Fé bahá'í

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A fé bahá'í é uma religião monoteísta fundada por Bahá'u'lláh na Pérsia do século XIX que enfatiza a unidade espiritual da humanidade. Trata-se de uma religião independente que possui as suas próprias leis, escrituras sagradas, administração e calendário. Mas não possui dogmas, clero, nem sacerdócio. Estima-se que existam cinco a seis milhões de bahá'ís espalhados por mais de 200 países e territórios.

Os ensinamentos bahá'ís atribuem grande importância ao conceito de unidade das religiões. A história religiosa da humanidade é vista como um processo de desenvolvimento gradual, em que surgem diversos Mensageiros Divinos com ensinamentos adequados às necessidades de cada momento e à maturidade de cada povo. Esses mensageiros incluem Krishna, Abraão, Buda, Jesus, Maomé e, mais recentemente, O Báb e Bahá'u'lláh. Segundo os ensinamentos bahá'ís, a humanidade encontra-se num processo de evolução coletiva a caminho de uma civilização mundial, e as suas necessidades atuais centram-se, essencialmente, no estabelecimento gradual da paz, justiça e unidade a uma escala global.

A palavra bahá'í pode ser usada para referir à fé bahá'í ou aos seguidores desta religião. Esta palavra deriva do termo árabe bahá (بهاء), que significa "glória" ou "esplendor".

Figuras centraiseditar | editar código-fonte

Santuário do Báb em Haifa, Israel

O Bábeditar | editar código-fonte

Em 1844, Siyyid 'Ali-Muhammad (1819-1850), conhecido como o Báb ("A Porta"), proclamou uma nova revelação de Deus, dando origem a Fé Bábí. Além de anunciar ser o Qá'im aguardado pelos muçulmanos, o Báb afirmava que sua principal missão era preparar a vinda de um profeta ou manifestante de Deus . Alguns bahá'ís consideraram Bahá'u'lláh ainda maior que o próprio Báb; porém, ambos são manifestações gêmeas e iguais.

Os Bahá'ís consideram o Báb como o arauto da Fé Bahá'í, pois Ele alude a uma figura Messiânica - "Aquele que Deus tornará Manifesto" - que brevemente se revelaria. Posteriormente, Bahá'u'lláh em 1863, declarou Sua missão, fundando a Fé Bahá'í.

Bahá'u'lláheditar | editar código-fonte

Mírzá Husayn' ‘Ali (1817-1892), que se intitulou Bahá'u'lláh (denominação Árabe que significa Glória de Deus), foi o fundador da Fé Bahá'í. Bahá'u'lláh proclamou em 1863 ser o Prometido pelo Báb e pelas demais religiões mundiais. Afirmou ser o portador de uma mensagem divina destinada a estabelecer a unidade mundial e eliminar os preconceitos e as divisões. Escreveu epístolas aos principais soberanos da sua época, exortando-os à paz e à concórdia. Sofreu aprisionamento, tortura e exílios durante 40 anos até ser aprisionado definitivamente em Acre, na Palestina Otomana (actual Estado de Israel).

´Abdu'l-Baháeditar | editar código-fonte

'Abbás Effendi (1844-1921), filho mais velho de Bahá'u'lláh, foi designado por seu pai como o centro de Seu Convênio e o intérprete autorizado de Seus ensinamentos, ao qual todos os bahá'ís deveriam se voltar. Ficou conhecido como 'Abdu'l-Bahá ("Servo da Glória"), que por sua vida totalmente devotada ao serviço e à propagação da Causa, os bahá'ís o consideram como o exemplo perfeito ao qual todos os seres humanos devem se espelhar. Ensinou a fé de Bahá'u'lláh para diversos países do oriente e ocidente, deu palestras e explicações a eminentes pesquisadores e filósofos, discursou em Londres, na Universidade de Stanford, Califórnia, no Templo Emmanuel, São Francisco.1

Princípioseditar | editar código-fonte

Todos os ensinamentos bahá'ís giram ao redor de três alicerces principais: a unidade de Deus, unidade de Seus Profetas, unidade da humanidade.

Um só Deuseditar | editar código-fonte

Os Bahá'ís acreditam na existência de um único Deus, o criador de todas as coisas. A existência de Deus é considerada eterna, não tendo começo ou fim. Segundo os ensinamentos Bahá'ís, Deus é inacessível e incognoscível, mas tem consciência de Sua criação, tem uma vontade e propósito. Os ensinamentos Bahá'ís também declaram que Deus não pode ser compreendido pela mente humana.

Os Bahá'ís acreditam que Deus expressa Sua vontade através de uma série de mensageiros divinos referidos por Manifestantes de Deus ou Profetas. Esses Manifestantes estabelecem as bases das grandes religiões mundiais, e os seus ensinamentos são uma forma de Deus educar a humanidade.

Nas Escrituras Bahá'ís, Deus é frequentemente referido por títulos, como "Todo-Poderoso", "Onisciente", "Suprema Sabedoria", "Aquele que subsiste por si próprio".

Uma só Religiãoeditar | editar código-fonte

Símbolo de várias religiões no pilar da Casa de Adoração Bahá'í em Wilmette, Estados Unidos

A despeito de constantes conflitos que há séculos envolvem as religiões na visão de inúmeros expositores, os bahá'ís se apoiam nos próprios ensinamentos dessas religiões para enfatizar que todas as religiões, ao contrário, ensinam o amor e a unidade - sendo a intolerância e o fanatismo origem de tais conflitos.2 É proibido o fanatismo na Fé Bahá'í, o que consistiria em se fechar a dogmas que muitas vezes podem ser mal-interpretados. A luz do princípio de que todas as religiões provém de Deus, os homens podem procurar compreender e desta forma eliminar os preconceitos religiosos.

Cquote1.svg Ó vós que habitais a terra! A religião de Deus visa o amor e união; não a torneis causa de inimizade e conflito... Nutrimos a esperança de que o povo de Bahá possa ser guiado pelas palavras abençoadas: "Vede! Todas as coisas são de Deus!" Esta excelsa afirmação é como água para extinguir o fogo do ódio e da inimizade latente dentro dos corações e peitos dos homens.. Ele, deveras, diz a verdade e mostra o caminho. Ele é o Todo-Poderoso, o Excelso, o Benévolo. 3 Cquote2.svg

A 'religião de Deus', ou 'religião una' descrita através da sucessiva revelação Divina a cada época, foi denominada Revelação Progressiva. De acordo com os bahá'ís, este conceito não é exclusivo da Fé Bahá'í, mas apresentada de diferentes maneiras em todas as religiões. Moisés fez a promessa ao povo de Seu tempo sobre a vinda de um messias, quando Cristo afirmou ser o Prometido, também advertiu a Seu povo sobre a vinda de um Messias. Os escritos bahá'ís delineiam categoricamente as religiões que fazem parte da revelação de Deus: o sabeísmo, hinduísmo, judaísmo, budismo, zoroastrismo, cristianismo, islamismo, fé babí e fé bahá'í.

Sobre a mudança entre as Leis e Ensinamentos de cada Manifestante, Bahá'u'lláh diz:

Cquote1.svg Ó povo! As palavras são reveladas segundo a capacidade, de modo que os principiantes possam fazer progresso. O leite deve ser dado segunda a medida, a fim de que a criancinha deste mundo, possa entrar no Reino da Grandeza e estabelecer-se na Corte da Unidade. Cquote2.svg

Os bahá'ís desenvolvem a ideia de que cada época diferente, exige necessidades diferentes. Assim como as leis de um país precisam evoluir conforme evolui sua sociedade, as Leis de Deus sempre evoluem através das religiões, conforme evolui a humanidade.

Um só Mundoeditar | editar código-fonte

Os Bahá'ís acreditam que o ser humano possui uma "alma racional", na qual provê à espécie uma capacidade única de reconhecer a Deus e a relação da humanidade com seu criador. Todo ser humano é considerado possuidor do dever de reconhecer a Deus através de seus Mensageiros e de Seus ensinamentos. Através do reconhecimento e obediência, serviço à humanidade e práticas espirituais, os Bahá'ís acreditam que a alma pode se aproximar de Deus. Quando um ser humano morre, a alma continua existindo no mundo espiritual próximo ou distante de Deus, descreve a relação entre este mundo e o próximo, não sendo nenhum lugar físico, nem a sujeição a recompensas ou punições.

Os Escritos Bahá'ís enfatizam a igualdade essencial do ser humano e a abolição de todos os tipos de preconceito. A humanidade é considerada essencialmente uma, embora diversificada; esta diversidade de raça e cultura é considerada merecedora de apreciação e tolerância. Doutrinas de racismo, nacionalismo, castas, e classes sociais são impedimentos artificiais da unidade.4 Os ensinamentos Bahá'ís declaram que a unificação da humanidade deve ser assunto principal sobre as condições religiosas e políticas no tempo presente.4

Cquote1.svg Diz o Grande Ser: Ó bem-amados! Ergueu-se o tabernáculo da unidade; não vos considereis uns aos outros como estranhos. Sois os frutos de uma só árvore e as folhas do mesmo ramo. Cquote2.svg
Cquote1.svg Não se vanglorie o Homem em amar a sua pátria, antes tenha ele glória em amar a sua espécie. A terra é um só país e os seres humanos são seus cidadãos.5 Cquote2.svg

Ensinamentoseditar | editar código-fonte

Princípios sociaiseditar | editar código-fonte

Os bahá'ís trabalham para a restauração da vitalidade espiritual da humanidade como um todo através de educação e da conscientização de que o ser humano é um ser espiritual. Os princípios seguintes são frequentemente listados para uma concepção abrangente dos ensinamentos bahá'ís. São derivados das palestras e discursos de `Abdu'l-Bahá quando passou pela Europa e América do Norte. Não sendo estes princípios, portanto, limitados ou definitivos, mas uma breve visualização dos fundamentos da Fé Bahá'í.6

  • Unidade de Deus - A Fé Bahá'í é monoteísta. Só existe um único e verdadeiro Deus, embora adorado com diferentes nomes durante a história da revelação.
  • Unidade da religiões - Na compreensão bahá'í, religião é uma palavra sem plural. Aceitar Baha'u'llah sem aceitar todos os que o precederam, Jesus, Buda, Moisés, etc.. seria contraditório e incoerente.
  • Unidade da humanidade - A Fé Bahá'í é pelo fim de todo e qualquer tipo de preconceito. Isso inclui a extirpação da discriminação racial, da desigualdade entre os gêneros e mesmo quanto ao estilo de vida de cada um. Ainda que se discorde das opções, deve-se cultivar um profundo amor por todo ser humano.
  • Unidade social - O Projeto Bahá'í de mundo inclui o fim dos extremos de riqueza e pobreza e o estabelecimento da paz entre as nações, incluindo a adoção de uma língua auxiliar comum a todos os países. Também é importante a obediência ao governo e o não envolvimento nos jogos de poder dos partidos políticos.
  • Unidade do conhecimento - Os Bahá'ís estimulam a livre busca pela verdade, jamais controlada por clérigos ou qualquer poder moderador. Defendem ainda a harmonia entre ciência e religião e uma educação universal, de qualidade e gratuita em todo o mundo.

Ensinamentos Místicoseditar | editar código-fonte

As escrituras bahá'ís, como as outras religiões, definem que o propósito da vida é o crescimento espiritual. Sendo este um desenvolvimento gradual, como em um embrião no ventre materno, continuando eternamente após a morte. O paraíso referido em muitas escrituras religiosas, é apontado na Fé Bahá'í como metafórico, já que o desenvolvimento é eterno, trata-se apenas de uma definição necessária adotada pelos Profetas anteriores para melhor compreensão dos povos da época. Os budistas, por exemplo, definem como atingir o Nirvana.

Símbolo Bahá'í que representa a conexão de Deus à humanidade

A "Imagem e Semelhança", para os bahá'ís, trata-se dos atributos de Deus que refletem na alma humana, sendo como um espelho na qual reflete a "luz" das perfeições divina, esse espelho, entretanto, deve ser polido de modo que possa refletir mais intensamente tais atributos. Acreditam que através da prática das virtudes como bondade, humildade, honestidade, veracidade, serviço, e assim por diante, o ser humano através da experiência da vida vai gradualmente polindo este 'espelho', tornando-se mais rico em compreensão espiritual.

Os livros mais lidos de Bahá'u'lláh sobre textos místicos são "As Palavras Ocultas", "Os Sete Vales" e "Os Quatro Vales". Os bahá'ís, além dos atos e conduta, desenvolvem a espiritualidade com ajuda de oração e recitação, como também a leitura de textos sagrados. É proibido o monasticismo, considerando que a vida em reclusão nos monastérios não traduz o verdadeiro desenvolvimento espiritual, por outro lado, o trabalho é intensamente recomendado, tido como uma forma de adoração.

Obrigações Bahá'íseditar | editar código-fonte

Apesar de existirem muitas Leis bahá'ís expostas no Kitáb-i-Aqdas, atualmente a Casa Universal de Justiça considera apenas algumas como obrigatórias. Quando uma pessoa se declara Bahá'í ela se compromete a cumprir as seguintes obrigações:

  • Ler e meditar diariamente as escrituras sagradas;
  • Realizar diariamente uma das orações obrigatórias (curta, média ou longa);
  • Repetir 95 vezes do Máximo Nome diariamente;
  • Realizar o jejum bahá'í na época apropriada;
  • Abster-se do uso de drogas e álcool;
  • Realizar a peregrinação aos locais sagrados.

Fé Bahá'í no mundoeditar | editar código-fonte

Fontes Bahá'ís estimam cerca de 5 milhões de adeptos da Fé Bahá'í no mundo.7 , enquanto que similarmente várias enciclopédias estimavam entre 2 a 8 milhões de Bahá'ís no início do século XX. A Enciclopédia Britânica de 1998 estimou 7.6 milhões.8

A Fé Bahá'í é a segunda religião mais espalhada entre as religiões independentes, de acordo com a Enciclopédia Britânica de 1992, levando em consideração o número de países alcançados. A Enciclopédia afirma haver sido a Fé Bahá'í estabelecida em 247 países e territórios; representando cerca de 2.100 grupos étnicos, raciais e tribais; as escrituras bahá'ís foram traduzidas para aproximadamente 800 línguas, possuindo 7 milhões de adeptos no mundo.8 9

O país que possui maior concentração de Bahá'ís é a Índia, com 2,2 milhões de seguidores10 . O segundo é o Irã com cerca de 1 milhão de Bahá'ís11 . No Brasil estima-se 57 mil membros12 .

Administraçãoeditar | editar código-fonte

Edifício sede da Casa Universal de Justiça em Haifa, corpo administrativo da comunidade internacional bahá'í


Por não ter clero, nem sacerdócio a administração da Fé Bahá'í é essencialmente participativa. As atividades são sempre coordenadas por corpos de nove membros eleitos pelos próprios Bahá'ís. Todos os Bahá'ís maiores de 21 anos podem votar e ser votados. Nas eleições Bahá'ís não existe qualquer tipo de candidatura, nomeação, campanha eleitoral ou partidos.

Estes nove membros formam a Assembleias Espirituais Locais, em cada cidade onde os bahá'ís existem no mundo. Estes membros eleitos por sua vez, elegem as Assembleias Regionais, que elegem a Assembleia Nacional. Por fim, os membros eleitos na Assembleia Espiritual Nacional elegem os membros da Casa Universal de Justiça, que é a instituição Suprema da Fé Bahá'í.

Nenhum indivíduo, ao ser eleito em quaisquer das instituições, possui autoridade individual. As decisões são de caráter consultivo e são válidas somente se o "corpo" estiver completo, com o número mínimo de indivíduos (quorum).

A ordem administrativa Bahá'í foi delineada por seu Profeta-Fundador Bahá'u'lláh no Seu Livro Kitáb-i-Aqdas, e por 'Abdu'l-Bahá em A Última Vontade e Testamento.

Shoghi Effendi, recebendo a Guardiania, traduziu diversas obras da literatura Bahá'í, desenvolveu planos globais para a expansão da comunidade Bahá'í e o desenvolvimento do Centro Mundial Bahá'í, criou a estrutura administrativa da religião, preparou a comunidade para a primeira eleição da Casa Universal de Justiça. Morreu em 1957, não havendo necessidade para que um sucessor fosse apontado.

As principais instituições Bahá'ís tem o princípio de instaurar justiça nas comunidades bahá'ís, como descrita nas sagradas escrituras, bem como suprir as necessidades ou resolver problemas locais, nacionais ou internacionais.

Envolvimento na Sociedadeeditar | editar código-fonte

Organização das Nações Unidaseditar | editar código-fonte

Como uma organização não-governamental, a Comunidade Internacional Bahá'í está envolvida em uma série de atividades que diz respeito a construção da paz, direitos humanos, direitos das mulheres, educação, saúde e desenvolvimento sustentável.13 Bahá'u'lláh, em Seus ensinamentos, assinala a necessidade de um governo mundial desta época. Devido a tal ênfase, muitos Bahá'ís escolheram ajudar nos esforço de melhorar as relações internacionais como a Liga das Nações e a Organização das Nações Unidas. A Comunidade Internacional Bahá'í é uma organização sob a direção da Casa Universal de Justiça em Haifa, e possui estatuto consultivo para com as organizações seguintes:

A Comunidade Internacional Bahá'ís possui escritórios na ONU em Nova Iorque e Geneva, e representações nas comissões regionais da ONU e outros escritórios em Addis Ababa, Bangkok, Nairobi, Roma, Santiago e Viena14 . Recentemente um escritório do Programa para o Meio Ambiente e outro para o Fundo de Desenvolvimento para a Mulher foi instituído como parte do Escritório da ONU. A Fé Bahá'í também empreendeu programas comuns de desenvolvimento em várias outras agências das Nações Unidas.

Atividades Bahá'íseditar | editar código-fonte

As instituições bahá'ís desenvolvem planos e ações que englobem todos os indivíduos de sua comunidade, incluindo não-bahá'is. Os atos de serviço são tidos como a forma mais legítima de desenvolvimento espiritual na vida humana. Algumas dessas atividades são reuniões devocionais, aula bahá'í para crianças, grupo de pré-jovens e círculos de estudo, que são abertas ao público. Tais atividades são frequentemente relacionadas à prática do estudo das sequências do livro do Instituto Ruhi, embora não obrigatória. Todas as comunidades bahá'ís se esforçam como meta ter todas essas atividades.

Reuniões Devocionaiseditar | editar código-fonte

Reunião de oração aberta a todas as religiões. O objetivo é o crescimento espiritual e a unidade. É também oportunidade para estar em contato com a Palavra de Deus. O Báb, Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá revelaram orações para diversas ocasiões. As reuniões devocionais são frequentemente abertas nas casas dos bahá'ís, mas não há nenhuma restrição quanto a ser aberta também na casa de não-bahá'ís, como tem sido feito.

Oração para dificuldades:
Cquote1.svg Há quem remova as dificuldades a não ser Deus? Dize: Louvado seja Deus, Ele é Deus, todos são Seus servos e todos aquiescem a Seu mandamento Cquote2.svg
O Báb

Aulas Bahá'ís para Criançaseditar | editar código-fonte

Estas aulas estão abertas a todas as crianças, e incluem música, leituras e jogos didácticos. As crianças aprendem sobre virtudes e excelências, decoram alguns textos sagrados e conhecem algumas histórias de 'Abdu'l-Bahá e de outras figuras.

Grupo de Pré-Jovenseditar | editar código-fonte

Um grupo dinâmico visando o empoderamento espiritual de pré-jovens entre 11 e 14 anos. Seguem uma sequência de livros, e têm como prática atos de serviço que o grupo escolhe.

Círculos de Estudoeditar | editar código-fonte

Os círculos de estudo foi desenvolvido para aproximar um sistemático desenvolvimento entre a educação e o desenvolvimento comunitário. São criados pequenos grupos, no qual completam uma sequência de livros, facilitados por um tutor, uma vez terminado o livro, os participantes podem também se tornar facilitadores para outros grupos.

O Instituto Ruhi é o programa mais utilizado, foi originalmente criado na Colômbia, mas que pelo resultado obtido, foi expandido para uso em muitos países no mundo. Atualmente o Instituto Ruhi é utilizado no mundo todo como parte das atividades estabelecidas pela Casa Universal de Justiça. O primeiro livro da série envolve três temas centrais: Reflexão sobre a vida do espírito, a oração e vida após a morte. Livros subsequentes incluem educação para as crianças, vida das Figuras Centrais da Fé, serviço, e outros.

O Programa atual das atividades bahá'ís inclui outros Institutos que estão gradualmente criando Livros que proporcionem o desenvolvimento pessoal (espiritual) e comunitário, com base nos ensinamentos bahá'ís, estes novos livros (cerca de 23) criam a oportunidade para a criação de grupos também para pré-jovens.

Ruhi (que significa do espírito) é a sequência mais utilizada. Criado originalmente na Colômbia, tendo sido adotado pelo mundo todo, consiste atualmente em 7 cursos, cada curso possui um livro com temas específicos baseados nos escritos Bahá'ís, tais como oração, educação, história, e assim por diante.

Convenções e práticas Sociaiseditar | editar código-fonte

Calendárioeditar | editar código-fonte

O calendário bahá'í é um calendário solar com 365 dias. Os anos são compostos por 19 meses de 19 dias cada, adicionado a um período chamado "Dias Intercalares" (são 4 dias, e 5 quando é ano bissexto), entre o 18° e o 19° mês (26 de Fevereiro a 1 de Março). O Ano, no calendário bahá'í, começa no equinócio de outono no hemisfério sul (no dia 21 de Março do calendário gregoriano). O dia inicia-se e termina no pôr do Sol.

O calendário bahá'í foi instituído pelo Báb, posteriormente confirmado por Bahá'u'lláh. Cada mês possui um nome específico, simbolizando atributos de Deus.

Símboloseditar | editar código-fonte

Um dos símbolos utilizados na Fé Bahá'í é uma estrela de nove pontas que representam as nove religiões monoteístas: Sabeismo, Hinduísmo, Judaísmo, Zoroastrismo, Budismo, Cristianismo, Islamismo, Fé Babí e Fé Bahá'í.

Os números 8 e 9 são muito reverenciados pelos Bahá'ís, pelo fato de que este número aparece várias vezes na história Bahá'í, como o período entre a revelação do Báb (1844) e a de Bahá'u'lláh (1853), e principalmente pelo valor numérico da palavra Bahá` em Árabe. Além de representar por muitos o número da perfeição, ou o número de maior dígito. No Monte Carmelo, no Centro Mundial Bahá'í em Haifa, há quantidade considerável de estrelas de 8 pontas - a estrela de 8 pontas representa a religião islâmica, cuja base arquitetônica foi utilizada no Petronas Towers, na Malásia - que também é usualmente utilizada para representar a religião Bahá'í.

Casamentoeditar | editar código-fonte

Casamento Bahá'í é a união de um homem e uma mulher. Propõe uma essência espiritual na união dos cônjuges, de modo que esta seja harmoniosa e que permita o desenvolvimento espiritual de ambos. Os ensinamentos Bahá'ís confirmam a santidade do matrimônio, previsto em religiões anteriores, e classifica tal união como uma fortaleza para o bem-estar e salvação, colocando o casamento e a família como base na estrutura da sociedade humana.

"O casamento bahá'í é o compromisso recíproco das duas partes, e sua ligação mútua de coração e mente. Cada um deve, porém, exercer o máximo cuidado para familiarizar-se totalmente com o caráter do outro, para que o firme convênio entre eles seja um laço que dure para sempre. Seu propósito deve ser este: tornarem-se amorosos companheiros e camaradas, unidos um ao outro por todo o sempre. ...
O verdadeiro casamento de bahá'ís é este: que o marido e a mulher estejam unidos física e espiritualmente, que sempre melhorem a vida espiritual um do outro, e que desfrutem de unidade sempiterna em todos os mundos de Deus."
('Abdu'l-Bahá, Seleção dos Escritos de 'Abdu'l-Baha)

Casas de adoraçãoeditar | editar código-fonte

Casa de adoração Baha'í em Nova Déli

Os templos Bahá'ís têm todos nove entradas, pela simbologia da estrela e de que o número nove é o maior dígito, o número da perfeição.

Assim conhecidas como Casas de Adoração pelos bahá'ís, esses templos são construídos unicamente para a realização de orações. Não havendo nenhuma espécie de culto, é permitido a livre entrada de pessoas de todas as religiões. Lá, cada indivíduo é incentivado a recitar as palavras reveladas por Deus, sejam estas de Krishna, Moisés, Zoroastro, Buda, Cristo, Maomé, Báb ou Bahá'u'lláh.

Um dos templos mais conhecidos e visitados é o templo da Índia em Nova Delhi, sua arquitetura simboliza uma flor de lótus.

Os templos bahá'ís simbolizam a Unidade de Deus, Unidade de todos os Seus profetas e Unidade da Humanidade.

Perseguiçãoeditar | editar código-fonte

Os Bahá'ís continuam sendo perseguidos em diversos países islâmicos, principalmente no Irã, onde cerca de 200 bahá'ís foram mortos entre 1978 e 1998, em reflexo ao histórico genocídio de 20.000 babís e bahá'ís entre 1850 e 1863, onde tanto governo como civis compactuaram com o crime.

Em 16 de dezembro de 2006, o Conselho Administrativo Supremo do Egito criou uma lei contrária a identificação da Fé Bahá'í em documentos oficiais, tornando impossível a aquisição de documentos necessários como certidão de nascimento, atestado de óbito e carteira de identidade. Eles também perdem a garantia de emprego, educação, tratamento médico ou voto, entre outros.15 O Diretor do EIPR (Iniciativa Egípcia para Direitos Pessoais) Hossam Bahgat, declarou que agora a decisão é da corte do governo, e que este deve "encontrar uma solução para que centenas de cidadãos consigam obter documentos oficiais que reconheçam sua fé, possível por cinco décadas, até que o governo recentemente decide mudar a política e forçá-los a escolher entre o Islamismo e o Cristianismo."15

Desde a Revolução Islâmica em 1979, os Bahá'ís iranianos tem tido frequentemente casas saqueadas, banidos de ingressar em universidades16 ou empregos públicos, e centenas de prisões sem justificativa aparente, frequentes desaparecimentos e falta de julgamentos justos tem acometido esta minoria religiosa; recentemente tendo sido proibidos das práticas de círculos de estudo. 17 18 Diversas vezes locais sagrados da Fé Bahá'í têm sido demolidos, como a casa de Mirzá Buzurg, pai de Bahá'u'lláh. A casa do Báb em Shiraz foi destruída duas vezes, sendo um dos três locais de peregrinação dos Bahá'ís.6

Mesmo atualmente a situação é degradante para os bahá'ís, a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas revelou letra confidencial do comando das forças armadas do Irã de outubro de 2005 que diz sobre identificar Bahá'ís e monitorar suas atividades19 e em novembro de 2005 os jornais state-run e influential Kayhan, cujo editor é apontado como sendo controlado pelo líder supremo do Irã, Ayatollah Khamenei, publicaram perto de 13 dúzias de artigos que difamam a Fé Bahá'í.20

Devido a estas ações, a Comissão de Direitos Humanos da ONU em 20 de março de 2006 declara que "as informações adquiridas como resultado do monitoramento será usado como base para aumentar a perseguição, e discriminação contra membros da Fé Bahá'í, em violação aos padrões internacionais." Ainda segundo a instituição, os últimos acontecimentos indicam que a situação em relação às minorias religiosas no Irã estão piorando.

A ONU, bem como órgão Supremo da Fé Bahá'í, A Casa Universal de Justiça, tem realizado esforços para diminuir a violência e discriminação religiosa em muitos países, especialmente no Irã.

Referências

  1. 'Abdu'l-Bahá, O Segredo da Civilização Divina, 2003 ISBN 85-320-0079-7
  2. Esslemont, John E., Bahá'u'lláh e a Nova Era,('Nova Era' não está relacionado a movimento de nome similar) ISBN 85-320-0022-3
  3. Bahá'u'lláh, Epístolas de Bahá'u'lláh, Editora Bahá'í do Brasil
  4. a b (em inglês)Bahá'í_Faith, Tradução da Wikipédia em inglês, Human beings
  5. 'Abdu'l-Bahá, Esplendor da Verdade, introdução, citação de Bahá'u'lláh registrado por E.G. Browne
  6. a b (em inglês)Fé Bahá'í, Artigo Bahá'í da Wikipédia versão inglesa
  7. The Bahá'ís,Site Oficial Internacional Bahá'í
  8. a b (em inglês)Major Religions Ranked by Size, Quantidade de adeptos da Fé Bahá'í
  9. (em inglês)Encyclopedia Britannica
  10. BahaiIndia.org,Site Oficial Bahá'í da Índia
  11. Conforme Enciclopédia Colúmbia de 1993, vide demography em (em inglês)[en.wikipedia.org/wiki/Bahai]
  12. Portal da Fé Bahá'í no Brasil,Site Oficial Bahá'í do Brasil
  13. (em inglês)Bahá'í Topics, A Comunidade Internacional Bahá'í e as Nações Unidas
  14. (em inglês)Bahá'í Statement Library, História de Cooperação Ativa da Comunidade Internacional Bahá'í com as Nações Unidas
  15. a b Sobre os direitos dos Bahá'ís no Egito (visitado a 26/12/2006)(em inglês)Egyptian Initiative for Personal Rights, Sobre a necessidade do Governo do Egito em encontrar uma solução para o reconhecimento dos bahá'ís como cidadãos egípcios
  16. Portas Fechadas, Matéria sobre campanha no Irã para negar educação superior aos bahá'ís (visitado a 26/12/2006)
  17. Sears, William - Quando o Coração Grita, O Genocídio dos Bahá'ís no Irã
  18. (em inglês)PDF, Discriminação contra minorias religiosas no Irã (baixado em 26/12/2006)
  19. (em inglês)tratamento aos seguidores da Fé Bahá'í no Irã(visitado a 26/12/2006)
  20. (em inglês)The Bahá'ís, Lista e Análise de recentes ataques da Mídia no Irã (visitado a 26/12/2006)
  • ´Abdu'l-Bahá. O Segredo da Civilização Divina. 1 ed. [S.l.]: Editora Bahá'í do Brasil, 2003. 137 p. ISBN 85-320-0079-7
  • Esslemont, John E.. Bahá'u'lláh e a nova era. 7 ed. São Paulo, SP: Editora Bahá'í do Brasil, 1928. 290 p. ISBN 85-320-0022-3
  • Bahá'u'lláh. Epístolas de Bahá'u'lláh: Reveladas após o Kitáb-i-Aqdas. 2 ed. [S.l.]: Editora Bahá'í do Brasil, 1983. 301 p.
  • ´Abdu'l-Bahá. Respostas a Algumas Perguntas. [S.l.]: Editora Bahá'í do Brasil, 2001. ISBN 85-320-0063-0
  • Sears, William. Quando o Coração Grita: O Genocídio dos Bahá'ís no Irã. [S.l.]: Editora Bahá'í do Brasil. 234 p.

Ligações externaseditar | editar código-fonte

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Fé bahá'í
O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Fé bahá'í










Creative Commons License