alemanha Nazi, usada de 1933 a 1935, ainda sem a suástica.
Brasão de armas da República de Weimar, 1919-1933, e da Alemanha nazista, 1933-1935

Fatores como o início da Grande Depressão (1929), desemprego maciço, as humilhações do Tratado de Versalhes (1919), o descontentamento social com o regime democrático ineficaz, o apoio do povo alemão aos partidos socialistas e o temor de uma revolução socialista levaram a alta burguesia alemã, empresários e o clero a apoiarem a extrema direita do espectro político, optando por extremistas de partidos como o Partido Nazista.

De 1925 a 1930, o governo alemão passou de uma democracia para um regime conservador-nacionalista do presidente e herói da Primeira Guerra Mundial, Paul von Hindenburg, que se opôs à natureza liberal democrática da República de Weimar.3 O partido que apoiou um estado mais autoritário, foi o Partido Popular (o Deutschnationale Volkspartei, DNVP ou "Nacionalistas"), porém depois de 1929, cada vez mais, o público passou à apoiar os nacionalistas mais radicais.

Nas eleições de 1928, quando as condições econômicas tinham melhorado após o fim da hiperinflação de 1922-23, os nazistas ganharam apenas 12 lugares no Reichstag. Após a Crise de 29, nas eleições de 1930, eles ganharam 107 lugares, tornando-se o segundo maior partido parlamentar. Após as eleições de julho de 1932, os nazistas tornaram-se o maior partido no Reichstag, com 230 lugares. Porém o Partido Nazista não conseguiu uma maioria parlamentar até a nomeação de Hitler como chanceler da Alemanha. Hindenburg mostrou-se relutante em dar qualquer significativo poder para Hitler, mas o ex-chanceler Franz von Papen e Hitler trabalharam em uma aliança entre os nazistas e o DNVP com a intenção de criar um regime autoritário e organizado: a fim de controlar Hitler, foi nomeado um gabinete ministerial que permitiria que Hitler assumisse o cargo de chanceler sujeito ao controle dos conservadores tradicionais, sendo que os nazistas seriam uma minoria no gabinete. Após tentativas do General Kurt von Schleicher para formar um governo viável, von Schleicher colocou pressão em Hindenburg por intermédio de seu filho Oskar von Hindenburg para eleger Hitler chanceler, bem como intrigas de ex-chanceler Franz von Papen, líder do Partido do Centro Católico. Assim em 30 de Janeiro de 1933 Adolf Hitler foi nomeado chanceler da Alemanha (Reichskanzler) por Hindenburg (a Machtergreifung), sendo o gabinete ministerial em seguida dissolvido por Hitler.

Embora os nazistas tivessem ganho a maior parte dos votos nas duas eleições gerais do Reichstag em 1932, não tinham maioria, e apenas uma pequena parcela no parlamento aceitava suas propostas, o DNVP-NSDAP.

Na noite de 27 de fevereiro de 1933 o edifício do Reichstag foi incendiado e o holandês comunista Marinus van der Lubbe foi encontrado no interior do edifício. Segundo testemunhas, Lubbe foi encontrado extremamente vermelho, completamente fora de si, e gritava sem parar a palavra "Revolução! Revolução!". Ele foi preso e acusado de iniciar o incêndio. O evento teve um efeito imediato sobre milhares de anarquistas, socialistas e comunistas em todo o Reich, muitos dos quais foram enviados para o campo de concentração de Dachau. Os alemães passaram a se perguntar se o incêndio seria um sinal para iniciar uma revolução comunista.

Durante o mesmo ano de 1933, o Partido Nazista eliminara toda a oposição. Os social-democratas (SPD), apesar dos esforços para apaziguar Hitler, foram proibidos no parlamento em Junho. Entre junho e julho os Nacionalistas (DNVP), o Partido Popular (DVP) e o Partido do Estado (DStP) foram desmantelados. O Partido do Centro Católico dissolveu-se em 5 de julho de 1933. Em 14 de Julho de 1933 a Alemanha foi oficialmente declarado um estado de partido único por um decreto-lei:

O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães constitui o único partido político da Alemanha.
Aquele que tentar manter ou formar um novo partido será punido com trabalhos forçados por três anos ou com prisão de seis meses a três anos, se a ação não estiver sujeita a penalidade maior, em conformidade com outros regulamentos.
4

O Reichstag aprovou em 24 de maio de 1933 o Ato de Autorização pelo qual transmitia suas funções legislativas ao poder executivo - no caso Hitler. Durante o regime nazista o Reichstag reuniu-se em torno de 12 vezes, nunca sustentou debates, votações, ou discursos — com exceção dos de Hitler –, tendo aprovado somente quatro leis (A Lei de Reconstrução de 30 de maio de 1934 — no qual abolia a autonomia dos estados da Alemanha –, e as três leis anti-semitas de Nuremberg em 15 de novembro de 1935). Inúmeros ministérios deixaram de se reunir no regime nazista — embora continuassem existindo na teoria — como o Conselho Secreto do Gabinete (Geheimer Kabinettsrat) e o Conselho de Defesa do Reich (Reichsverteidigungsrat), cujas funções passaram a ser executadas por Hitler.5

Com a morte de Hindenburg em 2 de Agosto de 1934, Hitler fundiria os cargos de Reichspräsident e Reichskanzler no novo título Führer und Reichskanzler, tornando-se chefe das forças armadas, então o exército passou à prestar um juramento de fidelidade à Hitler. Em Outubro de 1933, a Alemanha retirou-se da Sociedade das Nações, uma organização que Hitler desprezava.

A Alemanha, por fim, transformou-se em um estado nacionalista, onde não-arianos e oponentes do nazismo eram excluídos da administração, e o sistema judiciário tornou-se subserviente ao nazismo. Campos de concentração foram criados para receber prisioneiros políticos, sendo durante a Segunda Guerra Mundial utilizados para reunir judeus, ciganos e eslavos.

A "Revolução Nazista" e a nazificação da culturaeditar | editar código-fonte

Hitler denominou sua ascensão e o processo para remoção dos judeus da sociedade alemã de "revolução", defendendo que tal processo de higiene racial seria o estopim da volta (daí revolução) da Alemanha aos tempos do grandioso Império Alemão.6 A Bandeira da República de Weimar foi substituída pela bandeira da suástica do partido nazista no dia 15 de setembro de 1935.

Em 22 de setembro de 1933 foi criada a Câmara de Cultura do Reich, com a intenção de nazificar a cultura, sob o comando do Dr. Goebbels: "A fim de levar a cabo uma política de cultura alemã, é preciso unir os artistas de todas as esferas numa organização coesa sob a direção do Reich. O Reich deve não somente determinar as linhas do progresso mental e espiritual, mas também orientar e organizar as profissões". Sete subcâmaras foram criadas para orientar e controlar toda a cultura: imprensa, belas-artes, literatura, música, cinema e rádio. Todos os profissionais dessas áreas foram obrigados a associar-se às câmaras, que podiam expulsar ou recusar pessoas por "falta de confiança política". Ou seja: como em todo e qualquer regime militar, agora o Reich conduziria o pensamento do povo alemão, e todos os controladores de massa (mídia e cultura) seriam agora controlados pelo Reich.5

Expansionismoeditar | editar código-fonte

A Alemanha nazista desejava mais matérias-primas e auto-suficiência em alimentos, queria as colônias sob o controle da França e Reino Unido, desejava também o petróleo e o trigo da União Soviética. Conforme Hitler afirmou em Mein Kampf, ele desejava também a união de toda a "raça" alemã que vivia em outros países (Renânia, Áustria, nos Sudetos da Tchecoslováquia e em Danzig na Polônia) e expandir a Alemanha para territórios eslavos, para conseguir o Lebensraum (Espaço Vital) para a raça alemã viver, instalando a "Nova Ordem", muitos consideram este expansionismo uma tentativa de "dominar o mundo".7 8

Em março de 1936, Hitler ordenou que o exército alemão ocupasse a Renânia, região cortada pelo rio Reno na fronteira entre França e Alemanha, conforme estabelecido no Tratado de Versalhes, essa região devia permanecer desmilitarizada, mas Hitler ignorou esta regra, promovendo a remilitarização da Renânia. A maioria dos franceses não reagiu à ocupação da Renânia, pois estavam politicamente divididos: havia conflitos entre os partidos políticos marxistas, de base operária e os partidos políticos tradicionais, simpatizantes do fascismo. Também acreditavam que o inimigo do capitalismo democrático era o comunismo da União Soviética e não o nazismo. E os generais franceses não ficaram preocupados com a ação militar alemã na fronteira da França, muitos ainda confiavam nos métodos utilizados pelo exército na Primeira Guerra Mundial, e elaboraram uma estratégia de defesa prevendo uma guerra de trincheiras, com exércitos imóveis garantindo suas posições, ordenando a construção de uma longa fortificação percorrendo a fronteira germano-francesa, conhecido como Linha Maginot.

Em março de 1938, Hitler anexou a Áustria à Alemanha, com o apoio do partido nazista austríaco, que preparou o caminho político para essa anexação, denominada Anschluss (União), que também era proibido pelo Tratado de Versalhes. A Anschluss foi confirmada por um plebiscito em abril de 1938 sobre o lema ein Volk, ein Reich, ein Führer! (um Povo, um Império, um Líder!), o próprio Hitler foi visitar a Áustria, afirmando que o povo alemão nunca mais seria separado.9

Fotografia do Acordo de Munique, Chamberlain, Daladier, Hitler, Mussolini (em primeiro plano), e os ministros das relações exteriores Galeazzo Ciano, von Ribbentrop e von Weizsäcker (em segundo plano).

Logo depois Hitler passou a reivindicar também a anexação da região dos Sudetos, na Tchecoslováquia, habitada por 3 milhões de alemães, a Alemanha nazista acusou falsamente os tchecos de violência e opressão contra os alemães, a imprensa da Alemanha, comandada por Goebbels fez anúncios sobre ondas maciças de violência. Para discutir essa questão, convocou-se em setembro de 1938 o Acordo de Munique, que reuniu os líderes das potências europeias. A reunião era supostamente ideia de Mussolini, mas, na realidade, Hitler tivera a ideia. Dela participaram, Hitler, Mussolini, e os primeiros-ministros Neville Chamberlain (Reino Unido) e Édouard Daladier (França), os representantes dos interesses da Tchecoslováquia foram impedidos de participar da reunião. Pensando que essa seria a última reivindicação territorial de Hitler, França e Reino Unido permitiram a anexação dos Sudetos ao Reich, porém, seguindo ordens secretas, além de ocupar os Sudetos, invadiram toda a Tchecoslováquia em março de 1939, desrespeitando a Conferência de Munique, mesmo assim a França e o Reino Unido não se manifestaram energicamente contra as ofensivas nazistas, mas alertaram que não aceitariam uma nova reivindicação alemã.

Assinatura do Pacto Ribbentrop-Molotov ou Nazi-Soviético.

No dia 27 de agosto de 1939, a Alemanha nazista e a União Soviética assinaram um pacto de não-agressão, o Pacto Ribbentrop-Molotov (assim chamado por ter sido efetuado pelos ministros dos exteriores da Alemanha e da União Soviética), França e Reino Unido anteriormente estavam em negociações com a União Soviética, porém, não desejavam de fato uma aliança, ao contrário da Alemanha. O acordo não somente garantia a neutralidade da União Soviética no caso da Alemanha invadir outros países — uma vez que naquele momento Hitler não teria condições de lutar em duas frentes –, como uma parte secreta do acordo estabelecia que a Polônia seria invadida e dividida entre as duas potências.

Hitler começou a exigir da Polônia um acordo comercial germano-polonês que incluía a construção de uma linha ferroviária e a militarização de Dantzig, no que foi negado pela Polônia. Pouco tempo depois em 1º de Setembro de 1939, tropas alemãs invadiram o território polonês pelo oeste (invasão da Polônia), sendo seguidas pelas tropas russas que em 17 de setembro de 1939, invadiram o lado leste (invasão soviética da Polônia). Em menos de um mês, o precário exército polonês foi derrotado. Os governos do Reino Unido e França entregaram ultimatos à Alemanha, avisando que deveria retirar suas tropas da Polônia; não houve resposta e em 3 de setembro declararam guerra à Alemanha: começava a Segunda Guerra Mundial.

Segunda Guerra Mundialeditar | editar código-fonte

Conquista da Europaeditar | editar código-fonte

Os primeiros anos da guerra caracterizam-se pela rápida ofensiva e vitória da Alemanha. Utilizando a estratégia da Blitzkrieg (Guerra-Relâmpago) nas linhas de defesa adversárias, inicialmente os tanques blindados avançavam (Panzers), apoiados pela aviação (Luftwaffe), em seguida vinham às tropas de ocupação, consolidando a vitória alemã, após dominarem a Polônia, os alemães conquistaram os seguintes países:10

  • Dinamarca (Operação Weserübung, 9 de abril de 1940): os alemães utilizaram um poderoso ataque combinando forças navais, áreas e terrestres.
  • Países Baixos (15 de maio de 1940): a família real fugiu para Londres, formando um governo no exílio para coordenar a resistência contra os alemães.
  • Bélgica (28 de maio de 1940): com a rápida chegada dos exércitos alemães, os exércitos ingleses e franceses que combatiam no norte do território belga foram obrigados a se retirar pelo porto de Dunquerque (Batalha de Dunquerque), milhares de franceses foram aprisionados e quase todo o equipamento militar inglês e francês foi tomado pelos alemães.
  • Noruega (parte da Operação Weserübung, 10 de junho de 1940): as tropas norueguesas foram vencidas pela superioridade dos armamentos nazistas. O rei da Noruega fugiu para Londres, e o poder foi entregue para Vidkun Quisling, chefe do Partido Fascista norueguês.

A dominação da Dinamarca e Noruega era uma estratégia militar para enviar o ferro desses países às industrias de armas.

Em agosto de 1940, a Luftwaffe iniciou os bombardeios às cidades inglesas, Londres é bombardeada diariamente, com a intenção disto provocar sua rendição. Com a recusa do Reino Unido em render-se a foi elaborado um plano de invasão, a Operação Leão Marinho. O primeiro-ministro do Reino Unido deixava de ser Chamberlain e passou a ser Winston Churchill. A defesa do Reino Unido durante a assim denominada batalha da Inglaterra, foi feita pela Força Aérea Real, a RAF, que demonstrou ser superior à Luftwaffe. Assim os planos de invasão Grã-Bretanha foram cancelados.

Entrada da União Soviética e dos Estados Unidoseditar | editar código-fonte

Adolf Hitler durante seu discurso ao Reichstag declarando guerra aos Estados Unidos.

Em 22 de junho de 1941 os exércitos alemães, apoiados por húngaros, finlandeses e italianos na chamada Operação Barbarossa ou Barba Ruiva invadiram a União Soviética, rompendo com o pacto de não-agressão, uma atitude já esperada, em Mein Kampf Hitler declarou que desejava invadir a União Soviética11 e em 31 de julho de 1940 já havia iniciado os planos concretos para a invasão. Hitler estava convencido da inferioridade do Exército Vermelho devido à batalhas que este travou anteriormente com a Finlândia na Guerra de Inverno e nas quais foi derrotado (embora após estas batalhas o exército vermelho tenha melhorado muito). Em 7 de dezembro de 1941, o Japão atacou a base americana de Pearl Harbor, no Havaí, iniciando a guerra contra os Estados Unidos. Por consequência formaram-se dois grandes blocos em conflito: as Potências do Eixo (formado desde 1940, cujos principais representantes eram Alemanha, Itália e Japão) e as Potências Aliadas (cujos principais representantes inicialmente eram Reino Unido e França).10

Na frente oriental da II Guerra Mundial contra a União Soviética, Hitler concentrou cerca de 65% do exército alemão, seu melhores equipamentos militares e as tropas de elite nazistas, a intenção era dominar as cidades de Leningrado, ao norte, Moscou no centro e Stalingrado no sul, por serem as regiões mais populosas, industrializadas e ricas da União Soviética e centro simbólico e político do poder comunista. Nessa luta morreram mais de 20 milhões de soviéticos, dos quais a metade era civil. Em setembro de 1942, tropas blindadas do exército alemão comandadas pelo general Friedrich von Paulus começaram a Batalha de Stalingrado, dominaram grande parte da cidade, mais havia muitos focos de resistência, apesar da enorme dificuldade em entrar na cidade, Hitler ordenou as tropas para não retrocederem. Paulus pediu desesperadamente reforços, mas Hitler não atendeu, e, depois de perderem 300.000 soldados, os alemães se rendem em fevereiro.

A partir de maio de 1942, uma grande contra-ofensiva do Exército Vermelho resultou na rendição das tropas alemãs em fevereiro de 1943. Pela primeira vez na guerra o exército alemão havia perdido, e seu exército foram obrigados a se render. Depois da batalha de Stalingrado, o exército vermelho tomou a iniciativa dos ataques e foi conquistando os territórios controlados pelos nazistas: Finlândia, Bulgária, Hungria, Romênia, Polônia e Tchecoslováquia.

Em 1942 começaram os bombardeios aéreos ingleses e estadunidenses nas cidades alemãs, sua intensidade foi aumentando até 1945. Gradualmente a aviação aliada destruía as redes de comunicação e as zonas petrolíferas nazistas, paralisando a indústria bélica alemã. A Alemanha começou a utilizar suas armas mais modernas: o avião a jato e o míssil balístico V-2, alguns deles atingiram a cidade de Londres, causando grandes estragos.,12

No dia 6 de junho de 1944, as tropas aliadas desembarcaram na Normandia (França) e iniciaram intenso ataque às tropas alemãs. Esse dia ficou conhecido como o D Day ou Dia D (Dia da Decisão), a resistência francesa destruiu pontes e postes telegráficos e sabotou estradas enfraquecendo um contra-ataque alemão mais poderoso, a França foi libertada, os estadunidenses continuaram avançando por território alemão na frente ocidental, instaurando toque de recolher e racionamento de comida nas cidades, enquanto o Exército Vermelho avançava pelo frente oriental.

A cabana da conferência depois da explosão, em 20 de julho.

Em 20 de Julho de 1944 ocorreria o atentado contra Hitler dentro do Wolfsschanze, o Quartel General Secreto de Hitler na Prússia Oriental, a Toca do Lobo. O plano foi organizado por um grupo de oficiais do Wehrmacht, liderados pelo Coronel Conde Claus von Stauffenberg como parte de um golpe de estado baseado na chamada Operação Valquíria. Stauffenberg levou uma bomba em uma mala para uma reunião de lideranças e a deixou próxima de Hitler.13 Este atentado, realizado pela resistência alemã, foi o último de vários contra a vida de Hitler. Os conspiradores pretendiam assinar um acordo de cessar fogo com a Grã-Bretanha e os Estados Unidos e concentrar todas as tropas alemães na guerra contra a União Soviética. Entretanto, Hitler havia sobrevivido e mais tarde descobriu a lista de conspiradores. 5000 pessoas foram presas, e 200 executadas, incluindo o coronel Stauffenberg.

À medida que os países ocupados pela Alemanha foram libertados pelos aliados, foram descobertas os crimes cometidos pelos nazistas nos campos de concentração e extermínio: cerca de 6 milhões de judeus morreram nesses campos, além de outras minorias raciais e inimigos do regime. Os crimes cometidos pela Alemanha nazista estão entre os maiores cometidos na história da humanidade.12

Declínio e fim do governo nazistaeditar | editar código-fonte

Exército dos EUA explode a Suástica no topo da Área de desfile do partido nazista (campo Zeppelin), em Nuremberg.

Mesmo diante das derrotas tanto na frente oriental contra a União Soviética quanto na Frente Ocidental contra a Reino Unido e Estados Unidos, a Alemanha nazista não se rendia, a imprensa de Goebbels afirmava que apesar das atuais derrotas, a vitória final seria da Alemanha. Tribunais nazistas obrigaram a população civil a lutar. Em 25 de abril de 1945, Berlim estava totalmente cercada pelos soviéticos. Em 30 de abril, Hitler e sua mulher Eva Braun, cometeram suicídio no Führerbunker, o bunker de Hitler em Berlim, mesmo assim, Hitler não demonstrou arrependimento ou descrença na ideologia nazista, tendo afirmado em seu testamento:

Eu encarrego os líderes deste país e seu povo a resistir implacavelmente ao envenenador universal de todas as nações, o povo judeu internacional.14

Hitler separou seu cargo de Führer em Chanceler, que se tornou Joseph Goebbels e Presidente que se tornou Karl Donitz. Em 1 de maio Goebbels e sua família também cometeriam suicídio. No dia 8 de maio de 1945, ocorreu a rendição incondicional da Alemanha, no que é considerado o Dia da Vitória na Europa,15 embora os partidários do nazismo continuassem lutando por mais uma semana.16

Os acusados nos bancos dos réus nos Julgamentos de Nuremberg. Hermann Göring pode ser visto na borda esquerda na primeira fila de bancos.

Entre os anos de 1945 e 1946, instalou-se em Nuremberg um tribunal militar internacional, que condenou os principais líderes nazistas por crimes contra a humanidade, onze deles foram condenados à morte por enforcamento, o principal alvo do Ministério Público foi Hermann Göring considerado o mais importante sobrevivente oficial do Terceiro Reich.17 A morte de Hitler e a queda da Alemanha nazista não significou, todavia o fim da ideologia nazista, visto que esta sobrevive até os tempos atuais sob a forma do neonazismo, mas representou o fim das pretensões hegemônicas da Alemanha.

Desnazificação da Alemanhaeditar | editar código-fonte

Zonas ocupadas pelos Aliados na Alemanha em 1947, com os territórios a leste da linha Oder-Neisse sob administração polaca ou anexação soviética, além do protetorado de Sarre e a Berlim dividida. A Alemanha Oriental era formada pela Zona Soviética, enquanto a Alemanha Ocidental era formada pelas zonas estadunidense, britânica e francesa em 1949 e do Sarre em 1957.

Após a derrota da Alemanha, os Aliados buscaram a limpeza da sociedade, cultura, imprensa, justiça e política da Alemanha e da Áustria de toda influência nazista.

Em Janeiro de 1946 o Conselho de Controlo Aliado dividiu a Alemanha em 4 zonas controladas pelos países vitoriosos Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética,18 esses países governaram a Alemanha de 1945 até 1948. Ocorreram detenções maciças, contabilizando somente nas zonas ocidentais cerca de 182.000 prisioneiros, dos quais em 1 de Janeiro de 1947 aproximadamente 86.000 foram libertados.

Governo e Políticaeditar | editar código-fonte

A justiça e a leieditar | editar código-fonte

Cquote1.svg Hitler é a lei! Cquote2.svg

Assim que Hitler tornou-se chanceler em 1933, e nos anos que seguiram, a lei e a constituição de Weimar — que permanecia a mesma da República de Weimar — foram desrespeitas inúmeras vezes por ele e pelos membros do partido nazista, de forma que muitos juízes afirmavam que "Hitler é a lei!". Hermann Göring declarou aos promotores prussianos em 12 de junho de 1934 que a "vontade do Führer e a lei são a mesma coisa", o próprio Hitler, após o expurgo em massa de seus inimigos na Noite das Facas Longas, em seu discurso no Reichstag denominou-se o "juiz supremo do povo alemão". Hitler tinha o direito de revogar os processos criminais,19 inicialmente Göring também.20 Milhares de "decretos-lei" emitidos pelo Führer foram explicitamente baseados no decreto do Presidente Paul von Hindenburg de 28 de fevereiro de 1933, para a Proteção do Povo e do Estado do artigo 48 da Constituição, logo após o incêndio do Reichstag, quando Hitler lhe havia assegurado da possibilidade de uma revolução comunista, o decreto que suspendia todos os direitos civis, permaneceu em vigor durante todo o regime nazista.

Através da Lei de Serviços Civis de 7 de abril de 1933, que devia ser aplicada para todos os juizados, afastava os juízes judeus ou juízes "que demonstrarem não mais estarem aptos a intervir todas as vezes em favor do Estado nacional-socialista". Os Juízes obrigatoriamente tinham de associar-se à Liga Nacional-Socialista dos Juristas Alemães. Muitas vezes mesmo quando os réus eram absolvidos a Gestapo prendia-o, o matava, ou o mandava para um campo de concentração, como ocorreu com o pastor Martin Niemöller. O registro de todas as decisões dos tribunais dos acusados de atacar o partido nazista era mandado para o deputado Rudolf Hess, que se considerasse a sentença muito branda, condenava muitas vezes a pessoa para um campo de concentração ou a sentenciava à morte. Os juízes eram estimulados a desrespeitar a lei em favor do nazismo, o dr. Hans Frank, Comissário de Justiça e Líder Jurídico do Reich disse aos juristas em 1936:

A ideologia nacional-socialista é o fundamento de todas as leis básicas (…), em face do nacional-socialismo não há lei independente. Ante qualquer decisão que tomardes perguntais a vós mesmos "Como decidiria o Führer em meu lugar" Em toda decisão, perguntai "Será esta decisão compatível com a consciência nacional-socialista (…)21

Em 21 de março de 1933 foi estabelecido a Sondergericht (Corte Especial), que julgava os crimes políticos ou "ataques (…) contra o governo", anteriormente sob jurisdição dos tribunais ordinários. As Cortes especiais compunham-se de três juízes, funcionários ou pessoas de confiança do partido nazista, não havia júri. Apesar do promotor de justiça ter liberdade para escolher entre os casos serem julgados por tribunais ordinários ou a corte especial, escolhia sempre a última. Os advogados de defesa que deviam ser aprovados pelos funcionários nazistas eram muito ruins.

Roland Freisler, presidente da Corte Popular (no centro) e outros juízes fazendo a saudação nazista no tribunal da Corte Popular.

Em 24 de abril de 1934 foi estabelecido o Volksgerichtshof (Corte Popular), um dos tribunais mais temidos e arbitrários da Alemanha nazista, cujo presidente era Roland Freisler, que julgava os casos de traição, anteriormente sob jurisdição exclusiva do Reichsgerich (Suprema Corte). Isto ocorreu principalmente por uma decisão tomada um mês antes pela Suprema Corte, que absolveu de traição três dos quatro comunistas acusados de incendiar o Reichstag. A Corte Popular compunha-se de juízes profissionais e de outros cinco escolhidos entre os funcionários do partido nazista, da SS e da Wehrmacht, constituindo a maioria. Não havia apelações de suas decisões ou sentenças e geralmente suas sessões eram realizadas em gabinetes privados, embora às vezes, com fins de propaganda, quando sentenças públicas deviam ser dadas, correspondentes estrangeiros eram convidados a assisti-las, como ocorreu com William L. Shirer. Os processos terminavam rapidamente, muitas vezes em um dia, havia pouca oportunidade de apresentar testemunhas de defesa, assim como na Corte Especial, os advogados de defesa na Corte Popular deviam ser aprovados pelos funcionários nazistas.

Entre 1933 e 1945 mais de 3 milhões de alemães foram enviados para campos de concentração ou prisão por motivos políticos.22 Dezenas de milhares de alemães foram mortos por resistência ao nazismo. Entre 1933 e 1945 a Corte Especial sentenciou à morte 12.000 alemães. As Cortes Marciais sentenciaram à morte 25.000 soldados alemães, e a justiça regular sentenciou à morte 40.000 alemães. Muitos destes alemães fizeram parte do governo civil ou militar de serviço, circunstância que lhes permitia iniciar a subversão e conspiração enquanto envolvidos, de forma marginal ou significativamente, nas políticas do governo".23

Política racialeditar | editar código-fonte

Uma das características mais marcantes da Alemanha nazista foi suas leis racistas, especialmente contra os judeus, denominada de "higiene racial", que foi baseada principalmente nas ideias de Arthur de Gobineau e da teoria da eugenia. Assim o princípio evolutivo da seleção natural foi aplicada as sociedades e etnias humanos. Dessa maneira os nazistas consideravam que a etnia alemã, denominada de "arianos", constituiriam uma raça superior, ao qual não deveria entrar em contato sexual com aquelas que eram consideradas, raças inferiores. Os judeus, em especial, eram considerados perigosos. Uma propaganda nazista dos anos 40 afirmava:

Eles [os judeus] contaminaram os negócios alemães, violentaram a cultura alemã, degradaram nossa literatura, infiltraram-se em nossos teatros, escravizaram nossa imprensa, arruinaram a lei, envenenaram a economia alemã. Em todos os setores da vida alemã, eles destruíram a decência e a essência do que é alemão por meio da ganância e da irresponsabilidade aproveitadora.17

As primeiras vítimas desta política foram aleijados e pessoas com problemas mentais, em um programa de eutanásia obrigatória chamado Aktion T4, porém após o sermão do bispo católico de Münster Clemens August von Galen contra o Aktion T4,24 houve um grande clamor público contra o programa, e Hitler o finalizou.25

Os judeus foram sujeitos a uma violenta onda de propaganda difamatória. As Leis de Nuremberg de 1935 impediam que alemães e judeus se casassem, estes perderam seu estatuto de cidadãos alemães e foram banidos de quaisquer lugares na função pública, de exercer profissões ou de tomar parte na atividade econômica. Os estabelecimentos possuíam placas que diziam ser proibida a entrada de judeus. Em 25 de julho de 1933 foi decretada à lei de esterilização obrigatória para os judeus e outras raças consideradas inferiores, que esterilizou em torno de 400.000 pessoas.26

A partir de 1941, os Judeus foram obrigados a usar a estrela de Davi (ver: triângulos do Holocausto) em público, para serem facilmente reconhecidos pelos alemães. Entre Novembro de 1938 e Setembro de 1939, mais de 180.000 judeus fugiram da Alemanha, sendo suas propriedades confiscadas pelo Estado. A partir de 1939 os judeus passaram à ser mandados para campos de concentração, que inicialmente eram utilizados apenas para prender os inimigos do regime nazista. Mais de 1.000 campos de concentração surgiriam nos países ocupados pela Alemanha nazista.

Campo de concentração de Buchenwald. Dia da libertação em 16 de Abril de 1945. No segundo andar do beliche, o sétimo a contar da esquerda é Elie Wiesel, o Prêmio Nobel da Paz de 1986.

Entre 1939 e 1945, os campos de concentração tornam-se campos de extermínio, e a SS, ajudada pelos governos e colaboracionistas dos países ocupados, sistematicamente assassinam entre 11 e 14 milhões de pessoas, incluindo cerca de seis milhões de judeus, o plano de extermínio dos judeus era chamado de "Solução Final" (Endlösung der Judenfrage). Muitos foram utilizados como cobaias nos experimentos médicos nazistas. Muitos também morreram de fome e doenças enquanto trabalham como escravos (por vezes, em benefício de empresas privadas alemães devido ao baixo custo deste trabalho). Juntamente com os judeus foram assassinados Polacos (mais de três milhões de vítimas), comunistas ou dissidentes políticos, os membros de grupos de resistência, católicos e protestantes opositores, homossexuais, ciganos, deficientes físicos mentais, prisioneiros de guerra soviéticos (possivelmente perto de três milhões), Testemunhas de Jeová, sindicalistas, e pacientes psiquiátricos. Este genocídio ficou conhecido como Holocausto e foi planejado e ordenado por líderes nazistas, como Heinrich Himmler. Para continuar a aplicar a "Solução Final" foi realizada a Conferência de Wannsee, perto de Berlim, em 20 de janeiro de 1942, com quinze altos funcionários nazistas, liderada por Reinhard Heydrich e Adolf Eichmann. A ata desta reunião fornece a mais clara evidência de planejamento para o Holocausto.

Um dos maiores campos de extermínio em massa foi Auschwitz-Birkenau. Hitler nunca visitou os campos de concentração e estes assassinatos não se tornaram públicos até a derrota da Alemanha nazista.

Subdivisõeseditar | editar código-fonte

Os Estados e Municípioseditar | editar código-fonte

Em 30 de janeiro de 1934 Hitler decretou a "Lei de Reconstrução do Reich", aprovado pelo Reichstag, em que "(…) os poderes soberanos [dos estados devem ser] transferidos para o Reich, todos os seus governos ficaram sob a jurisdição do governo do Reich e os governadores subordinados à administração do ministro do interior do Reich". No regime nazista os estados da Alemanha, pela primeira vez em sua história, perderam sua autonomia, tendo sido rebaixados a províncias. Antes da lei de Reconstrução, outras duas leis de 31 de março e 7 de abril já permitiram que Hitler indicasse interventores para os estados. Uma série de decretos-lei privou também os municípios de sua autonomia, caso tivessem mais de cem mil habitantes seus prefeitos deviam ser nomeados pelo ministro do interior do Reich, caso tivessem menos de cem mil habitantes deviam ser nomeados pelos governadores provinciais.27

Economiaeditar | editar código-fonte

Nos primeiros anos do regime nazista a Alemanha recuperou-se e cresceu economicamente de maneira extremamente rápida, o que foi considerado "um milagre" por muitos economistas. O desemprego de 1920 e do início de 1930 foi reduzido de seis milhões de desempregados em 1932 para menos de um milhão em 1936. A produção nacional cresceu 102%, de 1932 a 1937, e a renda nacional dobrou. Em 1933 a política econômica nazista ditada pelo Ministro da Economia Dr. Hjalmar Schacht — uma vez que Hitler despreza economia — queria diminuir o desemprego por meio da expansão de obras públicas e do estímulo à empresas privadas. O crédito governamental foi fornecido pela criação de fundos especiais de desemprego, concedeu-se isenção de impostos às empresas que aumentassem o emprego e seus gastos de capital.

Uma das principais bases da recuperação alemã foi o rearmamento, para o qual a ditadura nazista dirigiu sua força econômica, a indústria e o trabalho a partir de 1934. Sendo conhecido como Wehrwirtschaft (Economia de Guerra), que devia funcionar em tempos de paz e guerra e no período que antecede à guerra.28

Um plano de quatro anos foi criado em 1936 para conquistar a auto-suficiência em caso de guerra, a força aérea (Luftwaffe), proibida desde 1919, foi reconstituída, teve igualmente início a reconstrução da Kriegsmarine (Marinha) alemã. Hitler reintroduziu o serviço militar obrigatório em 1935, após a devolução da bacia do Sarre (rio na França e Alemanha, sob administração da Liga das Nações desde o final da Primeira Guerra Mundial).

Fritz Sauckel era o responsável pelo fornecimento de mão-de-obra estrangeira para a indústria alemã, principalmente a indústria de armamentos, o número de trabalhadores era definido por Hitler e Albert Speer, Ministro do Armamento. A operação de escravização recrutou 5 milhões de pessoas de outros países, das quais somente 200.000 foram de vontade própria. Foi a maior operação de trabalho escravo da história.17

Economia de divisaseditar | editar código-fonte

A Alemanha nazista ao contrário de outras ditaduras, como a União Soviética, não criou leis de economia de divisas e imigração severas. As empresas de turismo arrecadavam grandes quantias da economia de divisas. Os estrangeiros, mesmo os antinazistas, podiam vir à Alemanha e estudar o que desejassem — com exceção dos campos de concentração e das instalações do exército — muitas vezes saindo da Alemanha com uma "perspectiva melhor" do nazismo, como ocorreu com o político inglês Lloyd George. Da mesma forma os alemães podiam visitar os países democráticos.5

Operário e proletariadoeditar | editar código-fonte

Robert Ley, chefe da Frente para o Trabalho.

Na Alemanha nazista foram extintos os sindicatos, contratos coletivos e o direito de greve. Os sindicatos foram substituídos pela Deutsche Arbeiterfront ou Frente Alemã do Trabalho, chefiada por Robert Ley, que admitia assalariados e empregados e também patrões e membros de profissões liberais, tornando-se a maior organização partidária da Alemanha com 25 milhões de membros, possuindo uma excessiva burocracia, por consequência em torno de 20% a 25% de sua renda era gasta com sua administração. A renda anual das contribuições obrigatórias dos operários para Frente do Trabalho chegou a US$ 160 milhões em 1937 e US$ 200 milhões em 1939. Na realidade a Frente do Trabalho não defendia realmente os operários, seu objetivo, conforme a lei, não era proteger o operário, mais "criar uma verdadeira e produtiva comunidade social. (…) Sua missão consistia em verificar se todo indivíduo seria capaz de (…) realizar o máximo de trabalho possível". A Frente do Trabalho não era uma organização independente, mais subordinada ao partido nazista, que conforme a lei de 24 de outubro de 1933 devia ser formada de funcionários do partido, da SA., SS., ou outros órgãos nazistas.5

A Lei Reguladora do Trabalho de 20 de janeiro de 1934, chamada de Carta do Trabalho, cedeu vastos poderes ao patrão, convertendo-o no "líder da empresa" e os empregados nos "subordinados" ou Gefolgschaft. O parágrafo 2º dizia que "o líder da empresa tomava as decisões pelos empregados e trabalhadores, em todas as questões relacionadas com a empresa", também estabelecia que o líder da empresa fosse "responsável pela situação dos operários e funcionários", estipulando também que "os funcionários e trabalhadores devem-lhe [ao líder da empresa] fidelidade".

Os salários dos operários eram fixados pelas juntas de trabalho, nomeadas pela Frente do Trabalho, que geralmente adotavam os valores de acordo com os desejos do patrão, sendo que os operários não eram consultados, embora depois de 1936, nas empresas de armamentos os patrões desejassem aumentar o salário a fim de atrair pessoal, mas os salários foram mantidos baixos por ordem do Estado. Hitler era favor da conservação dos salários baixos, tendo declarado no início do regime nazista "não permitir nenhum aumento do valor do salário-hora, mais elevar o rendimento somente por um aumento da atividade".29 Os salários da Alemanha, levando em conta o custo de vida e os serviços sociais sempre foram baixos se comparados aos dos Estados Unidos na época. No governo nazista, eles abaixaram ligeiramente mais. De acordo com o Departamento de Estatística do Reich os salários dos trabalhadores especializados diminuíram de 20,4 centavos por hora em 1932 — no período da Grande Depressão — para 19,5 centavos em 1936. O salário para o trabalho não-especializado caiu de 16,1 centavos para 13 por hora. O dr. Ley afirmou no congresso do partido em Nuremberg em 1936, que a média dos ordenados dos operários de tempo integral na Frente do Trabalho era de US$ 6,95 por semana. Os operários também pagavam pesados impostos de renda, contribuições obrigatórias para enfermidade, desemprego e seguro contra incapacidade, e das quotas da Frente do Trabalho, o operário também era pressionado para fazer contribuições para diversas obras de beneficência, como o Asilo de Inverno, embora uma minoria, alguns operários foram demitidos por deixarem de contribuírem ou doarem muito pouco.

A participação dos operários alemães na renda nacional caiu de 56,9% em 1932 para 53,6% em 1938. Simultaneamente a participação do capital e das empresas na renda nacional elevou-se de 17,4% para 26,6%. Porém, devido ao aumento do emprego, a renda total dos ordenados e salários passou de 25 bilhões de marcos a 42 bilhões, um crescimento de 66%, porém a renda do capital e das empresas cresceu 146%.

Da mesma forma que ocorria com o agricultor, surgiram leis, começando pela de 15 de maio de 1934, que restringia severamente o operário industrial para se transferir para outro emprego. Em 1935 foi instituída a carteira de trabalho, sendo que nenhum operário poderia ser contratado sem possuí-la, a carteira informava ao patrão todos os dados simples e empregos anteriores do operário e também, se o operário quisesse mudar de emprego, o patrão poderia reter sua carteira, impedindo-o de empregar-se legalmente em outro local. Finalmente em 22 de junho de 1938, um decreto promulgado pelo Ministério do Plano de Quatro Anos instituiu o "recrutamento do trabalho", que obrigava ao operário trabalhar onde o Estado designasse, nestes casos, ao contrário do que ocorria com os agricultores, a lei era severamente cumprida. Os operários que se ausentassem do emprego sem uma boa justificativa estavam sujeitos a multas e prisão. Porém, da mesma forma que um operário não poderia mudar de emprego, também não poderia ser demitido pelo patrão sem consentimento do Estado, tendo assim, seu emprego garantido.

Propaganda sobre um evento organizado pela Kraft durch Freude.

A fim de entreter os operários nas horas de folga, o regime nazista criou o Kraft durch Freude (A Força pela Alegria), uma organização de descanso e relaxamento administrada pelo Estado, que consumia 10% da renda da Frente do Trabalho. Nenhum clube, organização social, esportiva ou recreativa, poderia funcionar sem o controle da Kraft durch Freude. Fornecia-se aos membros da Frente do Trabalho, viagens de férias muito baratas, por exemplo, uma viagem à Ilha da Madeira custava somente US$ 25 (incluindo o transporte ferroviário de ida e volta ao porto), algumas excursões eram gratuitas. O dr. Ley construiu dois navios de 25 mil toneladas (inclusive um tinha seu nome) e fretou outros dez para realizar viagens marítimas da Kraft durch Freude. Esta organização também fornecia ingressos reduzidos para teatros, óperas e concertos, tornando o entretenimento intelectual mais acessível ao operário, esta organização também possuía sua própria orquestra sinfônica, que fazia turnês pela Alemanha. Muitos comparavam a Kraft durch Freude e o controle da recreação na Alemanha nazista ao "pão e circo" do proletariado romano, realmente o dr. Ley disse que "temos de desviar a atenção da massas, de sua situação material para os valores morais".

Agriculturaeditar | editar código-fonte

Richard Walter Darré em um comício de Reichsnahrstand em Goslar, 13 de Dezembro de 1937. Atrás dele o emblema do programa "sangue e solo", a suástica, a espada e a espiga.

A situação da agricultura na República de Weimar e em grande parte do mundo era muito ruim. Na Alemanha as dívidas dos agricultores subiram para 12 bilhões, os juros destas dívidas, retiravam 14% de toda a renda agrícola, os agricultores deixaram de arrecadar um bilhão de marcos em 1924-1925. O partido nazista sempre desejou conquistar os agricultores, o ponto 17 do partido prometia-lhes "a reforma agrária (…), uma lei para o confisco de terra, sem indenização, para fins comuns, a abolição dos juros sobre os empréstimos agrícolas, e medidas para evitar a especulação (…) sobre a terra". Essas promessas (com exceção da última) nunca foram cumpridas.

Entretanto o regime nazista começou um novo programa agrícola chefiado por Richard Walter Darré, Ministro da Alimentação e da Agricultura, sob o slogan Blut und Boden (Sangue e Solo),30 Darré foi um notável especialista no assunto, já tendo servido nos ministérios da Prússia e do Reich, demitido por disputas com seus colegas, e escritor do livro "O lavrador como fonte vital da raça nórdica". Dárre decretou duas leis básicas em setembro que reorganizaram a estrutura da produção e venda no mercado, visando assegurar altos preços para os agricultores, e melhorando a renda do camponês. Também decretou uma medida de âmbito feudal, a Lei da Fazenda Hereditária de 29 de setembro de 1933, onde todas as fazendas com até 308 acres (125 hectares), capazes de sustentar uma família, foram consideradas fazendas hereditárias, que não poderiam ser vendidas, divididas, hipotecadas ou executadas por dívidas, com a morte do proprietário elas deviam ser passadas a um filho ou parente masculino mais próximo. O proprietário não poderia deixá-las para trabalhar em outro local. Somente um cidadão alemão que tivesse condição de provar sua pureza racial desde o século XIX podia possuir uma fazenda, sendo chamado de Bauer (Camponês), título que ele perderia se deixasse de cumprir a lei ou não trabalhasse na fazenda, mesmo que por questões de saúde ou deficiência, essa lei era largamente desobedecida, estima-se que de 1933-1939 1,3 milhões der agricultores deixaram suas fazendas para procurar empregos na indústria e comércio.

Dárre também criou o Departamento de Fomento Agrícola do Reich, que mantinham controle total sobre a agricultura e cujos dois principais objetivos eram obter preços estáveis e lucrativos para o agricultor e tornar a Alemanha auto-suficiente em alimentos. O primeiro objetivo foi atingido nos dois primeiros anos do regime nazista, onde os produtos agrícolas aumentaram 20% (os vegetais, laticínios e o gado tiveram um aumento relativamente maior). Porém a auto-suficiência nunca foi atingida, a Alemanha conseguiu no auge desse indicador, o total de 83% de auto-suficiência, a completa auto-suficiência só foi atingida com a conquista de terras estrangeiras.

Culturaeditar | editar código-fonte

Educaçãoeditar | editar código-fonte

Na Alemanha nazista a educação além de transmitir aos alunos o conhecimento teórico, também os treinava política e militarmente. Em 30 de abril de 1934, Bernhard Rust, foi nomeado Ministro da Ciência, Educação e Cultura do Reich, amigo de Hitler e fanático nazista, demitido anteriormente do cargo de mestre-escola provincial por debilidades mentais. As escolas alemãs foram rapidamente nazificadas, os professores eram defensores ou membros do partido nazista, muitos foram treinados para transmitir a ideologia nazista. A Lei do Funcionalismo Civil de 1937 dizia que os professores deviam defender as ideias nazistas e todos os professores juraram fidelidade a Adolf Hitler.

Durante a República de Weimar, as escolas públicas da Alemanha estavam sob o controle das cidades, e as universidades, dos estados. No regime nazista, todas as instituições de ensino não-privadas ficaram submetidas ao controle de Bernhard Rust, ministro da Ciência, Educação, e Cultura Nacional. Rust indicava os reitores e decanos das universidades, os quais eram eleitos formalmente pelos professores das faculdades. Ele também designava os dirigentes das uniões estudantis universitárias, às quais todos os estudantes deviam pertencer; e ainda das uniões de lentes, que abrangiam todos os professores. A Associação Nacional-Socialista dos Lentes Universitários, sob a firme liderança dos nazistas, tinha um papel decisivo na seleção de quem devia ensinar e verificação de se o ensino ministrado estava em conformidade com o nazismo.5

Como os nazistas consideravam as crianças o futuro do Reich, e o futuro que essas crianças construiriam era o que estava escrito no Mein Kampf, os professores eram instruídos a ensinar as crianças de modo que elas estivessem de acordo com os princípios educacionais, culturais e morais nazistas. O ensino das "ciências raciais" (em alemão Rassenkunde) dizia que a raça ariana era a raça superior, raça que deveria ter sempre em mente a sua soberania, e ao mesmo tempo compaixão por quase todas as outras raças - os judeus, ditos inferiores, deveriam ser tratados com desprezo. O ensino das ciências naturais deteriorou-se rapidamente. Começou a ser ensinado "física alemã", "química alemã" e "matemática alemã", aplicando-se o nazismo em todas as ciências. A resistência à nazificação da educação foi relativamente pequena, embora alguns poucos tenham se demitido e fugido da Alemanha. Estima-se que 2.800 professores e instrutores - um quarto do total - foram demitidos nos primeiros cinco anos do regime. A maior parte desse número era constituída de professores judeus que se mudaram para fugir do regime.

O professor Rudolf Tomaschek, diretor do "Instituto de Física de Dresden" disse "A física moderna é um instrumento judaico para a destruição da ciência nórdica (…) A verdadeira física é produto do espírito alemão (…) Na realidade, toda a ciência europeia é criação do ariano". Johannes Stark, diretor do "Instituo Nacional Alemão de Ciências Físicas" também pensava dessa forma, dizendo que "os fundadores das pesquisas na física moderna e os grandes descobridores, de Galileu e Newton até os pioneiros da física moderna, foram quase exclusivamente arianos". O professor Wilhelm Müller, do "Colégio Técnico de Aachen" disse que a teoria da relatividade de Einstein fazia parte de uma conspiração judaica para destruir a civilização. O professor Ludwig Bieberback da Universidade de Berlim, também via Eisntein como um charlatão e acreditava que somente à física ariana era a verdadeira.31

Depois de seis anos o número de estudantes universitários caiu de 127.920 para 58.325. Nos institutos de tecnologia, as inscrições caíram de 20.474 para 9.554. Em torno de 1937 o nível educacional e acadêmico da Alemanha tinha caído rapidamente.

Baldur von Schirach, chefe da Juventude Hitlerista em 1945.

Hitler não acreditava que as escolas públicas pudessem nazificar a juventude, acreditando que a Juventude Hitlerista pudesse fazê-lo, nela as crianças e adolescentes de 6 a 18 anos de ambos os sexos eram organizados em várias de suas formações, porém, a Juventude Hitlerista era um movimento juvenil relativamente pequeno, em 1932, o alistamento total possuía apenas 107.956, enquanto do Comitê do Reich das Associações da Juventude Alemã chegavam a 10.000.000 de jovens, o maior movimento juvenil do mundo. Hitler nomeou Baldur von Schirach, que desde 1925 já era líder da Juventude Hitlerista, "líder da Juventude do Reich Alemão" em junho de 1933, posteriormente em vez de subordinar-se ao Ministério da Educação, Schirach passou à ser responsável diretamente perante o Führer. Schirach imediatamente ordenou que cinquenta homens da Juventude Hitlerista ocupassem o Comitê do Reich das Associações da Juventude Alemã, o chefe do comitê, um antigo general do exército prussiano Vogt, e o almirante da Primeira Guerra Mundial von Trotha, presidente da associação foram destituídos e seus cargos extintos. Centenas de pensões para jovens alemães no valor de alguns milhões de dólares foram confiscadas. Em 1º de dezembro de 1936, Hitler decretou uma lei que extinguia todas as organizações de jovens não-nazistas:

"(…) Toda a juventude alemã do Reich está organizada nos quadros da Juventude Hitlerista.
A juventude alemã, além de ser educada na família e nas escolas, será forjada física, intelectual e moralmente no espírito do nacional-socialismo (…) por intermédio da Juventude Hitlerista.
32

De 6 a 10 anos, um rapaz fazia um aprendizado para servir na Juventude Hitlerista, chamado de Pimpf. Para cada jovem era fornecido um livro de registro, onde seria anotado seu progresso na juventude hitlerista, inclusive seu desenvolvimento das doutrinas nazistas. Aos 10 anos, depois de passar por testes consecutivos de atletismo, acampamento e história nazificada, recebia o grau de Jungvolk (Jovem Camarada), fazendo o seguinte juramento:

Diante dessa bandeira de sangue, que representa nosso Führer, juro devotar todas as minhas energias e forças ao salvador da nossa pátria, Adolf Hitler. Estou disposto e pronto a dar a minha vida por ele, com a ajuda de Deus.

Aos 14 anos o rapaz entrava na Juventude Hitlerista propriamente dita, ficando nela até os 18 anos, quando era transferido para a Cooperação pelo Trabalho e o exército. Na Juventude Hitlerista os rapazes recebiam treinamento em doutrinas nazistas, artes militares, acampavam, sendo conhecidos por usarem pesadas mochilas e marcharem nos fins de semana. De 10 a 14 anos, as jovens alemãs eram alistadas como Jungmädel (Jovens Donzelas), seu uniforme era composto de uma blusa branca, saia azul e meias e sapatos de marcha, seu treinamento era como o dos rapazes. Aos 14 anos as moças entravam para a Bund Deutscher Mädel ou B.D.M (Liga das Moças Alemãs), ficando nela até os 21 anos, algumas vezes as moças também faziam experiências em arte militar.

Na Alemanha nazista, dava-se atenção ao fato de que o principal papel das mulheres eram gerarem filhos sadios, propagando a "raça ariana". Aos 18 anos as moças das B.D.M prestavam um ano de serviço nas fazendas — as Land Jahr, equivalente à Cooperação do Trabalho dos rapazes. Sua tarefa consistia em ajudar em casa e no campo, as moças viviam em chácaras ou em pequenos acampamentos nos distritos rurais, onde eram apanhadas por caminhões no início da manhã e levadas às fazendas. Também havia o Ano do Lar, onde em torno de quinhentas mil moças passavam um ano fazendo trabalhos domésticos num lar da cidade. Logo surgiram pais reclamando que suas filhas haviam engravidado (sem se casar) dos camponeses ou dos rapazes da Cooperação do Trabalho, cujo acampamento ficava muitas vezes próximo aos da B.D.M.5

No fim de 1938, a Juventude Hitlerista teria 7.728.259 membros, entretanto em torno de 4 milhões de jovens ainda estavam fora da organização, então, em março de 1939, o regime nazista decretou uma lei no qual todos os jovens deviam ser convocados para a Juventude Hitlerista, de forma semelhante ao exército. Caso os pais se recusassem a alistar seus filhos, seriam submetidos a severas sentenças de prisão, ou seus filhos poderiam inclusive ser mandados para orfanatos ou outros locais.

Na Alemanha nazista foram criadas três tipos de escolas para o aperfeiçoamento dos melhores estudantes no nazismo:

  • As Escolas Adolf Hitler, sob a direção da Juventude Hitlerista, recebiam os jovens mais promissores da Jungvolk com doze anos, onde ficavam seis anos sob disciplina espartana e preparação intensiva para participarem do partido nazista e dos serviços públicos. Após formados eram escolhidos para uma universidade. Havia dez Escolas Adolf Hitler, fundadas depois de 1937, a principal era a Akademie de Brunswick.
  • O Instituto Nacional de Educação Política, sob a direção da SS, que fornece os diretores e a maioria dos professores, seu objetivo é restabelecer a educação ministrada nas antigas escolas militares da Prússia, juntamente com os ensinos da ideologia nazista. Já existiam 31 dessas escolas antes da Segunda Guerra Mundial, das quais, 3 eram para mulheres.
  • Os Castelos da Ordem (Ordens-burgen) sob a direção do partido nazista, era a escola em que era preparada a elite nazista, feita nos castelos dos cavaleiros das Ordens Teutônicas dos séculos XIV e XV. Os Castelos da Ordem originais foram baseados no princípio de obediência absoluta ao Mestre, a Ordensmeister, e dedicada à conquista alemã das terras eslavas do Oriente e a escravização dos nativos. Os Castelos da Ordem nazistas possuíam disciplina e propósitos similares. Exclusivamente os jovens nazistas mais fanáticos eram escolhidos, em geral os alunos mais graduados das Escolas Adolf Hitler e dos Institutos Políticos. Havia quatro castelos e os estudantes passavam sucessivamente por eles. O primeiro dos seis anos era empregado numa especialização das "ciências raciais" e de outros aspectos do nazismo. Acentuava-se o treinamento da mente e da disciplina, sendo a preparação física secundária. O segundo ano do Castelo era o inverso, vindo primeiramente o atletismo e os esportes, incluindo subida de montanhas e salto de pára-quedas. O terceiro Castelo, onde os estudantes passavam aproximadamente um ano e meio, proporcionava a instrução política e militar. Finalmente ficavam em torno de um ano e meio no quarto Castelo, de Marienburg, na Prússia Oriental, o Castelo da Ordem que fora uma fortaleza dos antigos Cavaleiros Teutônicos no século XV perto da fronteira polonesa, lá recebiam preparação política e militar concentrada no Lebensraum, a necessidade da Alemanha expandir-se por terras eslavas, uma excelente preparação para os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial.

A censura nos meios de comunicaçãoeditar | editar código-fonte

Joseph Goebbels em 1942.

Os meios de comunicação (imprensa, rádio e cinema) eram controlados e censurados pelo Ministério da Propaganda chefiada pelo dr. Joseph Goebbels. Em 4 de outubro de 1933 foi decretada a "Lei de Imprensa do Reich", em que todos os jornalistas deviam ser de nacionalidade alemã, ter ascendência ariana e não possuir qualquer tipo de laços com judeus. O artigo 4 da Lei de Imprensa dizia aos jornalistas "não permitirem nos jornais tudo (…) que fosse desorientador ao público, tendesse à enfraquecer o poderio do Reich (…) ou ofendesse a honra (…) da Alemanha".

Todas as manhãs, os editores dos jornais diários de Berlim e os correspondentes de imprensa da Alemanha se reuniam no Ministério da Propaganda onde o dr. Goebbels ou seus auxiliares, dizia quais notícias deviam ser publicadas ou suprimidas. Para os jornais das cidades pequenas e os periódicos, as instruções eram enviadas por telegrama ou correio. Jornais da Alemanha famosos mundialmente foram forçados a fechar por pertencerem a firmas ou pessoas judaicas, tais como o Vossische Zeitung, comparável ao New York Times e ao The Times de Londres. De 1933 a 1937 o número de jornais diminuiu de 3.607 para 2.671.

Outros jornais continuaram a ser publicados após serem separados de seus vínculos judeus, tais como o Berliner Tageblatt (embora fechado em 1937) e o Frankfurter Zeitung. Os jornais nazistas tornaram-se famosos tais como o jornal matutino Völkischer Beobachter e o vespertino Der Angriff. Todo livro tinha de ser submetido ao Ministério da Propaganda para aprovação antes que fosse publicado e diversos escritores emigraram da Alemanha, como Thomas Mann, por terem suas obras proibidas. Devido à alta censura dos jornais sua compra entrou em declínio. A Eher Verlag, a editora do partido nazista, tornou-se uma das editoras mais lucrativas do mundo na época, uma vez que os jornais nazistas possuíam dois terços da circulação diária de 25 milhões durante a Segunda Guerra Mundial.

O rádio era o principal meio de propaganda da época e foi usado como instrumento de propagando nazista pelo dr. Goebbels por meio do "Departamento de Rádio do Ministério da Propaganda" e a "Câmara do Rádio", na Alemanha a radiodifusão era monopólio do Estado (como em diversos outros países), chamada de "Cadeia de Radiodifusão do Reich".

O cinema, ao contrário do rádio, era um sistema privado, mas era controlado pelo Ministério da Propaganda e pela "Câmara do Cinema", cujo objetivo era "afastar a indústria (…) do pensamento (…) liberal (…) e assim, capacitá-la a receber as tarefas (…) do Estado nacional-socialista". Filmes estrangeiros selecionados continuavam sendo exibidos, assim como filmes nazistas. Leni Riefenstahl foi uma cineasta de destaque na Alemanha nazista.

A Perseguição às Igrejas Cristãseditar | editar código-fonte

Inicialmente Hitler havia se demonstrado amistoso quanto às Igrejas Cristãs, e o clero, no início do regime nazista, desejava colaborar com o novo governo. Em Mein Kampf Hitler ataca as igrejas por não seguirem doutrinas racistas, mas defende a colaboração do nazismo com elas afirmando que "um partido político nunca deve (…) perder de vista (…) que um partido puramente político jamais obteve resultado na consecução de uma reforma religiosa", não obstante, o ponto 24 do programa do partido nazista advertia "liberdade para todas as religiões, contanto que não constituíssem perigo (…) para (…) a raça alemã, o partido está a favor do cristianismo positivo".

Muitos argumentam que na realidade o regime nazista pretendia parcialmente substituir o cristianismo pelo paganismo germânico. Foi através do nazismo que se deu a mais importante manifestação do paganismo,33 logo após a vitória eleitoral e a subida ao poder de Adolf Hitler,34 no dia 30 de Julho de 1933 mais de cem mil nazistas tinham-se reunido em Eisenach para declarar querer tornar "a origem germânica a realidade divina", restaurando Odin, Baldur, Freya, e outros deuses nos altares da Alemanha - Wotan deveria estar no lugar de Deus, Sigurd no lugar de Cristo.35

A Perseguição à Igreja Católicaeditar | editar código-fonte

Hitler havia prometido no início de 1933 uma "aproximação" com a Santa Sé, assinando um acordo com a mesma, que supostamente garantiria os direitos religiosos católicos na Alemanha (a Reichskonkordat) — visando os votos no Reichstag do Partido do Centro Católico –, porém, as sucessivas ondas de violência contra os judeus, em especial as leis de esterilização obrigatória de 25 de Julho, ofenderiam principalmente a Igreja Católica, que mantinha uma posição tradicional insistindo na doutrina de que "perante Deus todos são iguais independente de raça",36 visão considerada ultrapassada na época,36 tendo em vista os supostos avanços "científicos e biológicos" do racialismo.

Em 30 de julho a Liga da Juventude Católica — pertencente ao Partido do Centro — começaria a ser dissolvida. Em 14 de março de 1937, o Papa Pio XI divulgou a encíclica Mit Brennender Sorge (Com Profunda Tristeza), desprezando as políticas da Alemanha nazista e afirmando que se elas continuassem a Alemanha se destruiria, tendo sido a primeira instituição religiosa a se posicionar contra o nazismo,37 a enciclíca foi enviada à Alemanha e impressa em segredo para não ser apreendida pela Gestapo, distribuída a todos os bispos, padres e capelães e lida, simultaneamente, em todas as Igrejas da Alemanha no dia 21 de março de 1937. A reação de Hitler através da Gestapo foi violenta e recrudesceu fortemente a perseguição de católicos.38 A partir de então milhares de padres e leigos católicos seriam presos, diversas publicações católicas foram suprimidas e a confissão violada pelos agentes da Gestapo.

A Igreja Católica também mantinha rotas de fuga usadas por opositores do nazismo, como judeus e ciganos38 Estima-se que o Vaticano tenha salvado de 700.000 a 850.000 judeus da morte no regime nazista. "38 O sucessor de Pio XI, o Papa Pio XII, era também considerado hostil ao nazismo. Já no dia 3 de março de 1933, o Berliner Morgenpost declarou que "Pacelli [nome do Papa Pio XII] não é aceite favoravelmente na Alemanha, já que ele sempre foi hostil ao nacional-socialismo". Como por exemplo, em 1938, quando o Cardeal Theodor Innitzer recebeu Hitler em Viena, o Papa Pio XI e o Cardeal Pacelli ficaram em suas próprias palavras "indignados" com este ato e Pacelli divulgou inclusivamente um aviso no L’Osservatore Romano declarando que a recepção a Hitler não tinha endosso da Santa Sé.39

A Perseguição às Igrejas Protestanteseditar | editar código-fonte

Propaganda dos "cristãos alemães" em 23 de julho de 1933 na criação da "Igreja do Reich".

Os protestantes na Alemanha estavam divididos entre 150.000 pertencentes a igrejas livres, como os batistas e os metodistas e 48 milhões pertencentes a 28 igrejas luteranas e reformistas. Em 1932 os nazistas organizaram o Deutsche Glaubensbewegung, DGB (Movimento da Fé Germânica), um grupo minoritário baseado no cristianismo positivo conduzidos pelo profeta Jakob Wilhelm Hauer (1881-1962) 40 e suscetível ao neo-paganismo sob a liderança de Ludwig Müller, que nada apresentava de caráter cristão nos seus ensinos.

No Congresso de Nuremberg, em 1937, revivia entre os nazistas o paganismo ancestral do povo ariano, surgindo um místico laicismo como um dos tópicos centrais em discussão: para que a Alemanha voltasse à sua antiga fé, não bastava a separação da Igreja e do Estado; as Igrejas cristãs teriam que ser destruídas, e o Estado transformado numa nova Igreja; impunha-se uma nova religião Nacional 41

A fachada ou pretexto de haver uma cristã caíram com seus rituais nórdicos e mesmo antes disto o Papa Pio XI editava encíclica contra o regime. Também se formou a oposição da Igreja Confessional, que rejeitava o nazismo por intermédio de manifesto de confissão da verdadeira fé e contra o embuste nazista visto que a igreja que se tentava denominar cristã por crédulos de mitologia nórdica, uma crença tipicamente pagã e não cristã. Tanto que em julho de 1933 foi criada a Igreja Nacional do Reich, forçando a fusão das 28 igrejas protestantes luteranas e reformistas, seu bispo tornou-se Ludwig Müller.

A grande prova do caráter não cristão deste embuste de fé, travestido de cristão para dar uma a falsa sensação que a fé cristã apoiava o regime, é que durante a Segunda Guerra Mundial a Igreja do Reich proibiria a vinculação da Bíblia, substituindo-a pelo Mein Kampf e decretando que os crucifixos deviam ser substituídos pelas suásticas.42 Em 1934 o Pastor luterano Martin Niemöller, logo ao perceber que a promoção da fé germânica era uma maquiagem para promover tirania, logo em 1934,43 promoveu manifestos através do que se tornou a Igreja Confessante, que lutaria ardentemente contra a Igreja do Reich. Niemöller seria mandado para um campo de concentração posteriormente e centenas de leigos e pastores da Igreja Confessional seriam presos. Em 1935, Hitler indicara Hans Kerrl para o cargo de Ministro de Negócios da Igreja, para nazificar os protestantes, e a fé não era mais pregada, mais imposta por um "Comitê Eclesiástico".

Em 1934 a Declaração Teológica de Barmen, reafirmava que a Igreja Protestante Alemã não era um órgão do Estado, com o propósito de reforçar o Nazismo, mas um grupo sujeito apenas a Jesus Cristo e seu Evangelho.

Programa atômicoeditar | editar código-fonte

Werner Karl Heisenberg, chefe do programa nuclear da Alemanha em 1927

A Alemanha nazista foi o primeiro país a possuir um programa para criar a Bomba atômica, chefiado por Werner Karl Heisenberg, uma vez que muitos cientistas que forneceram o conhecimento para a sua criação eram alemães, não obstante, dentre estes cientistas, muitos como Albert Einstein eram judeus, tendo fugido da Alemanha. O medo de a tecnologia nuclear ser usada pelos nazistas era tão grande, que na França o projeto de pesquisa nuclear foi paralisado assim que a Segunda Guerra Mundial começou. O projeto para a construção da bomba nos Estados Unidos (Projeto Manhattan) foi desenvolvido com a maior rapidez possível, temendo que os nazistas conseguissem a bomba primeiro. Porém estima-se que os alemães tenham produzido menos de 5% do necessário para a construção da bomba, e o fato de que a bomba não poderia ser construída antes de 1945 desinteressou Hitler, que desejava armas construídas o mais rapidamente possível,44 investindo pouco no programa. Alguns acreditam que se os nazistas tivessem conseguido a bomba atômica não a utilizariam somente como arma de guerra, mas também para promover "Holocaustos nucleares".

Acontecimentos internos relevanteseditar | editar código-fonte

Em 10 de maio de 1933, em Berlim, nazistas queimaram obras de autores judeus, a biblioteca do Institut für Sexualwissenschaft, e outras obras consideradas "não-alemães".
  • Queima dos Livros: Na noite de 10 de maio de 1933, em torno da meia-noite, milhares de estudantes com archotes na praça Unter den Linden, fronteira à Universidade de Berlim, colocaram fogo em pilhas de livros de autores judeus e outros "untermensch", onde foram destruídos em torno de 20.000 livros. Entre os autores mais destacados estavam Thomas Mann, Heinrich Mann, Walter Benjamin, Bertold Brecht, Lion Feuchtwanger, Robert Musil, Carl von Ossietzky, Nelly Sachs, Kurt Tucholsky, Sigmund Freud, Albert Einstein e Karl Marx. Lá encontra-se o dr. Goebbels, ministro da propaganda, falando "O espírito do povo alemão pode exprimir-se novamente, estas chamas não apenas iluminam o final de uma velha era, mas lançam suas luzes sobre uma nova". Cenas semelhantes ocorreram em várias outras cidades. Um estudante disse que livros deveriam ser queimados "desde que atue subversivamente contra nosso futuro ou fira as raízes do pensamento alemão, da pátria alemã e das forças dirigentes do povo". Também foi proibida a circulação e publicação de centenas de livros.
Ernst Röhm
  • Noite das Facas Longas ou Noite dos Longos Punhais: um expurgo que aconteceu na noite do dia 30 de junho para 1 de julho de 1934, quando a direção do Partido Nazista decidiu executar dezenas de seus membros políticos, sendo a maioria da SA. Adolf Hitler revoltou-se contra o líder das SA, Ernst Röhm, pois este ansiava em transformar seus liderados (que já contavam com três milhões de integrantes) no embrião do futuro exército da Alemanha e via o uso da violência nas ruas como melhor modo de disciplina, algo totalmente contra o regime que Hitler queria impor na sociedade alemã. Além disso, os interesses de Röhm chocavam-se com os da Reichswehr, o exército alemão do período entreguerras, cujos oficiais - em especial o presidente Paul von Hindenburg, presidente - não toleravam a figura de Röhm, em razão de sua homossexualidade, fraqueza a vícios e o medo de que Röhm viesse a tentar derrubar o regime nazista, podendo assim criar uma revolta no povo alemão e conseqüentemente a queda de Hitler.45 Com isso, Hitler decidiu não entrar em choque com o poder político dos militares e, ao invés disso, fazer um expurgo contra as autoridades máximas da SA e seus inimigos políticos.
  • Noite dos Cristais, Noite dos Cristais Quebrados ou Noite dos Vidros Partidos: foi uma série de atos de violência como agressão, destruição de sinagogas, de lojas e de casas que ocorreu na noite de 9 de novembro de 1938 em diversos locais da Alemanha e da Áustria contra judeus. A Noite dos Cristais foi uma resposta à agressão de Ernst von Rath, um diplomata alemão em Paris, por Herschel Grynszpan, um judeu polaco. Numa única noite, 91 judeus foram mortos e cerca de 25.000 a 30.000 foram presos e levados para campos de concentração. 7500 lojas judaicas e 1600 sinagogas foram reduzidas a escombros.
Estádio Olímpico de Berlim.
  • Jogos Olímpicos de Verão de 1936: realizados em Berlim entre 1 e 16 de agosto, com a participação de 3963 atletas, sendo 328 mulheres, representando 49 países, em 22 modalidades esportivas. Estes jogos foram os mais grandiosos, bem realizados, ricos e politicamente explorados até então. Tendo sido uma oportunidade da Alemanha nazista apresentar o seu estilo de governo e ideologia ao mundo. Aberto o moderno Estádio Olímpico de Berlim por Hitler, esperava-se que todos os arianos ganhassem mas o afro-americano Jesse Owens conquistou quatro medalhas de ouro nos jogos. Nessa época as placas que proibiam que judeus entrassem em locais públicos foram retirados a fim de dar uma melhor perspectiva da Alemanha.
  • Movimento Anti-Tabagismo: Na Alemanha Nazista ocorreu um movimento anti-tabagista muito forte46 com a primeira campanha pública anti-tabagista da história contemporânea.47 Foi a campanha anti-tabagismo mais poderosa do mundo na década de 1930 e início da década de 1940. A liderança nazista condenava o fumo e vários de seus líderes criticavam abertamente o consumo de tabaco. A pesquisa sobre o fumo e seus efeitos na saúde também prosperaram durante o regime nazista 48 sendo a mais importante de seu tempo, neste assunto.49 Além disso a desaprovação pessoal de Adolf Hitler pelo fumo 50 e a políticas nazistas para aumento da população eram alguns dos motivantes das campanhas contra o fumo, sendo esta campanha também associada ao antisemitismo e racismo.51

Ver tambémeditar | editar código-fonte

Referências

  1. How Hitler's 50th birthday party sparked World War II. Página visitada em 29 de Dezembro de 2010.
  2. Keegan, John. The Second World War. Glenfield, Auckland 10, New Zealand: Hutchinson, 1989.
  3. Mary Fulbrook. The Divided Nation: A History of Germany, 1918-1990. Oxford UP, 1992, 45
  4. Conspiração e Agressão dos Nazistas, III, página 962 (Documentos de Nuremberg 1388-PS)
  5. a b c d e f Ascensão e queda do Terceiro Reich Triunfo e Consolidação 1933-1939. Volume I. William L. Shirer. Tradução de Pedro Pomar. Agir Editora Ldta., 2008. ISBN 978-85-220-0913-8
  6. Richard Evans, The Coming of the Third Reich (New York: Penguin Books, 2003), 441
  7. História Geral Antonio Pedro, Florival Cáceres. Editora Moderna. Série Sinopse.
  8. O Ataque Nazista. Coleção História das Guerras. Documentário de 1945.
  9. Momentos que Marcaram a História. Apresentado pela TV Escola. 2009.
  10. a b História Global Brasil e Geral. Volume único. Gilberto Cotrim. ISBN 978-85-02-05256-7
  11. Mein Kampf. página 187.
  12. a b Sistema didático de ensino. Ensino fundamental e médio. Geografia, História, Biologia, Física, Química, Inglês, Espanhol. Ensino em 3D. Editora Silvanelli (0800-908057).
  13. Secret Plot to Kill Hitler (em português: Plano Secreto para Matar Hitler), documentário da Discovery Channel, 2004-2005
  14. Colour of War (As Cores da Guerra). Documentário com vídeos em cores da Segunda Guerra Mundial e relatos de soldados e civis. Apresentado na TV Escola. 2009.
  15. Keegan, John (1989), The Second World War, Glenfield, Auckland 10, New Zealand: Hutchinson.
  16. Atlas Segunda Guerra Mundial David Jordan e Andrew Wiest. Composto de 3 Volumes. ISBN 978-85-7556-944-3
  17. a b c Nuremberg Nazistas no banco dos Réus (no original em inglês Nuremberg - Nazis on Trial). Documentário da BBC. 1996.
  18. Geografria Geografia Geral e do Brasil (página 282). Volume Único. Lúcia Marina e Tércio. Editora Ática. ISBN 978-85 08 10914-2.
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  20. The Third Reich, org. por Baumont e outros, página 630.
  21. Ebenstein, op. Cit., p. 84.
  22. Henry Maitles [1] further referenced to G Almond, "The German Resistance Movement", Current History 10 (1946), pp409-527.
  23. Peter Hoffmann "The History of the German Resistance, 1933-1945"p.xii
  24. Peter Löffler (Hrsg.): Bischof Clemens August Graf von Galen — Akten, Briefe und Predigten 1933–1946. Ferdinand Schöningh, Paderborn/München/Wien/Zürich, 2. Aufl. 1996, S. 874 ff. ISBN 3-506-79840-5
  25. Winfried Süß: Bischof von Galen und die nationalsozialistische „Euthanasie". In: zur debatte 2005, S. 18 f. Onlineausgabe
  26. Piotrowski, Christa (2000-07-21). Dark Chapter of American History: U.S. Court Battle Over Forced Sterilization. CommonDreams.org News Center. Página visitada em 2008-03-23.
  27. Leis de 31 de março e 7 de abril de 1933 e de 30 de janeiro de 1934, constam nos documentos de Nuremberg Conspiração e Agressão dos Nazistas, IV, página 640-3.
  28. Basic Facts for a History of German War and Armament Economy. Citado em Conspiração e Agressão dos Nazistas, I, página 350 (Documentos de Nuremberg 2353-PS)
  29. Citado por Neumann,em Behemoth, página 432
  30. Vasco Oliveira e Cunha (janeiro 2002). No Tempo em que não Havia Erasmus. Millenium, n.º 25. Página visitada em 17-01-2009. "Na sua teoria do Sangue e do Solo (Blut und Boden), identifica-se o sangue nórdico e o solo alemão."
  31. Conforme é observado nas citações de Philipp Lenard, Deustche Physik, prefácio, Wallace Deuel, People Under Hitler, William Ebenstein, The Nazi State.
  32. Reichsgesetzblatt, 1936, Parte I, pág 933. Citado em NCA, III, pág 972-3 (n.p. 1392-PS)
  33. N. Micklem, O Nacional socialismo e a Cristandade, Lisboa, 1940, p. 28-29
  34. Alfred E. Smith et al., Nazism: An Assault on Civilization, edição Paassen, Pierre Van and James Waterman Wise, Nova Iorque, Harrison Smith and Robert Haas, 1934, pp. 141, 150, 207, 210.
  35. Alfred E. Smith et al., Nazism: An Assault on Civilization, edição Paassen, Pierre Van and James Waterman Wise, Nova Iorque, Harrison Smith and Robert Haas, 1934, p. 141
  36. a b Racism: A History (em português: Racismo: Uma História). Documentário da BBC apresentado pela TV Escola. 2009.
  37. Bertone, Tarcísio, Cardeal Discurso na Pontifícia Universidade Gregoriana.. Página visitada em 19.11.2008..
  38. a b c Sales, Eugênio, jornal O Globo, 8 de novembro de 2008, pg.7.
  39. Hitler’s Pope. John Cornwell. Imago Editora. 2000. Pág.: 222, 239, 252 e 355 respectivamente.
  40. Poewe, Karla Poewe; Irving Hexham, “Jakob Wilhelm Hauer's New Religion and National Socialism”, Journal of Contemporary Religion, Vol. 20, Nº 2, maio 2005, pp. 195-215. - http://www.ingentaconnect.com/content/routledg/cjcr/2005/00000020/00000002/art00004
  41. Edmond Vermeil, Germany in the Twentieth Century: A Political and Cultural History of the Weimar Republic and the Third Reich, Nova Iorque, 1956, pp. 194-195.
  42. Conforme o texto de Herman, op. Cit., página 297-300; também no New York Times de 3 de janeiro de 1942
  43. Leo Stein, I Was in Hell with Niemöller, pág 80
  44. A Química do Poder. Apresentado pela TV Escola. 2009
  45. "Ernst Röhm". GermanNotes. Página visitada em 2008-07-14.
  46. Young 2005, p. 252
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  48. Proctor, Robert N.. Nazi Medicine and Public Health Policy. [S.l.]: Dimensions, Anti-Defamation League, 1996.
  49. Clark, Briggs & Cooke 2005, pp. 1373–74
  50. Proctor 1999, p. 219
  51. George Davey Smith. (dezembro 2004). "Lifestyle, health, and health promotion in Nazi Germany". British Medical Journal 329 (7480): 1424–5. DOI:10.1136/bmj.329.7480.1424. PMID 15604167.

Bibliografiaeditar | editar código-fonte

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