Demografia de Portugal

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População de Portugal (INE, Lisboa)
Ano Total Variação Ano Total Variação
1422 1 043 274 - 1900 5 423 132 +7,4%
1527 1 262 376 +21,0% 1911 5 960 056 +9,9%
1636 1 100 000 -12,9% 1920 6 032 991 +1,2%
1736 2 143 368 +94,9% 1930 6 825 883 +13,1%
1770 2 850 444 +33,0% 1940 7 722 152 +13,1%
1776 3 352 310 +17,6% 1950 8 441 312 +9,3%
1801 2 931 930 -12,5% 1960 8 851 289 +4,9%
1811 2 876 602 -1,9% 1970 8 568 703 -3,2%
1838 3 200 000 +11,2% 1981 9 852 841 +15,0%
1849 3 411 454 +6,6% 1991 9 862 540 +0,1%
1864 4 188 410 +22,8% 2001 10 356 117 +5,0%
1878 4 550 699 +8,6% 2007 10 617 575 +2,5%
1890 5 049 729 +11,0% Fontes: 1 2 3

Os dados sobre a composição genética dos Portugueses apontam para a sua fraca diferenciação interna e base essencialmente continental europeia paleolítica4 É certo que houve processos démicos no Mesolítico (provável ligação ao Norte de África) e Neolítico (criando alguma ligação com o Médio Oriente, mas bastante menos do que noutras zonas da Europa), tal como as migrações das Idades do Cobre, Bronze e Ferro contribuíram para a indo-europeização da Península Ibérica (essencialmente uma «celtização»), sem apagar o forte carácter mediterrânico, particularmente a sul e leste. A romanização, as invasões germânicas, o domínio islâmico mouro, a presença judaica e a escravatura subsariana terão tido igualmente o seu impacto e a sua contribuição démica. Podem mesmo listar-se todos os povos historicamente mais importantes que por Portugal passaram e/ou ficaram: as culturas pré-indo-europeias da Ibéria (como Tartessos e outras anteriores) e seus descendentes (como os cónios, posteriormente «celtizados»); os protoceltas e celtas (tais como os lusitanos, gallaici, celtici); alguns poucos fenícios e cartagineses; Romanos; Suevos, búrios e visigodos, bem como alguns poucos vândalos e alanos; alguns poucos bizantinos; Berberes com alguns árabes e saqaliba (escravos eslavos); Judeus sefarditas; Africanos subsarianos; fluxos menos maciços de migrantes europeus (particularmente da Europa Ocidental). Todos estes processos populacionais terão deixado a sua marca, ora mais forte, ora só vestigial. Mas a base genética da população relativamente homogénea5 do território português, como do resto da Península Ibérica, mantém-se a mesma nos últimos quarenta milénios: os primeiros seres humanos modernos a entrar na Europa Ocidental, os caçadores-recolectores do Paleolítico.

Portugal, incluindo os Arquipélagos dos Açores e Madeira tem uma população estimada em 10 632 482 pessoas (estimativa INE em 2009), representando uma densidade populacional de 114 pessoas por quilómetro quadrado.

O idioma oficial, utilizado pela quase totalidade da população, é o Português. O Mirandês é reconhecido oficialmente e ensinado nas escolas do concelho de Miranda do Douro. O seu uso, no entanto, é bastante restrito, estando em curso acções de revitalização.

Actualmente a população portuguesa tem vindo a aumentar, mas com um crescimento natural (natalidade menos a mortalidade) cada vez menor, levando a que o país se encontre envelhecido e não exista renovação de gerações. Por outro lado, a esperança média de vida tem vindo a aumentar, tanto nos homens como nas mulheres, o que tem sido crucial para este envelhecimento populacional. O maior crescimento da população tem-se verificado nos distritos costeiros principalmente Setúbal, Porto, Aveiro e Braga, mas continua a diminuir nos distritos do interior.

Nos últimos tempos a imigração tem vindo a aumentar em consequência da entrada de africanos provenientes dos PALOP, europeus de Leste e sul americanos, principalmente brasileiros, estabelecendo-se principalmente nas grandes cidades portuguesas. A emigração permanente tem-se mantido a níveis baixos, desde a revolução do 25 de Abril de 1974 e com a entrada na União Europeia. Internamente, a migração é dominada pela atracção exercida pelas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto em relação ao resto do País.

Gráfico da evolução demográfica em Portugal entre 1961 e 2003.

Dados históricoseditar | editar código-fonte

Deve-se a D. João III o primeiro numeramento geral do Reino, isto é, a primeira tentativa para apurar o número global da população portuguesa. É um esboço do censo actual, feito em 1527. A população rondava então os cerca de 1,1 milhão de habitantes.

A partir de 1864 passaram-se a realizar Censos da População e que partir de 1890, salvo os anos de 1911, 1920 e 1981, se fizeram de 10 em 10 anos.

Número de nascimentos por anoeditar | editar código-fonte

Após ficar abaixo dos 100 mil bebés em 2011, o número baixou para menos de 90 mil em 2012 e cairá em 2013 para menos dos 80 mil.

Em 2013, até ao dia 26 de junho de 2013 foram registados 37 952 bebés6 .

Populaçãoeditar | editar código-fonte

População

Estrutura etáriaeditar | editar código-fonte

Ano Estrutura Etária Total Observações
0-14 anos 15-64 anos 65 ou + anos
2003
Percentagem 16,8% 67,2% 16% 100% Cálculo feito por estimativa
Sexo Homens: 874 198
Mulheres: 825 742
Total: 1 699 940
Homens: 3 326 957
Mulheres: 3 461 425
Total: 6 788 382
Homens: 651 697
Mulheres: 962 003
Total: 1 613 700
Homens: 4 852 852
Mulheres: 5 249 170
Total: 10 102 022
2005
Percentagem 16,6% 66,3% 17,1% 100% Cálculo feito por estimativa
Sexo Homens: 916 234
Mulheres: 839 935
Total: 1 756 169
Homens: 3 468 844
Mulheres: 3 538 779
Total: 7 007 623
Homens: 744 787
Mulheres: 1 057 633
Total: 1 802 420
Homens: 5 129 865
Mulheres: 5 436 347
Total: 10 566 212

Proporção sexualeditar | editar código-fonte

Ano Proporção Sexual (Homem(ns)/Mulher) Observações
Ao Nascimento Abaixo de 15 anos 15-64 anos 65 anos ou + Total Populacional
2005 1,07 1,09 0,98 0,7 0,94 Cálculo feito por estimativa

Religiõeseditar | editar código-fonte

Segundo o Almanaque Abril de 2010, os portugueses são 96,3% católicos. Há uma proporção de 1,4% de ateus e pessoas sem religião. Outros credos compõem 2,3% da população. Os dados referem-se ao ano de 2005.

Segundo os resultados dos Censos de 2011, 85% da população é católica e 14,2% não se identifica com qualquer religião10 .


Minorias religiosaseditar | editar código-fonte

Muçulmanos c. de 15 mil 11 (muitos são imigrantes vindos de Guiné e de Moçambique, Marrocos, ou do Indostão, alguns são senegaleses e outros são portugueses convertidos). Maiores concentrações nas regiões de Lisboa e Porto;

Hindus c. de 5 mil (indianos), quase todos em Lisboa;

Judeus c. de 1.200 (Maioria em Lisboa, Porto, Ponta Delgada, Belmonte e Faro), são uma presença antiga no país, que gradualmente rareou com os éditos reais de expulsão, mas que voltou a tomar fôlego em meados do século XIX, com a chegada de judeus de Marrocos, há também o caso dos marranos que recentemente voltaram ao judaísmo.

Línguaseditar | editar código-fonte

Línguas: português, universal no país; há também a língua mirandesa na região da Miranda do Douro (entre 15 e 30 mil falantes). O caló (dialecto cigano-português), tem pelo menos 5 mil falantes. Fora essas línguas nativas, e o dialecto, há a presença das línguas e dialectos imigrantes (árabe, gujarate, espanhol, quimbundo, inglês, francês, alemão, crioulo cabo-verdiano, tétum, chinês, ucraniano etc).

Densidade Demográfica e Distribuição Populacionaleditar | editar código-fonte

Com uma população menor que a espanhola, a portuguesa é, contudo, mais densa (c.90 hab/s por quilómetro quadrado na Espanha e 120 em Portugal). Isso não impede de ser muito mal distribuída pelo território. As regiões menos povoadas são o sul e as áreas limítrofes com a Espanha.12 Pode-se dizer que o Alentejo, comparado com os Distritos de Lisboa, Porto, Viseu e Braga, é um vazio demográfico.

A população urbana, que passou de apenas 22% em 1960 a 27,7% em 1975, hoje já é de 61,1% 13 , ou seja, em três décadas, a o número de portugueses a viver em cidades passou de 3 para 6 milhões, número que poderá crescer ainda mais, pois se estima que lá para 2050 a população urbana chegue aos 75%. Lisboa, Porto e vilas vizinhas são as cidades que concentram mais moradores.

Faz tempo que o litoral exerce atração sobre o interior, e o centro e o norte sobre o sul. O interior de Portugal, especialmente o Sul, tende a ficar cada vez mais escassamente povoado. Há aldeias onde só quem ficou foram os idosos, pois todos os jovens já se foram.

Principais cidadeseditar | editar código-fonte

Lisboa (cerca de 510 000 habitantes - 2 milhões habitantes na Grande Lisboa ) é a capital, a maior cidade do país e detém o principal porto marítimo. Esta cidade foi a Capital Europeia da Cultura em 1994 e hospedou a Exposição Internacional de 1998, a EXPO 98". A segunda maior cidade é o Porto, (cerca de 240 000 habitantes - 1 milhão e 300 mil habitantes no Grande Porto) a segunda maior cidade e porto marítimo. Vila Nova de Gaia (que faz parte do Grande Porto), é também uma cidade proeminente na conjuntura portuguesa, com cerca de 300 000 habitantes. Ainda Setúbal, Faro, Évora, Leiria, Braga, Coimbra e Aveiro são importantes pólos regionais.

Grupos étnicoseditar | editar código-fonte

Outros países da
União Europeia
Outros países do
Leste Europeu
Restante Europa Brasil Restantes países lusófonos
(sem Timor-Leste)
Restante África Restante América China Restante Ásia Oceânia Apátridas Nacionalidade
desconhecida
Total
74 542
4 908
4 409
28 956
116 055
7 038
16 205
5 306
7 104
553
273
12
265 361

Ver tambémeditar | editar código-fonte

Referências

  1. Nuno Valério (coord.), Estatísticas Históricas Portuguesas, Vol. I, pp. 33, 37 e 51. INE, 2001. (PDF: 4,18 MB)
  2. INE, CENSOS 2001 Resultados Definitivos, Informação à Comunicação Social, 21/10/2002.
  3. INE, Estimativas de População Residente, Portugal, NUTS II, NUTS III e Municípios - 2006, Informação à Comunicação Social, 03/08/2007.
  4. Carlos Flores et al. (2004), Reduced genetic structure of the Iberian peninsula revealed by Y-chromosome analysis: implications for population demography, European Journal of Human Genetics (2004) 12, 855–863.
  5. De facto, a presente população portuguesa apresenta características que não só a marcam como uma população ibérica paleolítica, mas também como uma população, conjuntamente com os bascos, relativamente isolada de grandes influências mediterrânicas, bem como com um nível de especificidades tais que apontam para um Efeito fundador ("The Portuguese have a characteristic unique among world populations: a high frequency of HLA-A25-B18-DR15 and A26-B38-DR13, which may reflect a still detectable founder effect coming from ancient Portuguese"). Ver A. Arnaiz-Villena et al. (1997), Relatedness among Basques, Portuguese, Spaniards, and Algerians studied by HLA allelic frequencies and haplotypes, Immunogenetics, 47(1):37-43.
  6. Pior registo de natalidade.
  7. INE. Página visitada em 11 de Agosto de 2010.
  8. INE. Página visitada em 11 de Agosto de 2010.
  9. INE. Página visitada em 11 de Agosto de 2010.
  10. http://www.online24.pt/religioes-em-portugal/
  11. http://www.routard.com/guide/portugal/281/traditions.htm
  12. http://www.shapesofportugal.com/sop/divisoes/
  13. http://in3.dem.ist.utl.pt/portalinovacao/page.asp?id=112
  14. Instituto Nacional de EstatísticaEstatísticas oficiais (2011). Página visitada em 02 de Dezembro de 2012.

Ligações externaseditar | editar código-fonte

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