Batalha da Grã-Bretanha

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Um voluntário civil do Royal Observer Corps1 2 vigiando o céu de Londres.

Batalha da Grã-Bretanha, também conhecida como Batalha da Inglaterra, foi travada entre as forças aéreas da Alemanha nazista (Luftwaffe) e a força aérea britânica (RAF - Royal Air Force). Essa batalha representou o primeiro movimento alemão com o objetivo de concretizar a posterior invasão das ilhas britânicas.

Tendo em vista o objetivo maior que era a invasão terrestre à Grã-Bretanha, Hitler queria o domínio aéreo de toda a extensão do Canal da Mancha, como também do sul da Ilha, pois isso era estrategicamente relevante.carece de fontes?

Antecedenteseditar | editar código-fonte

Segundo Winston Churchill, Adolf Hitler disse ao Grande Almirante Erich Raeder em 31 de julho:

"Se, depois de oito dias de guerra aérea intensiva, a Luftwaffe não houver conseguido uma destruição considerável da RAF, dos portos e das esquadras inimigas, a operação (de invasão) terá que ser adiada até maio de 1942".

Para tanto, Hitler dispôs nessa linha grandes quantidades de recursos militares, dentre eles caças Me-109 e bombardeiros leves. Estes ataques tiveram, nos seus movimentos iniciais, grande êxito. Além de ataques às cidades, os generais de Hitler deram a ele a opção de bombardear importantes centros industriais da Inglaterra, minando assim sua estrutura interna econômica.

A preparaçãoeditar | editar código-fonte

Durante o mês de junho e o início de julho, a Força Aérea alemã revitalizou e reagrupou suas formações. Só começou o primeiro ataque maciço em 10 de julho, sendo que outras datas de suprema importância se destacam 15 de agosto e 15 de setembro.

No tocante à qualidade dos aviões de combate, os alemães eram mais rápidos e tinham maior velocidade de subida, os britânicos eram mais manobráveis e mais bem armados. É importante lembrar que Hitler reconstruiu os caças utilizados, e, juntamente com seus generais, diminuiu os tanques dos aviões para colocar mais armamentos. Assim, os pilotos nazistas tinham que voltar à França para reabastecer, dando tempo à RAF de se restabelecer.

Em agosto, a Luftwaffe havia reunido 2 669 aeronaves operacionais, que abrangiam 1 015 bombardeiros, 346 caças de mergulho, 933 caças e 375 caças com armamento pesado.

Embora hoje, se lembre merecidamente o papel que os caças Supermarine Spitfire desempenharam na batalha devido a estarem encarregados de dar combate aos caças de escolta alemães, frequentemente se esquece o importante papel do outro modelo de caça britânico, o Hawker Hurricane encarregado de abater os bombardeiros. Hitler havia planejado uma invasão terrestre à Grã-Bretanha com uma força de 20 divisões. Uma grande desvantagem dos ingleses é que eles não podiam empregar todos os seus escassos recursos na defesa da sua ilha, pois era preciso manter suas posições no exterior, principalmente no Mediterrâneo.

A resistência britânicaeditar | editar código-fonte

Destruição em Londres.
Área de cobertura do sistema de radar britânico em 1940.

Numa fase mais avançada da batalha, o Reino Unido chegou em situação de extrema necessidade. Não havia mais contingente de pilotos, recrutas com pouco mais de duas horas de vôo eram levados a linha de frente e eram abatidos muito facilmente pelos pilotos alemães, que tinham a maior força aérea do mundo naquela época. A resistência nacionalista de Winston Churchill, que insuflava a população em discursos no rádio, e também o fato da rainha Elizabeth, esposa do Rei Jorge VI (e mãe da rainha Elizabeth II) não aceitar asilo político em local seguro oferecido pelos Estados Unidos, ajudavam a manter o moral da população britânica alto.

- "Morrerei com meu povo", citação de Elizabeth Bowes-Lyon durante os grandes ataques alemães.

Isso deveu ao uso de uma tecnologia até então nova na aérea militar: o radar. Esta tecnologia teve função estratégica determinante pois diminuía a necessidade de aviões caças voando em função de ronda, pois passou a ser possível definir a localização dos aviões de ataque alemães minutos após sua descolagem no continente europeu.

Agostoeditar | editar código-fonte

No dia 25 de agosto de 1940, em resposta ao bombardeio (acidental) de Londres pela aviação alemã, 81 bombardeiros da RAF atacaram a Berlim. O fato assombrou os berlinenses, o alto comando alemão e o próprio Hitler.

Situação da guerra na Europa em 1940.

Vale lembrar que a Europa Ocidental estava quase que completamente nas mãos dos nazistas. Enfurecido, Hitler prometeu vingança, num discurso a 4 de setembro. Simultaneamente, Hermann Goering, comandante da Luftwaffe, recebeu ordens para arrasar Londres. A Alemanha acreditava que a destruição da capital britânica arrasaria o moral do povo e poderia levar o país à capitulação. A chamada blitz começou a 7 de setembro.

Blitz Aéreaeditar | editar código-fonte

St. Katharine Docks em chamas após o primeiro ataque da Blitz em 7 de setembro.

A determinação do comando alemão em revidar o ataque aéreo a Berlim, teve papel decisivo na batalha. Isto porque pela primeira semana de setembro, o comando de caça aéreo britânico encontrava-se a beira do colapso.3 Tendo até então concentrado seus ataques aos aeródromos da RAF e estações de radar, o objetivo da Luftwaffe em obter superioridade aérea para preparar uma invasão (conforme o plano original da Operação Leão Marinho), havia sido atingido.4 No entanto, tal superioridade não podia ser mantida indefinidamente, sem um prosseguimento do plano original. Assim, na prática a determinação do comando alemão em "castigar" os ingleses, tentando coergir-los a um acordo de paz através de uma campanha de terror aéreo, selou o destino da batalha.5

Os alemães mudaram os seus alvos: além de Londres passaram a atacar outras cidades, com resultados semelhantes: muita destruição, mas nada de arrefecer o espírito de resistência britânico, dando tempo para que a RAF pudesse se recompor, a ponto de causar perdas entre os aviões bombardeiros alemães, que tornaram impraticável o prosseguimento da ofensiva aérea nazista. Disto resultou tanto a reviravolta da batalha nos meses de setembro e outubro, quanto para os nazistas, mais do que na sua primeira derrota militar tática, uma derrota política estratégica, quando ao se desgastarem se concentrando em um objetivo abstrato: destruir o moral do povo britânico, se desviaram de um objetivo militar prático: a obtenção da superioridade aérea como preparação de uma invasão. O que gerou dúvidas a respeito da eficácia e objetividade do poderio alemão, mesmo entre líderes simpatizantes a Hitler, como Franco e Pétain.6 7

Churchill, em discurso na Câmara dos Comuns no dia 20 de agosto de 1940, declarou a frase que se tornou célebre:

- "Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos"

Estatísticaeditar | editar código-fonte

Em retrospectiva, a Batalha da Inglaterra é considerada encerrada em 31 de outubro de 1940, quando o comando alemão "adiou indefinidamente" os bombardeios diurnos em larga escala sobre o Reino Unido,8 embora os noturnos tenham prosseguido esporadicamente até as vésperas da Operação Barbarossa.9

Em termos numéricos, a RAF perdeu 1023 aviões (todos caças), enquanto a Luftwaffe 1887 (dos quais, 873 caças).10 Assim, no total a RAF levou vantagem na razão de 1,8, embora nos registros de combates caça-caça a relação se inverta, tendo sido superada pela Luftwaffe na razão de 0,85, descendo ainda a 0,64 quando se tratou de combate entre caças monomotores.11

Na defesa aérea da Inglaterra, entre 10 de Julho e 31 de Outubro, do lado britânico contou-se 544 mortos militares, entre os quais além de 402 aviadores britânicos, 5 belgas, 7 tchecos, 29 poloneses, 3 canadenses e 3 neozelandeses. Os mortos alemães, incluindo os tripulantes de bombardeiros chegaram a 2698. No entanto, os maiores números de mortes foram civis. Dentre os britânicos, que tiveram o maior número de mortos civis nesta batalha, estima-se cerca de 40.000 mortos civis e 46.000 feridos e mutilados.12

Ficha técnica dos caças envolvidoseditar | editar código-fonte

Caça Messerschmitt Bf 109 (Flag of the NSDAP (1920–1945).svg Alemanha Nazista)editar | editar código-fonte

Me109 G-6 D-FMBB 1.jpg
  • Modelo: Me109F-3
  • Envergadura: 9,92 m
  • Comprimento: 8,85 m
  • Altura: 2,59 m
  • Peso: 1.964;kg (vazio) e 2.746;kg (carregado)
  • Motor: Daimler-Benz DB601E (1.600;hp)
  • Velocidade Máxima: 628;km/h
  • Teto Máximo: 11.600 m
  • Alcance Normal: 1600;km
  • Armamento: 2 metralhadoras MG 151 de 15;mm (sobre o motor) e 1 canhão MG FF de 20mm (eixo da hélice)

Caça Supermarine Spitfire ( Reino Unido)editar | editar código-fonte

Supermarine Spitfire 1985.jpg
  • Modelo: Mk VA (Durante a Batalha da Inglaterra os ingleses somente utilizavam os modelos I e II do Spitfire. O Mk VA foi posterior. Utilizaram também o Hawker Hurricane)
  • Envergadura: 11,23 m
  • Comprimento: 9,12 m
  • Altura: 3,02 m
  • Peso: 2.267 kg (vazio) e 2.911;kg (carregado)
  • Motor: Rolls Royce Merlin 45, V12 (1.487;hp)
  • Velocidade Máxima: 594 km/h
  • Teto Máximo: 11.125 m
  • Alcance Normal: 675 km
  • Armamento: 8 metralhadoras Browning de 7,7 mm (0.303 pol.)

Referências

  1. (em inglês)Chronological history of the ROYAL OBSERVER CORPS
  2. (em inglês)The Royal Observer Corps : 1925-1992
  3. Lespinois, 2012. Pág.126
  4. Ibidem Lespinois, 2012. Páginas 151-152
  5. Ibidem Lespinois, 2012.
  6. Ibidem Lespinois, 2012.
  7. Willmott, 2008. Págs 111-112.
  8. Ibidem Lespinois, 2012. Pág. 145.
  9. Ibidem Lespinois, 2012.
  10. Ibidem Lespinois, 2012. Pág. 147.
  11. Ibidem Lespinois, 2012.
  12. Ibidem Lespinois, 2012.

Bibliografiaeditar | editar código-fonte

Outros Livroseditar | editar código-fonte

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  • James, T.C.G. Growth of Fighter Command, 1936–1940 (Air Defence of Great Britain; vol. 1). London; New York: Frank Cass Publishers, 2000 (hardcover, ISBN 0-7146-5118-4).
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  • Olson, Lynne and Stanley Cloud. A Question of Honor: The Kościuszko Squadron: Forgotten Heroes of World War II. New York: Knopf, 2003. ISBN 0-37541-197-6. NB: This book is also published under the following title:
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  • Ray, John Philip. The Battle of Britain: Dowding and the First Victory 1940. London: Cassel & Co., 2001. ISBN 0-304-35677-8.
  • Ray, John Philip. The Battle of Britain: New Perspectives: Behind the Scenes of the Great Air War. London: Arms & Armour Press, 1994 (hardcover, ISBN 1-85409-229-4); London: Orion Publishing, 1996 (paperback, ISBN 1-85409-345-2).
  • Scutts, Jerry. Messerschmitt Bf 109: The Operational Record. Sarasota, FL: Crestline Publishers, 1996. ISBN 978-076-030262-0.
  • Townsend, Peter. Duel of Eagles (new edition). London: Phoenix, 2000. ISBN 1-84212-211-8.
  • Wellum, Geoffrey. First Light: The Story of the Boy Who Became a Man in the War-Torn Skies Above Britain. New York: Viking Books, 2002 (hardcover, ISBN 0-670-91248-4); Hoboken, NJ: Wiley & Sons, 2003 (hardcover, ISBN 0-471-42627-X); London: Penguin Books, 2003 (paperback, ISBN 0-14-100814-8).
  • Wood, Derek and Derek Dempster. "The Narrow Margin: The Battle of Britain and the Rise of Air Power" London: Tri-Service Press, third revised edition, 1990. ISBN 1-854-88027-6.


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