Bitola

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Trilhos de várias bitolas em Kanagawa, Japão.

Bitola é a largura determinada pela distância medida entre as faces interiores das cabeças de dois trilhos (português brasileiro) ou carris (português europeu) em uma via férrea.

Classificaçãoeditar | editar código-fonte

Bitolas predominantes nos diversos países.
Medidas de bitolas
pés/pol mm
5′ 6″ 1676
5′ 5⅔″ 1668
5′ 3″ 1600
5′ 1524
4′ 11⅞″ 1520
4′ 8½″ 1435
4′ 6″ 1372
3′ 6″ 1067
3′ 5⅓″ 1050
3′ 3⅜″ 1000
3′ 4⅜″ 950
3′ 914
2′ 6″ 762
2′ 5½″ 750
2′ 610
1′ 11⅝″ 600

As ferrovias em todo o mundo adotam várias medidas de bitola, sendo a mais frequentemente usada a de 1435 mm (4 pés e 8½ polegadas), por isso denominada muitas vezes de bitola padrão, bitola standard, ou bitola internacional, ou ainda bitola Stephenson, em homenagem a George Stephenson. Em utilização técnica e normativa esta bitola é designada pelo seu valor nominal 1435 mm, atendendo a que cada bitola constitui em si mesmo um "padrão". A popularidade dessa bitola deve-se inicialmente à sua maior utilização nas primeira ferrovias construídas no Reino Unido e, posteriormente, ao uso da mesma nos EUA em função do uso de material rodante britânico, comprado pelas primeiras ferrovias americanas.

As bitolas com medida maior do que a bitola de 1435 mm são consideradas bitola larga, enquanto as de medida menor são chamadas de bitola estreita.

Denominaçõeseditar | editar código-fonte

As denominações de bitolas mais geralmente utilizadas são 1 :

Chama-se de bitola mista a via com mais que uma bitolas por linha (pelo menos três carris/trilhos).

Utilizaçãoeditar | editar código-fonte

Brasileditar | editar código-fonte

No Brasil, a bitola mais comum é a bitola métrica (ou seja, possuem um metro de distância entre as partes internas das superfícies dos trilhos), presente em 23.489 km de trilhos.

Também é comum (aproximadamente 4.050 km) no país o uso da bitola irlandesa (1,6 metro), principalmente em linhas de grande movimento como a SuperVia. No Rio de Janeiro, os bondes usavam uma bitola de 1.100 mm (incluindo o Bonde de Santa Teresa, que opera até hoje). Bitolas de 600 mm foram usadas também em ramais menos movimentados de muitas estradas de ferro.

Em diversos trechos ferroviários no Brasil há a existência de três ou mais trilhos correndo em paralelo em uma única linha, a chamada bitola mista, como na que existe entre o Rio de Janeiro e Saracuruna, a fim de permitir que trens de diferentes bitolas possam operar no trecho.

O Metrô de São Paulo, cujas três primeiras linhas foram construídas em bitola irlandesa, seguindo a tradição ferroviária do país, decidiu em sua Linha 4 abandonar essa medida em favor da bitola internacional.

O motivo alegado foi a possibilidade oferecida por esse padrão de redução de custos construtivos, com túneis mais estreitos e as vantagens operacionais devido a predominância de equipamentos disponíveis no mercado internacional para esse tipo de bitola2 . O primeiro trecho de operação com bitola 1,435 m para passageiros foi inaugurado no dia 20 de outubro de 2002, data-marco do início da operação da Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo.

A construção do trecho inicial dessa linha, ligando Capão Redondo ao Largo Treze, foi realizada pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos - CPTM com recursos do Governo do Estado de São Paulo e do Banco Interamericano de Desenvolvimento - BID. A escolha da bitola seguiu as mesmas diretrizes que o Metrô estava estudando para adotar na Linha 4. 3 .

Portugaleditar | editar código-fonte

Electrico no porto.jpgLisbon tram 563, July 2005.jpg
Bitolas diferentes para usos idênticos: Os sistemas de elétricos do Porto e de Lisboa, respetivamente a 1435 mm e 900 mm.

Em Portugal, como na Espanha, usa-se uma bitola comum de 1668 mm, denominada de bitola ibérica. Recentemente, passaram-se a usar dispositivos de mudança de bitola nos comboios que vão para a França (onde se usa a bitola internacional), e no interior de Espanha na passagem das linhas de alta-velocidade, de bitola de 1435 mm para as linhas convencionais de 1668 mm.

A intenção de no futuro reconverter a rede ferroviária para bitola de 1435 mm levou a que, à semelhança de Espanha, sejam desde 2008 colocadas travessas para a bitola de 1668 mm, que no futuro permitem, movendo os carris, colocar a bitola de 1435 mm. Estas travessas denominam-se travessas polivalentes.

No troço da Linha de Évora entre Évora e Casa Branca foram colocadas travessas que permitem a colocação de três carris, permitindo operar comboios das duas bitolas. No entanto, esta experiência foi descontinuada.

Algumas linhas no norte de Portugal têm quatro carris, via algaliada para poderem operar com comboios de bitola ibérica e bitola métrica.

As novas linhas de alta velocidade TGV ou AVE em toda a Europa adoptaram a bitola padrão (1 435 mm), pelo que já existem em Espanha várias linhas de linha com bitola internacional, assim como as novas linhas de alta velocidade em Portugal serão de bitola internacional.

Referências

Ver tambémeditar | editar código-fonte


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