Cidades em Transição

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Cidades em Transição (também conhecido como Rede de Transição ou Movimento da Transição) é a designação de um movimento social baseado nos princípios da permacultura aplicados a uma comunidade.1

Terá sido implantado pelo professor universitário Rob Hopkins, preocupado com a dependência de combustível e alimentação, percebendo que o cenário de mudança climática e escassez de petróleo só irá piorar com o tempo. Começou por construir um plano de mudança e, em 2005, em Kinsale, na Irlanda, onde ensinava, com o objectivo para o alcançar, levou o município todo a adoptar o movimento como seu plano de gestão. Mudou-se depois para Totnes, em Devon na Inglaterra, e transformou-a em montra do movimento chegando a criar uma moeda própria, a Libra de Totnes. Hoje já são mais de uma centena cidades, bairros e até ilhas em todos os continentes foram convertidas a esse projecto global2 .

12 passos para a Transiçãoeditar | editar código-fonte

Para orientar cidades interessadas em aderir, Rob Hopkins, o grande teórico e criador do movimento já aqui referido, organizou "Os 12 passos para a Transição" e apresentou-os no seu livro "The Transition Hand Book" ("Livro de Bolso da Transição", numa tradução livre).

São eles3 :

1 - Formar grupos na sociedade para discutir possíveis acções para diminuir o consumo de energia na sociedade.

Preparar a sociedade em geral para falar das consequências do fim da era do petróleo barato e sobre aquecimento global. Isso para chamar a atenção das pessoas sobre esses temas, do pico do petróleo e da mudança climática, e assim levá-las a começar a pensar em soluções para uma redução da pegada de carbono e um incremento da autossustentabilidade. Daí ser relevante abordar vários assuntos que se reflectem com eles, tais como: a importação de alimentos, o transporte, a energia, a educação, a moeda local e o urbanismo.

É importante que o sucesso colectivo seja colocado acima dos interesses pessoais. Deve haver um representante para cada grupo.

2 - Identificar possíveis alianças e construir redes de contacto, na internet e fora dela;

3 - Incorporar ideias de outras organizações e iniciativas já existentes.

Há que agir como um catalisador que leva a comunidade a explorar soluções e a pensar sobre estratégias de mitigação, a partir das bases instaladas localmente;

4 - Organizar o lançamento do movimento. Isso pode ocorrer entre seis meses e um ano após o passo número um.

Com o amadurecimento do projecto, há que o levar para dentro da comunidade, para criar um ritmo que empurra sua iniciativa para diante em direcção a um novo período de trabalho e comemora o desejo da comunidade de entrar em acção;

5 - Formar subgrupos de trabalho que vão olhar para suas regiões específicas e imaginar como a sociedade pode se tornar auto-suficiente e capaz de suportar choques externos, como a falta do petróleo.

É fundamental estabelecer alguns grupos menores para se concentrar em aspectos específicos do processo. Cada um desses grupos vai desenvolver seus próprios meios de trabalhar e suas próprias actividades, mas estarão todos sob o guarda-chuva do projecto como um todo;

6 - Fazer eventos em espaços abertos.

É importante que a sociedade perceba o movimento e queira fazer parte dele4 ;

7 - Realizar actividades que requerem acção benéfica para a comunidade.

Há que evitar qualquer impressão de que o projecto é apenas um clube de discussões, em que as pessoas se sentam e fazem listas de desejos. Precisa, desde o início, começar a criar manifestações práticas, bastante visíveis para a melhoria da qualidade de vida das pessoas no espaço vizinho circundante;

8 - Recuperar a hábitos perdidos como fazer encontros comunitários, cozinhar, fazer jardinagem, cultivar hortas e andar a pé ou de bicicleta.

9 - Construir bom relacionamento com governo local, cultivar uma relação positiva e produtiva com as autoridades locais;

10 - Escutar e relacionar-se com os mais velhos.

As pessoas que viveram entre 1930 e 1960, época em que o petróleo ainda não era tão importante, podem ter muito a ensinar. É preciso recuperar muitas das habilidades que eram comuns à época de nossos avós. Uma das coisas mais úteis que uma Iniciativa de Transição pode fazer é reverter a “grande descapacitação” dos últimos 40 anos oferecendo treinamento para uma ampla variedade dessas habilidades;

11 - Não manipular o processo de transição para essa ou aquela tendência.

O papel do movimento não é levar todas as respostas, mas deixar que a população encontre meios para a transição. O movimento deve ser um grande catalisador de ideias. O talento colectivo da comunidade levará ao surgimento de soluções plausíveis, práticas e engenhosas;

12 - Criar um plano de acção para reduzir o consumo de energia da cidade.

Este deve ser presentado internamente, antes de colocá-lo em prática, interligando-o com o todo.

Referências

  1. Transition Town Ashland. Permaculture
  2. O mundo em transição, Thais Oliveira – Edição: Mônica Nunes, Planeta Sustentável – 17/03/2009
  3. Os 12 passos da transição Época Negócios
  4. Sobre Open Space - Espaço Aberto, de autoria de Harrison Owen: “Open Space Technology: A User’s Guide” (Tecnologia do Espaço Aberto: Guia de Utilização); o livro “The Change Handbook: Group Methods for Shaping the Future” (O manual da mudança: métodos de grupo para mudar o futuro), de Peggy Holman e Tom Devane.

Ver tambémeditar | editar código-fonte

Ligações externaseditar | editar código-fonte

Ícone de esboço Este artigo sobre sociologia ou um sociólogo é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.







Creative Commons License