Arquitetura de Portugal

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Arquitectura de Portugal)
Ir para: navegação, pesquisa
Freguesia de Piódão, concelho de Arganil.

A arquitetura (AO 1945: arquitectura) em Portugal foi, como na maioria das nações europeias, drasticamente influenciada pelos movimentos culturais e estéticos que caracterizaram as várias épocas da História da Arte, o que resultou num rico legado patrimonial. Refere-se as praticas da arquitectura realizada no território português desde antes da fundação do país no século XII. O termo também pode se referir a edifícios criados sob influência portuguesa ou por arquitectos do país em outras partes do mundo, particularmente no Império Português.

Arquitetura portuguesa, como todos os aspectos da cultura de Portugal, é marcada pela história do país e os vários povos que se instalaram e influenciou o atual território português. Estes incluem os romanos, Suevos entre outros povos germânicos relacionados, visigodos e árabes,1 bem como a influência dos principais centros artísticos europeus a partir do qual foram introduzidos para os estilos arquitetônicos gerais: românico, gótico, renascentista, barroco e neoclássico. Entre as principais manifestações locais da arquitectura portuguesa estão o manuelina, a versão portuguesa exuberante do gótico; e do estilo pombalino, uma mistura do barroco tardio e neoclassicismo que se desenvolveu depois do Grande Terremoto de Lisboa de 1755.

No século XX, a arquitectura portuguesa produziu uma série de personalidades de renome como Fernando Távora, Eduardo Souto de Moura e, principalmente, Álvaro Siza.

Arquitetura primitivaeditar | editar código-fonte

Megalíticoeditar | editar código-fonte

Os primeiros exemplos de atividades arquitectónicas em Portugal datam do Neolítico e consistem em estruturas associadas com a cultura megalítica, cujos exemplares mais antigos datam do quaro milénio antes de Cristo (das primeiras culturas do sudoeste da Península Ibérica, 3 750 a.C. a 2 500 a.C.).2 A hinterlândia portuguesa é pontilhada com um grande número de dólmens (chamadas antas ou dólmenes), tumuli (mamoas) e menires. A região do Alentejo é particularmente rica em monumentos megalíticos, como a notável Anta Grande do Zambujeiro, perto de Évora. Podem ser encontradas matrizes perafitas circulares isoladas ou formando círculos de pedra (ou Cromeleques). O Cromeleque dos Almendres, também localizado perto de Évora, é o maior da Península Ibérica, com cerca de 100 menires dispostos em duas matrizes elípticas sobre uma orientação Leste-Oeste.3

Povoados pré-romanoseditar | editar código-fonte

Povoados fortificados pré-históricos que datam do Calcolítico são encontrados ao longo do rio Tejo como o de Vila Nova de São Pedro, perto do Cartaxo, e o Castro do Zambujal, perto de Torres Vedras.

Estes locais foram ocupados em um período volta dos anos 2500-1700 aC e foram cercados por muros de pedra e torres, um sinal da situações de conflito o tempo todo.

Iniciado por volta do século VI a.C., o Noroeste de Portugal, assim como a vizinha Galiza, na Espanha, viu o desenvolvimento da cultura castreja. Esta região foi pontilhada com aldeias Castro (chamadas citânias ou cividades) que em sua maior parte continuaram a existir sob a dominação romana, quando a área foi incorporada à província da Galécia. Sítios arqueológicos notáveis ​​são a Citânia de Sanfins, perto de Paços de Ferreira, Citânia de Briteiros, perto de Guimarães, e da Cividade de Terroso, perto de Póvoa de Varzim. Por razões defensivas, estes fortes foram construídos em terreno elevado e foram cercados por anéis de paredes de pedra (Terroso tinha três anéis de parede). Casas eram de formato redondo, com paredes feitas de pedra sem argamassa, enquanto os telhados eram feitos de brotos de grama. Banhos foram construídos em alguns deles, como em Briteiros e Sanfins.

Históriaeditar | editar código-fonte

Castelo de Almourol, construído em 1171.

A história da arquitectura portuguesa começa ainda na Idade do Bronze quando as primeiras aldeias começam a surgir de forma minimamente organizada, com casas, assembleias, balneários e muralhas em seu redor. Nessa época apareceram os Lusitanos.

Foi depois, no século III, com a ocupação romana, que as primeiras cidades começaram a crescer de forma organizada com inúmeros edifícios públicos e estradas pavimentadas que melhoram as comunicações em certas partes.

Após a queda do Império Romano do Ocidente o panorama artístico ficou quase esquecido. Apenas no século VIII, com a invasão muçulmana a arte voltou a ser praticada de forma mais organizada e uniforme. Mesquitas e palácios apareceram nas principais vilas e cidades do país.

Contudo no século XII começou a Reconquista. Transformaram-se as mesquitas em igrejas, como se fez com a Mesquita de Mértola, e de forma progressiva passou-se para o românico. As grandes igrejas pesadas começaram a povoar o território até que o gótico, e depois o Manuelino as tranformaram em edifícios mais esbeltos e decorados.

No século XVI, chega de Itália o Renascimento, que começa a racionalizar todas as formas, e os edifícios ficam mais pragmáticos em detrimento da sua decoração. De forma natural passa-se para o maneirismo que segue os passos da arquitectura renascentista. A Igreja de São Vicente de Fora é um dos melhores exemplos desse tempo. Nesta época, e desde o românico, a principal produção da arquitectura eram as igrejas, e assim seria até ao rococó.

No barroco, século XVIII as igrejas e conventos tornam-se mais luxuosos e ornamentados, exemplo disso é o Convento de Mafra.

Igreja de São Vicente de Fora.

No início do século XIX vêm influências de vários países europeus que culminam no neoclassicismo. Poucas décadas depois aparece, como reacção, o romantismo. A Estação do Rossio ou o Palácio da Pena são obras românticas. No final desse mesmo século, os engenheiros tomam contam dos projectos com a arquitectura do ferro. O Elevador de Santa Justa é exemplo disso.

A arte nova não tem grande presença em Portugal, mas a art déco é bastante difundida, durante a década de 1920 e 1930 do séc XX, com a chegada de arquitectos portugueses treinados nas Beaux Arts Francesas, com destaque para Cassiano Branco e José Marques da Silva no Porto, que projecta obras icónicas como a Estação de São Bento e a Casa de Serralves. A art déco terá novamente um curto ressurgimento durante a década de 1950 e 1960.

Mais tarde, durante o Estado Novo, produzir-se-à um estilo arquitectónico aplicado em edifícios públicos e privados portugueses que procura desenvolver uma arquitectura "genuinamente portuguesa", sobre a alçada de Raul Lino da Silva, o Português Suave, que é duramente criticado por vários arquitectos Portugueses.

É durante o fim da década de 1940 que aparece em Portugal uma crescente corrente modernista, com especial foco na cidade do Porto, com a criação da ODAM, que absorve as teorias e conceitos de Le Corbusier e Mies van der Rohe e aplica-as e ensina-as no país.


É com esta importante corrente modernista como pano de fundo que, com a abertura de Portugal ao foco internacional após a queda da ditadura, arquitectos como Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto de Moura ganham relevo internacional com uma arquitectura que se desenvolve a partir dos estudos e discussões formadas durante os anos 50 e 60 em Portugal, sobre a fusão dos preceitos modernistas com a arquitectura local, conceito defendido por Fernando Távora e Viana de Lima, dois dos principais nomes da corrente modernista em Portugal, entre muitos outros.

Arquitetura modernaeditar | editar código-fonte

Oceanário de Lisboa, o maior da Europa.

Tradições portuguesas, de longa data, viram um isolamento geográfico, período estendido sob um governo autoritário, junto com um grupo de arquitcetos talentosos que mantiveram arquitectura portuguesa limpa de imitações caprichosas. Portugal tem uma arquitectura que evoluiu com cuidado dentro da tradição local através de um processo equilibrado de absorver influências universais, até emergir lentamente para o centro das atenções do mundo da arquitetura.

Uma das principais escolas de arquitectura do mundo, conhecido como "Escola do Porto", situa-se em Portugal. Seus alunos incluem Fernando Távora, Álvaro Siza (vencedor do prémio Pritzker de 1992) e Eduardo Souto de Moura (vencedor do prémio Pritzker 2011). Seu herdeiro moderno é a Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto.

Embora a arquitectura portuguesa esteja geralmente associada com o internacionalmente reconhecido Alvaro Siza, há outros igualmente responsáveis ​​pelas tendências positivas na arquitetura atual. "Muitos arquitectos portugueses são filhos de Siza, mas Távora é um avô para todos nós." A influência dos próprios professores de Sizas, Fernando Távora, ecoa através das gerações.4

Ver tambémeditar | editar código-fonte

Arquitectura civileditar | editar código-fonte

Arquitectura religiosaeditar | editar código-fonte

Arquitectura militareditar | editar código-fonte

Bibliografiaeditar | editar código-fonte

  • Kingsley, Karen, Gothic Art, Visigothic Architecture in Spain and Portugal: A Study in Masonry, Documents and Form, 1980; International Census of Doctoral Dissertations in Arte Medieval, 1982—1993
  • KUBLER, George, e SORIA, Martin, "Art and Architecture in Spain and Portugal and their Dominions, 1500-1800", Nova Iorque, 1959.
  • Kubler, George, "Portuguese Plain Architecture: Between Spices and Diamonds, 1521-1706 " ; Wesleyan University Press, Middletown, Connecticut 1972; ISBN 0-8195-4045-5
  • Toman, Rolf - Romanik; Könemann Verlagsgesellschaft mbH, Köln, 1996 (na tradução holandesa : Romaanse Kunst : Architectuur, Beeldhouwkunst, Schilderkunst) ISBN 3-89508-449-2
  • Toman, Rolf - Barock; Könemann Verlagsgesellschaft mbH, Köln, 1997 (na tradução holandesa : Barok : Architectuur, Beeldhouwkunst, Schilderkunst); ISBN 3-89508-919-2
  • Underwood, D.K. - "The Pombaline Style and International Neoclassicism in Lisbon and Rio de Janeiro."; U. of Pennsylvania Editor, 1988

Referências

  1. Barreira, Aníbal; Moreira, Mendes. Rumos da História. Porto: Edições ASA, 2003. 116 a 127 p. ISBN 972-41-2899-7
  2. Fernandes, José Manuel. Arquitectura portuguesa: uma síntese. Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2000 p. 28.
  3. Descobrir Évora - onde os rios se encontram. Itinerários Históricos de Évora
  4. Modern Portugal- Architecture in the Age of Masses (em inglês) Página visitada 26 de outubro de 2013.

Ligações externaseditar | editar código-fonte








Creative Commons License