Farmácia

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Um farmacêutico em atuação.

Farmácia, em termos gerais, é a ciência praticada por profissionais formados em uma faculdade de farmácia (farmacêuticos), tem como objeto de estudo o fármaco e seus usuários, e como objetivo a pesquisa, desenvolvimento e produção de novos medicamentos, utilizando-se como fonte plantas, animais, seres vivos em geral e minerais, estudo da manipulação de fármacos, criação e aplicação de métodos de controle de qualidade, estudo de formas de aplicação de orientação ao usuário quanto ao uso racional do medicamento, criação e aplicação de métodos de identificação e dosagem de tóxicos.

No Brasil, junto com os primeiros colonizadores vieram o barbeiro-cirurgião, o aprendiz-de-boticário e os jesuítas que traziam consigo a caixa de botica, uma arca de madeira contendo medicamentos. Ela também estava presente em todas as embarcações que atravessavam o Atlântico, nas entradas e bandeiras e expedições militares navais ou terrestres. Aos poucos, as lojas de boticas foram se estabelecendo nos núcleos mais populosos e sofriam a concorrência das lojas de barbeiros. Outros concorrentes até o século XIX eram os padeiros, os ourives, os negociantes de fazendas secas. Contudo, a manipulação de medicamentos passou com o tempo a ser efetuada apenas pelas boticas. Os primeiros boticários eram pessoas de origem humilde, filhos de boticários, pedreiros, carpinteiros, alfaiates, etc. Apenas no século XVIII começaram a se estabelecer no Brasil boticários devidamente preparados para a função.1

Em Portugal exercem em Farmácia obrigatoriamente na categoria de Farmacêuticos - os Farmacêuticos Licenciados em Farmácia (antigo curso universitário de 6 anos) e Ciências Farmacêuticas (antiga Licenciatura de 6 anos - pré-Bolonha, actual Mestrado Integrado de 5 anos - pós-Bolonha). Na categoria de técnicos, actuam dois profissionais - os técnicos de farmácia, Licenciados em Farmácia (presente curso politécnico de 4 anos) e Técnicos de Farmácia (grau adquirido após o registo de prática até 1999). A profissão de técnico de farmácia é regulamentada pelo Departamento da Modernização e Recursos da Saúde do Ministério da Saúde. A ciência que trata das bases para a farmácia de oficina é, entre outras, a farmacologia, farmácia clínica, farmácia galénica e farmacoterapia. Em relação aos ajudantes de farmácia, as suas funções de atendimento nas farmácias são consideradas ilegais.

Farmacêuticoeditar | editar código-fonte

Uma farmácia histórica.

Os farmacêuticos são profissionais da saúde, especialistas no preparo e utilização de medicamentos e suas consequencias ao organismo humano ou animal. De uma maneira geral, podem trabalhar numa farmácia, hospital, na indústria, em laboratórios de análises clínicas, desenvolver novos medicamentos, praticar acupuntura, entre outras funções e lugares.

Em Portugal, o primeiro documento conhecido sobre a profissão data de 1449 e é um alvará do El-Rei D. Afonso V liberando mestre Ananias e boticários árabes para exercerem a atividade.1


Curso de formação em Farmácia no Brasileditar | editar código-fonte

Uma farmácia moderna.

Embora tenha sido encontrado na Torre do Tombo, em Lisboa documento de 1799 que estipulava a criação da disciplina de fármacia, em São Paulo, acredita-se que a matéria só passou a ser lecionada com a chegada da Família Real no século seguinte.1

No Brasil, Farmácia é um curso de graduação que forma profissionais da saúde com pensamento crítico e humanístico, comprometido com a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde individual e coletiva; capacidade técnica e ética para desenvolver as atividades do exercício profissional farmacêutico, com ênfase nas áreas de medicamentos,alimentos e análises clínicas.

Os cursos de Farmácia brasileiros possuem carga horária mínima de 4.000h e devem ser autorizados e reconhecidos pelo Ministério de Educação (MEC).

Na legislação anterior, Resolução nº 04 de 11/04/1969, o farmacêutico possuía uma formação básica voltada à farmácia e três habilitações:

  • Habilitação em Indústria: A qual a formação seria Farmacêutico Industrial.
  • Habilitação em Bioquímica: Opção I - Alimentos: direcionada às análises bromatológicas, formando o Farmacêutico-Bioquímico de Alimentos; Opção 2 - Análises Clínicas: direcionada às análises clínicas, formando o Farmacêutico-Bioquímico (Analista Clínico).

O acadêmico tinha a possibilidade de complementar o seu curso com todas as disciplinas das diferentes habilitações, podendo exercer as três modalidades de habilitação acrescidas à formação básica de farmacêutico. Esse tipo de formação deixou de acontecer nos últimos anos.

Com a Resolução n.º 02 da Câmara de Educação Superior (CES) do Conselho Nacional de Educação (CNE) do Ministério da Educação, aprovada em 19 de fevereiro de 2002, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia, criou-se o “farmacêutico com formação generalista”, incorporando à formação primária de farmacêutico todas as habilitações, não havendo mais a diferenciação entre farmacêutico simples, farmacêutico-bioquímico, farmacêutico industrial.

Portanto, não são mais autorizados cursos que contenham as antigas habilitações em Farmácia-Bioquímica (modalidade bioquímica e alimentos) e Farmácia Industrial, existindo somente a categoria de Farmacêutico Generalista. Os cursos que ainda mantém essa estrutura curricular estão sendo adaptados para o novo modelo, de acordo com as diretrizes curriculares do MEC.

O farmacêutico desenvolve atividades em farmácia comercial, privativa e hospitalar; drogaria; distribuidora de medicamentos; indústria de medicamentos alopáticos; indústria de saneantes e domissanitários, indústria de cosméticos e perfumes; laboratórios de análises clínicas e toxicológicas; produção; controle e análise de alimentos. Está capacitado para atuar na pesquisa; desenvolvimento; seleção, manipulação, produção, armazenamento e controle de qualidade de insumos; fármacos; sintéticos; recombinantes e naturais; medicamentos; cosméticos; saneantes e domissaneantes; e correlatos.

O farmacêutico atua em órgãos de regulamentação e fiscalização do exercício profissional e de aprovação; registro e controle de medicamentos; cosméticos, saneantes, domissaneantes e correlatos; atua na avaliação toxicológica de medicamentos, cosméticos, saneantes, domissaneantes, correlatos e alimentos; realiza, interpreta, emiti laudos e pareceres e responsabiliza-se tecnicamente por análises clínico-laboratoriais, incluindo exames hematológicos, citotógicos, citopatológicos e histoquímicos, biologia molecular, bem como análises toxicológicas, dentro dos padrões de qualidade e normas de segurança; realiza procedimentos relacionados à coleta de material para fins de análise laboratoriais e toxicológicas.

As atividades regulamentadas pelo Conselho Federal de Farmácia como áreas de atuação do farmacêutico brasileiro são: Acupuntura - Administração de laboratório clínico - Administração farmacêutica - Administração hospitalar - Análises clínicas - Assistência domiciliar em equipes multidisciplinares - Atendimento pré-hospitalar de urgência e emergência - Auditoria farmacêutica - Bacteriologia clínica - Banco de cordão umbilical - Banco de leite humano - Banco de sangue - Banco de Sêmen - Banco de órgãos – Biofarmácia - Biologia molecular - Bioquímica clínica – Bromatologia - Citologia clínica - Citopatologia – Citoquímica - Controle de qualidade e tratamento de água, potabilidade e controle ambiental - Controle de vetores e pragas urbanas – Cosmetologia - Exames de DNA - Farmacêutico na análise físico-química do solo - Farmácia antroposófica - Farmácia clínica - Farmácia comunitária - Farmácia de dispensação - Fracionamento de medicamentos - Farmácia dermatológica - Farmácia homeopática - Farmácia hospitalar - Farmácia industrial - Farmácia magistral - Farmácia nuclear (radiofarmácia) - Farmácia oncológica - Farmácia pública - Farmácia veterinária - Farmácia escola - Farmacocinética clínica – Farmacoepidemiologia – Fitoterapia - Gases e misturas de uso terapêutico - Genética humana - Gerenciamento de resíduos dos serviços de saúde – Hematologia clínica – Hemoterapia – Histopatologia – Histoquímica – Imunocitoquímica - Imunogenética histocompatibilidade – Imunohistoquímica - Imunologia clínica - Imunopatologia - Meio ambiente, segurança no trabalho, saúde ocupacional e responsabilidade social - Micologia clínica - Microbiologia clínica - Nutrição parenteral - Parasitologia clínica - Saúde pública - Toxicologia clínica - Toxicologia ambiental - Toxicologia de alimentos - Toxicologia desportiva - Toxicologia farmacêutica - Toxicologia forense - Toxicologia ocupacional - Toxicologia veterinária - Vigilância sanitária - Virologia clínica.

Disciplinas que compõem a Ciência Farmacêuticaeditar | editar código-fonte

Anatomia humana, embriologia humana, histologia, genética, fisiologia, imunologia geral e clínica, patologia, parasitologia geral e clínica, bioestatística, epidemiologia, farmacoepidemiologia, microbiologia geral e clínica, micologia, virologia, hematologia clínica, biofísica, química geral, química orgânica, química inorgânica, química analítica qualitativa e quantitativa, análise orgânica, química farmacêutica, matemática aplicada à farmácia, biofísica, físico-química, bioquímica clínica, biologia molecular, botânica, farmacognosia, fitoquímica, farmacologia, farmacocinética, farmacodinâmica, farmacotécnica, farmacoterapêutica, líquidos corporais, identificação e análise de matéria prima de medicamentos, toxicologia, higiene social, saúde coletiva, dispensação farmacêutica, administração/economia, deontologia/legislação farmacêutica, atenção farmacêutica, controle de qualidade biológico e fisíco-quimíco, tecnologia farmacêutica de cosméticos, homeopatia, farmácia hospitalar, Gestão de Empresas Farmacêuticas e bromatologia.


Símboloseditar | editar código-fonte

A cobra enrolada na taça.
Cruz verde, usada em Portugal.
  • A cobra enrolada na taça é conhecida como o símbolo da farmácia, e tem origem na Antigüidade grega. Segundo as literaturas antigas, o símbolo da farmácia ilustra o poder (taça) da cura (cobra). Existe a lenda que conta que uma cobra enrolou-se no cajado de Hipócrates e quando estava para picá-lo, ele olhou para a serpente e disse: “se queres me fazer mal, de nada adiantará que me firas, pois tenho no corpo o antídoto contra tua peçonha. Se estás com fome, te alimentarei”. Então ele pegou a taça onde fazia misturas de ervas medicinais, colocou leite e ofereceu à serpente, esta desceu do cajado, enrolou-se na taça e bebeu o leite. Desta forma criou-se o símbolo da medicina (a cobra envolvendo o cajado) e o símbolo da farmácia (a cobra envolvendo a taça).

Outra lenda sobre a origem do símbolo de farmácia está relacionada à morte de Esculápio (deus da saúde na mitologia greco-romana, também denominado por Asclépio) fulminado por um raio lançado por Zeus como punição por ressuscitar mortos pelo poder das ervas, arte aprendida com o centauro Quiron. Com a morte de Esculápio, a cobra enrolada em seu cajado, símbolo de seu poder sobre as doenças, foi adotada por Hígia, filha de Esculápio que passou a ser a deusa responsável pela saúde dos homens, tendo o cálice com a cobra enrolada como símbolo de seu poder sobre as doenças.

  • Pedra - No Brasil, o Conselho Federal de Farmácia, em sua resolução no. 471 de 28 de fevereiro de 2008, estabelece o Topázio Imperial Amarelo como a pedra oficial da Farmácia.
  • Cruz grega verde - Em Portugal e alguns outros países, usa-se uma cruz grega verde para assinalar uma farmácia.


Ver tambémeditar | editar código-fonte


Referências

  1. a b c Santos Filho, Licurgo de Castro. História geral da medicina brasileira. São Paulo: HUCITEC; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1977. 436p.


Ligações externaseditar | editar código-fonte

Saiba mais sobre Farmácia
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