Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (III)

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Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, "o senador", (Santos, 3 de março de 1835Barbacena, 26 de dezembro de 1893) foi um político brasileiro, juiz, deputado geral no Império e senador constituinte estadual por Minas Gerais na República. Pertence à segunda geração dos Andradas e é o terceiro político deste nome.

Biografiaeditar | editar código-fonte

Da segunda geração dos Andradas e terceiro deste nome. Era filho do conselheiro Martim Francisco Ribeiro de Andrada e de Gabriela Frederica Ribeiro de Andrada, irmão de José Bonifácio, o Moço e do Conselheiro Martim Francisco, o Moço. Pelo lado materno era neto e pelo lado paterno era sobrinho-neto de José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência.

Formou-se em ciências jurídicas e sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1862. Em 1864 transferiu-se para Barbacena, Minas Gerais.

O velho senador Antônio Carlos em foto de 1895 com sua família. Ao fundo de pé, o segundo da esquerda para a direita, o seu filho homônimo Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, futuro presidente do estado de Minas.

Contraiu matrimônio em Barbacena com Adelaide de Lima Duarte, irmã do Visconde de Lima Duarte, José Rodrigues de Lima Duarte, senador no Império, e filha do Comendador Feliciano Coelho Duarte, proprietário da Fazenda da Borda do Campo, e de Constância Emídia de Lima Duarte, e ainda, pelo lado materno, sobrinha do Comendador Francisco de Paula Lima e bisneta do inconfidente mineiro Coronel José Aires Gomes. Deste consórcio teve treze filhos, dele resultou o ramo mineiro da família Andrada. Foram pais de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, presidente do Estado de Minas e avô de José Bonifácio Lafayette de Andrada, presidente da Câmara dos Deputados.

Foi jornalista e advogado, juiz municipal e de órfãos, vereador e presidente da Câmara Municipal de Barbacena. Foi deputado geral no Império (1885 e 1886). Em 1886 declarou-se republicano, fato que provocou repercussão em razão da projeção dos irmãos José Bonifácio, o Moço e Martim Francisco, o Moço.

Em fevereiro de 1886, juntamente com Ernesto Antunes de Campos, Carlos Pereira de Sá Fortes e José Augusto Durães Castanheira, dirigiu a Associação Jornalística de Barbacena, fundadora do Correio de Barbacena, editado sob responsabilidade de Frederico Salgado.

Com a República candidatou-se em 15 de setembro de 1890, sem sucesso, à Constituinte Federal recebendo 12.785 votos. Em janeiro de 1891 foi eleito senador constituinte estadual e participou, com voto favorável, da sessão do Congresso mineiro que decidiu pela mudança da capital de Minas Gerais de Ouro Preto para Belo Horizonte.

A mudança da capitaleditar | editar código-fonte

Na sessão do Congresso Estadual de 5 de junho de 1891, em que se discutiu o art. 121 do projeto de Constituição do Estado, subscreveu o substitutivo, juntamente com Henrique Diniz e Silva Fortes e outros, determinando que a mudança da capital do Estado se fizesse para ponto acolhido por comissão de cinco membros no vale do Rio das Velhas, no vale do Rio Grande, na Várzea do Marçal e no planalto da Mantiqueira. Apresentou, ainda, emenda mandando substituir, no referido art. 121, a expressão para um ponto central no Vale do Rio das Velhas por para a Cidade de Barbacena.

Em 13 de dezembro de 1893, reuniu-se o Congresso Mineiro em Barbacena para deliberar sobre a mudança da capital do Estado. O senador estadual Antônio Carlos estava com Bias Fortes, Henrique Diniz e Silva Fortes, entre os que apoiaram a mudança para Belo Horizonte, emenda vitoriosa por dois votos apenas.

Cquote1.svg Com aprovação, por dois votos, dessa emenda, escreveu Abílio Barreto, estava escolhida Belo Horizonte para a nova Capital de Minas. Desses dois votos vitoriosos um foi o do Sr. Antônio Carlos, que, segundo a tradição, estava enfermo, impossibilitado de andar, e se transportou ao Congresso carregado em uma cadeira Cquote2.svg

1 De fato 13 dias depois viria a falecer na sua Fazenda da Borda do Campo.

Xavier da Veiga registrou este falecimento nas suas "Efemérides Mineiras" com estes comentários:

Cquote1.svg O Dr. Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, chefe de família modelo, que soube educar primorosamente, tornado-a digna das tradições gloriosas vinculadas ao nome dos Andradas, distinguia-se igualmente como cidadão patriota e por um espírito de inflexível probidade e pela paixão nobre do direito e da justiça, que mais se acentuava quando ele via o pobre, o fraco, o desvalido, vítimas de potentados audazes. Então, enfrentando os perseguidores, punha todo o seu valimento ao dispor dos infelizes, não raro livrando-os de inqüidades revoltantes. Era uma alma generosa e grande, leal, expansiva e, na intimidade dos amigos, iluminada pelos mais cativantes afetos. Por tudo isso, seu passamento causou sincero e intenso pesar, não só em Barbacena, onde era geral na população a estima e o respeito que o circundava, como em todos os lugares em que tinha conhecidos, o que vale dizer-se amigos e apreciadores dos belos dotes morais que o distinguiram Cquote2.svg

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Descendência familiareditar | editar código-fonte

Foram seus filhos:

  • Martim Francisco Duarte de Andrada, falecido em 1911, casado com Maria José Fonseca de Andrada, filha do Comendador Francisco Ferreira de Assis Fonseca;
  • Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (IV), presidente do estado de Minas Gerais, casado com Julieta Guimarães de Andrada, filha dos Barões de Rio Preto e neta do Marquês de Olinda, falecida em 1938;
  • Embaixador José Bonifácio de Andrada e Silva, deputado federal e diplomata, c/c Corina Lafayette de Andrada, fiha do Conselheiro Lafayette Rodrigues Pereira e de Francisca Coutinho Rodrigues Pereira;
  • João Evangelista Ribeiro de Andrada c/c Laura da Costa Andrada, filha do Comendador José da Costa Rodrigues e de Cândida de Lacerda Rodrigues;
  • Narcisa Andrada de Miranda Ribeiro, falecida em 1932, c/c Desembargador José Cesário de Miranda Ribeiro, neto do seu homônimo Visconde de Uberaba;
  • Maria Antônia de Andrada Serpa c/c Coronel José Maria Serpa, filho do Tenente-Cel. Alípio Napoleão Serpa e Maria da Penha Serpa;
  • Maria José de Andrada Lacerda Rodrigues c/c Amadeu Lacerda Rodrigues, filho do Comendador José da Costa Rodrigues e Cândida de Lacerda Rodrigues.
  • José Rodrigues Duarte de Andrada, falecido em 1904;
  • Gabriela Frederica Ribeiro de Andrada, religiosa;
  • Maria Flora Ribeiro de Andrada;
  • Constança Ribeiro de Andrada; religiosa;
  • Maria Antonieta de Andrada, religiosa e
  • Carlota de Andrada, religiosa.

Referências

  1. MASSENA, Nestor. Barbacena - A Terra e o Homem (Primeira Parte). Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1985, pg. 123.
  2. Idem, pg. 124.

Ver tambémeditar | editar código-fonte

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