Bruxa poveira

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Segundo o povo, a Rua do Ramalhão era onde viviam muitas das bruxas.

Na mitologia poveira, a Bruxa é uma mulher manipuladora de Magia Negra. Algumas Bruxas do Diabo, más, e outras que não tinham culpa da sua condição, às quais se demonstrava pena. As bruxas atormentavam, especialmente, os homens do mar.

A figura da bruxa, velha e numa cadeira de rodas, e o poder da sigla Sanselimão estão presentes no filme etno-documental Ala-Arriba! (1942) de Leitão de Barros.

Na madrugada do último dia de Abril para o primeiro de Maio, por vezes designado de Dia das Bruxas, coloca-se um ramo de Giestas ou plantas espinhosas na porta de casa, protegendo o lar contra as bruxas e o mau-olhado.

Correr o fadoeditar | editar código-fonte

Sanselimão desenhado junto à porta de uma casa na Rua da Quingosta, uma das mais estreitas e antigas ruas poveiras.

Pela noite, o fado das bruxas era terem de sair de suas casas, enquanto seus maridos dormiam, e seguirem o Diabo pelas ruas. Segundo conta o povo, as bruxas passariam por sete igrejas e sete fontes e regressarem antes do dia nascer.

As bruxas sairiam das camas, tal como estavam, atravessavam portas, sem necessidade de as abrir. Ao passarem, as bruxas mexiam nos barcos, levantando remos e tirando os paus debaixo dos barcos. Os lavradores também eram atormentados, abriam a torneira das suas pipas. Segundo Ti'Desterra, dizia-se que a maioria das bruxas viviam no Ramalhão e Norte, ruas do Bairro Norte. Note-se que existiam rivalidades entre o Bairro Norte e o Bairro Sul, bairros piscatórios.

Poder do sanselimãoeditar | editar código-fonte

Para salvar uma bruxa do seu fado, o marido de uma bruxa teria que ter um Sanselimão em aço na mão, desenhar um outro sanselimão no chão da rua onde esperaria, à noite, que o Diabo passasse com as bruxas atrás de si. A bruxa, sua esposa, ao lançar a mão deveria ser puxada pelo marido para dentro do sanselimão desenhado no chão. As outras bruxas atormentariam o homem, chamando nomes e assobiando.

Outros tormentos aos pescadoreseditar | editar código-fonte

Quando uma bruxa chegasse perto de um barco que arribasse na praia e pedisse o melhor peixe, que nem o próprio pescador levaria para si, teria que se ceder. De outra forma, o barco deixaria de conseguir pescar o que quer que seja, causando a fome da família do pescador, que não teria peixe para vender (o melhor do que pescasse) ou para consumir como vingança da bruxa.

Conta-se que uma vez uma bruxa perto do Castelo da Póvoa perguntou a um pescador que passava, para onde ia, ele responde que ia para o mar, ela que não, que a deveria para levar às costas até à Ponte de Coelheiro (também conhecida como Ponte do Diabo), ele disse que não podia, que tinha que ir para o mar e que tinha uma cesta. No entanto, a bruxa ordenou para levá-la às costas até ao Coelheiro. Deixou a cesta, e assim fez. Ao chegar cansado à ponte de Coelheiro, a bruxa disse que a cesta está no mesmo lugar, ninguém mexeu nela, e que a lancha não saia para o mar, enquanto o pescador não lá chegar. O que terá acontecido deixando o pescador assustado.








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