Catalunha

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Espanha Catalunha
Cataluña
Catalunya
 
—  Comunidade autónoma  —
Bandeira de Catalunha
Bandeira
Brasão de armas de Catalunha
Brasão de armas
Locator map of Catalonia.png
hino Els segadors
Capital Barcelona
Administração
 - Presidente Artur Mas (Convergència i Unió)
Área
 - Total 32,114 § km²
População (2007)
 - Total 7,210,508
    • Densidade 223,9/km2 
Gentílico: catalão/catalã
Províncias Barcelona, Girona, Lérida, Tarragona
Idioma oficial Catalão, occitano e castelhano
Estatuto de autonomia 20 de Julho de 2006
ISO 3166-2 ES-CT
Congresso
Senado
47 assentos
7 assentos
Sítio Generalidade da Catalunha
§ 6,3% da área total de Espanha
15,96% da população total de Espanha
Cortes catalãs, séc. XV
A Coroa de Aragão no século XV

Catalunha (em catalão Catalunya; em castelhano Cataluña; em occitano Catalonha;) é uma comunidade autónoma da Espanha, situada a nordeste da península Ibérica. Ocupa um território de cerca de 32.000 km², limitada a norte pela França e por Andorra, a leste com o Mar Mediterrâneo, a sul com a Comunidade Valenciana e a oeste com Aragão. A capital da Catalunha é a cidade de Barcelona. A Catalunha é reconhecida como uma nacionalidade no seu Estatuto de Autonomia, enquanto o artigo segundo da Constituição Espanhola se refere a nacionalidade, reconhecendo e garantindo o direito à sua autonomia.

Históriaeditar | editar código-fonte

O primeiro povoamento da região é datada da época do Paleolítico Médio. Os vestígios mais antigos encontrados correspondem à mandíbula de um pré-Neandertal encontrada em Banyoles, com 25.000 anos.

A colonização na idade antiga deu-se em duas etapas. A primeira etapa deu-se com o início da colonização pelos Gregos e Cartagineses. A segunda etapa corresponde a romanização da Catalunha iniciada em 218 a.C.. O actual território catalão foi primeiro englobado na província chamada Hispânia Citerior, para formar parte desde o ano de 27 a.C. a Tarraconense, cuja capital foi Tarraco (atual Tarragona). Com a crise do século III que afectou o Império Romano, a Catalunha foi afectada gravemente com destruição e abandono das vilas romanas.


Idade Médiaeditar | editar código-fonte

No século V com a invasão dos povos germânicos, os Visigodos instalaram-se em Tarraconense e em 475 o rei visigodo Eurico formou o Reino Visigodo de Tolosa. Os Visigodos dominaram a região até ao século VIII. Em 711, os Árabes iniciam a conquista da Península Ibérica, algumas batalhas tomaram conta de região principalmente em Tarragona. No último quarto do século VIII veio a reacção dos carolíngios, que conseguiram o domínio das actuais cidades de Girona e Barcelona. No final do século IX, Carlos II (ou Carlos, "o Calvo") nomeou Vifredo, o Veloso Conde de Barcelona e Gerunda. Somente no século seguinte houve independência em relação ao poder carolíngio. No século XI desenvolveu-se uma Catalunha feudal. Com o casamento do conde Ramón Berenguer IV (do Condado de Barcelona) com Petronila de Aragão (do Reino de Aragão) formou-se como confederação a Coroa Catalano-Aragonesa, mantendo cada um dos reinos as suas próprias instituições administrativas. A expansão da Coroa Catalano-Aragonesa (ou simplesmente Coroa de Aragão), teve início com a conquista das cidades de Lérida, Tortosa, Reino de Maiorca (nas Ilhas Baleares), Reino de Valência (que permaneceu com corte própria), Coroa da Sicília, Minorca (nas Ilhas Baleares), Sardenha (ilha italiana). Até às primeiras décadas do século XIV, a coroa teve o seu apogeu, que começou a mudar com o surgimento de catástrofes naturais, crises demográficas, recessão da economia catalã, o surgimento de tensões sociais e crise sucessora (o Rei Martin I não deixou sucessor nomeado). Em 1443, após a conquista do Reino de Nápoles a crise se agravou.


Idade Modernaeditar | editar código-fonte

Em 1469, o Rei Fernando II de Aragão casou-se com Isabel I (Rainha de Castela) o que conduziu a uma união dos dois reinos a a formação de uma monarquia espanhola.

Nos séculos XVI e XVII, a Catalunha viveu um período de decadência. Os catalães envolveram-se num conflito, a Guerra dos Segadores, de 1640 até 1652, contra o domínio hispânico do rei Felipe IV, ao mesmo tempo que Portugal também recupera a independência.

Durante a Guerra de Sucessão Espanhola (1701 – 1713/1715), a Catalunha apoiou o pretendente austríaco (tal como Inglaterra, os Países Baixos e Portugal), assinando-se em 1713 a paz com o Tratado de Utrecht, deixando os catalães abandonados ao seu destino. Apesar de conseguirem resisitir e inclusive vencer as tropas borbónicas, tal como na Batalha de Talamanca, o avanço do exército real continua. O cerco de Barcelona culminou com a Batalha de 11 de Setembro de 1714. Apesar do heróico combate, acabou quase completamente com a oposição catalã, que se rendeu às tropas do pretendente francês a 18 de Setembro no último castelo a cair, o de Cardona. O novo rei, Filipe V de Espanha (conhecido como Filipe de Anjou, era neto do rei francês Luís XIV), anexou a Catalunha e proclamou o Decreto da Nova Planta. Com este Decreto, extremamente repressivo, a região deixou de ter um estado próprio (a Generalitat, o Consell de Cent (Conselho de Cem) e restantes instituições de autogoverno catalãs foram abolidas), perdeu os seus direitos e foi incorporada definitivamente no Reino de Espanha.


Idade Contemporâneaeditar | editar código-fonte

Nos finais do século XIX nasceu o movimento chamado em catalão "Renaixença", que foi o início das reivindicações do catalanismo político. Um representante do catalanismo político foi Francesc Cambó.

Em 1914, formou-se a Mancomunitat, primeiro organismo administrativo de Catalunha reconhecido pelo Estado Espanhol desde a Guerra de Sucessão Espanhola. Foi dissolvida pela ditadura de Primo de Rivera no ano de 1923.

Com a proclamação da II República Espanhola, em 1931, reconheceu-se a Comunidade Autónoma da Catalunha, não obstante se ter chegado a proclamar unilateralmente a República da Catalunha. Depois de prolongadas negociações aprovou-se o seu Estatuto no ano de 1932, tendo sido eleito Presidente da Generalitat Francesc Macià.

Com a derrota dos Republicanos na Guerra Civil (1936-1939), a Catalunha perdeu novamente a sua autonomia, todas as instituições de autogoverno catalãs foram banidas, e sofreu uma importante e pesada repressão cultural e linguística (com a abolição e proibição do uso do catalão), por parte do Estado Nacionalista Espanhol, totalitário e de inspiração fascista.

Em 1975, com a morte do ditador Francisco Franco e o fim da ditadura, recuperou outra vez a sua autonomia e língua.

Actualmente a Generalitat de Catalunya conta com cinco delegações no estrangeiro (Paris, Londres, Berlim, Bruxelas e Nova Iorque), tem diversas competências, e trabalha para que o Estatuto da Catalunha, aprovado por referendo popular e no Parlamento catalão, possa ser totalmente vigente e aceite pelo governo central espanhol.


Referendo sobre a independência da Catalunha em 2014editar | editar código-fonte

Este referendo foi anunciado no dia 12 de Dezembro de 20131 , pelo Presidente da Generalitat, Artur Mas (CiU, primeira força política na região), e contou com o apoio dos partidos representados por Oriol Junqueras (ERC, Esquerda Republicana, segunda força política mais votada), Joan Herrera (ICV, Iniciativa pela Catalunha, quinta força política), Joana Ortega e Ramon Espadaler (UDC, União Democrática da Catalunha, parceiros de coligação da CiU), Joan Mena (EUiA, Esquerda Unida e Alternativa, parceiros políticos de coligação com ICV) e David Fernández e Quim Arrufat (CUP, Candidatura de Unidade Popular, nona força política). O apoio destes partidos à realização do referendo confere uma maioria de 88 deputados dentro dos 135 do Parlamento catalão. O referendo que se pretende realizar a 9 de Novembro de 2014 tem um formato binomial: "Quer que a Catalunha seja um Estado?"; "Se sim, quer que este Estado seja independente?". O Governo central espanhol, presidido por Mariano Rajoy (Partido Popular), já indicou que fará tudo o que está ao seu alcance para impedir que se realize.

Geografiaeditar | editar código-fonte

Limites Geográficoseditar | editar código-fonte

Limita a norte com Andorra e França, ao sul com a Comunidade Valenciana, e a leste com o mar Mediterrâneo.

Relevoeditar | editar código-fonte

O território está dividido em três unidades morfo-estruturais gerais:

  • Pirenéus: ao norte, é uma unidade montanhosa, com o Pica d'Estats, de 3.143 metros de altura, o ponto mais elevado da Catalunha.
Vista do maciço de Montserrat
  • Sistema Mediterráneo Catalão: alterna terras baixas ou planas e serras ou cordilheiras. Sistema que se estende em todo litoral. As principais montanhas costeiras são: Montnegre, Tibidabo, Montserrat e Montseny.
  • Depressão Central Catalã: derivam da erosão do rio Ebro e seus afluentes.

Bacia Hidrograficaeditar | editar código-fonte

Principais rios que banham a Catalunha:

Climaeditar | editar código-fonte

Clima mediterrânico e Clima temperado com altas temperaturas no Verão e invernos húmidos. As zonas montanhosas próximas ao Pirenéus apresentam Invernos com temperaturas abaixo de zero e neve abundante e Verões menos quentes do que no resto da região.

Demografiaeditar | editar código-fonte

De acordo com dados estatísticos oficiais, a população da Catalunha em finais de 2006 era de 7.134.697 habitantes, constituindo 16% do total da população de Espanha.

Em 2012, segundo o Instituto de Estatística da Catalunha (INDESCAT) 2 , a população desta região soma 7.570.908 habitantes.

Os dados do mesmo ano revelam que 1.443.480 pessoas são imigrantes de outras zonas do estado espanhol (sendo a maioria de Andaluzia), e 1.342.271 são provenientes de outras zonas da Europa e do mundo, sendo os marroquinos, romenos e equadorenhos, por esta ordem de grandeza decrescente, os mais representados.

Economiaeditar | editar código-fonte

La Caixa, na Av. Diagonal, em Barcelona

Os principais sectores da economia da Catalunha são o turismo, a indústria (de transformação, têxtil, química, agro-industrial) e os serviços. Os principais produtos agrícolas são: azeitonas, vinhos e espumantes (cava), cereais, milho e fruta doce e, na pecuária, o suíno e o bovino.

A Catalunha é o primeiro destino turístico da Espanha. Os principais destinos na Catalunha são: Barcelona (que ganhou grande projecção internacional após sediar os Jogos Olímpicos de 1992), as praias da Costa Brava e Costa Dourada, estações de esqui nos Pirenéus e ainda turismo histórico (em Tarragona, com monumentos romanos classificados Património da Humanidade pela UNESCO em 2000), turismo cultural (Figueras pelo Teatro-Museu Dalí, Barcelona pelo Museu Pablo Picasso, Fundação Joan Miró e Antoni Tàpies, além do conjunto de obras do arquitecto Antoní Gaudi.

Do ponto de vista financeiro, a Catalunha possui instituições com grande poder, como a La Caixa, ou o Banco Sabadell. Em termos industriais, a Catalunha é a comunidade que tem maior participação no PIB industrial do território espanhol, com 25%.

Política e Administraçãoeditar | editar código-fonte

Parlamento da Catalunha, situado no Parque da Cidadela, Barcelona
Províncias da Catalunha

O governo da Catalunha é conhecido como Generalitat de Catalunya e consiste de um parlamento, um presidente e um conselho executivo.

Provínciaseditar | editar código-fonte

Catalunha está dividida administrativamente em quatro províncias:

Comarcaseditar | editar código-fonte

Possui 41 comarcas que se originaram do decreto Generalitat de Catalunya de 1936. E 946 municípios.

Transporteseditar | editar código-fonte

  • Portos: os de maior volume são o de Barcelona e Tarragona, que são também dois dos principais portos do território espanhol e do Mar Mediterrâneo.

Línguaeditar | editar código-fonte

Mapa cronológico mostrando o desenvolvimento do Catalão (Catalan).
  • O catalão é uma língua românica falada por mais de nove milhões e meio de pessoas em todo o mundo, como língua materna ou segunda língua. Tem predominância na Catalunha, Ilhas Baleares, Valência, Andorra, e cidade de Alghero (ilha da Sardenha, Itália). De acordo com o Estatuto de Autonomia, o catalão é a língua própria da Catalunha, e segundo a Lei de Política Linguística, é identitária de um povo. O castelhano também é língua oficial deste território, assim como oficial em toda a Espanha. O Aranês, variedade da língua occitana é própria e oficial do Vale de Arão (Vall d' Aran). A Generalitat de Catalunya tem desenvolvido legislação que promove e protege o uso social do catalão, de acordo com o defendido pelo Estatuto de Autonomia e pela Constituição Espanhola.

Culturaeditar | editar código-fonte

Catedral de Santa Eulália de Barcelona
Obra de Gaudí: Casa Batlló em Barcelona
  • Artes Plásticas: os pintores catalães de grande nome internacional são Salvador Dalí, Joan Miró e Antoni Tàpies. O malaguenho Pablo Ruiz Picasso viveu sua juventude na Catalunha onde iniciou o cubismo. Existem na região importantes espaços museológicos como o Teatro-Museu Dalí (em Figueras, Figueres em catalão), e em Barcelona o Museu Picasso, Fundação Joan Miró, Fundação Antoni Tàpies, CaixaFòrum, Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB), Museu Nacional de Arte da Catalunha (MNAC), Museu de Arte Contemporânea de Barcelona (MACBA), ou o conjunto arqueológico de Tarragona, considerado Património da Humanidade pela UNESCO em 2000, são alguns dos mais importantes.
  • Popular: Joan Manuel Serrat, Maria del Mar Bonet, Lluís Llach, Francesc Pi de La Serra. A rumba catalã, outro género popular, foi divulgada na cidade de Barcelona pela mão das comunidades ciganas nos anos 1950. São conhecidos Los Manolos, Els Batak, La Pegatina, Dijous Paella, entre outros.
  • Rock (em catalão): Els Pets, Gossos, Lax'n Busto, Antònia Font, Sopa de Cabra, Glaucs, Brams, são referências.
  • Festivais de música rock, eletrónica e experimental: têm sucesso internacional o Sonar, Primavera Sound e Summercase.
  • Castellers: Torres humanas feitas sobre os ombros uns dos outros, costume que nasceu na zona de Tarragona e se estendeu a toda a Catalunha.
  • Sardana: Dança nacional da Catalunha, em grupo, onde os participantes formam um círculo de mãos dadas.
  • Dia de Sant Jordi (São Jorge): Celebrado a 23 de Abril, é considerado o patrono da Catalunha. Nesta festividade, também conhecida como o dia dos namorados na Catalunha (em vez de S. Valentim), oferecem-se tradicionalmente rosas e livros.

Ver tambémeditar | editar código-fonte

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
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Referências

  1. Jornal Público acedido a 13/12/2013
  2. INDESCAT acedido em 26/09/2013

Ligações externaseditar | editar código-fonte


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