Fortaleza de São João Baptista de Ajudá

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Fortaleza de Ajudá, Benim.

A Fortaleza de São João Baptista de Ajudá, também conhecida como Feitoria de Ajudá ou simplesmente Ajudá, localiza-se na cidade de Uidá, na costa ocidental africana, atual República de Benim.

Históriaeditar | editar código-fonte

Bartholomew Roberts captura embarcações no porto de Ajudá (1722).
Planta do forte francês de Ajudá (1747).
Francisco Félix de Sousa (antes de 1849).

As costas da Mina e a da Guiné foram percorridas por navegadores portugueses desde o século XV, que, com o tempo, aí passaram a desenvolver importante comércio, principalmente de escravos africanos. É desse período que data a ascensão do antigo reino de Daomé e a importância de sua capital, Abomei (ou Abomé).

Ao final do século XVIII, o rei D. Pedro II de Portugal (1667-1705) determinou ao Governador de São Tomé e Príncipe, Jacinto de Figueiredo e Abreu, erguer uma fortificação na povoação de Ouidah, para proteger os embarques de escravos (1680 ou 1681). Posteriormente abandonado em data incerta, foi sucedido entre 1721 e 1730 por uma nova estrutura, com as obras a cargo do comerciante brasileiro de escravos José de Torres. Sob a invocação de São João Baptista, a construção do forte de Ouidah (Ajudá) foi financiada por capitais levantados pelos comerciantes da capitania da Bahia, mediante a cobrança de um imposto sobre os escravos africanos desembarcados na cidade do Salvador.

Concluído, funcionou como centro comercial para a região, trocando tabaco, búzios e aguardente brasileiros, e mais tarde, quando o esquema do tráfico se alterou, oferecendo produtos manufaturados europeus, contrabandeados do Brasil, uma vez que a Coroa portuguesa não permitia que tais itens fossem transportados em navios provenientes do Brasil.

Em janeiro de 1722 o pirata Bartholomew Roberts ("Black Bart") penetrou no seu porto e capturou todas as onze embarcações ali fundeadas.

No final do século XIX a costa ocidental africana foi ocupada pelos ingleses, que ali estabeleceram importantes entrepostos, que passaram a ser defendidos pelas guarnições das fortificações antes pertencentes a Portugal, entre as quais a de São João Baptista de Ajudá.

Em 1911, após a Proclamação da República Portuguesa, o novo governo mandou retirar permanentemente a guarnição militar destacada para o forte de São João Baptista, substituindo-a pela presença de dois funcionários coloniais.

O Daomé tornou-se uma colônia francesa a partir de 1892, obtendo independência em 1 de agosto de 1960, quando se transformou em República do Benim. No ano seguinte, tropas do Benim invadiram Ouidah, então uma dependência da colônia portuguesa de São Tomé e Príncipe, intimando os ocupantes portugueses do forte a abandoná-lo até 31 de Julho do mesmo ano. Sem condições para oferecer resistência, o governo de Oliveira Salazar ordenou ao último residente da praça que a incendiasse antes de a abandonar, o que foi cumprido na data-limite.

Em 1965 foi promovido o encerramento simbólico do forte pelas autoridades do Daomé, vindo as suas dependências a sediar o Museu de História de Ouidah, sob administração da República do Benim (1967).

A anexação foi reconhecida por Portugal em 1985, tendo os trabalhos de recuperação e restauro sido desenvolvidos em 1987, com orientação e recursos da Fundação Calouste Gulbenkian.

A grande descendência deixada por um dos escrivães da fortaleza no século XIX, Francisco Félix de Souza, inspirou um romance do escritor britânico Bruce Chatwin intitulado O Vice Rei de Ajudá. Espalhados atualmente por toda a África, os De Souza têm dado várias figuras de destaque ao Benim. Uma das grandes avenidas de Cotonou, a capital económica, chama-se Avenida Monsenhor De Souza.

Relação de Governadores da Praçaeditar | editar código-fonte

Início Fim Nome Observações
1680  ? Jacinto de Figueiredo e Abreu Governador de São Tomé e Príncipe, instruído a erguer um forte na povoação africana de Oiudá.
 ?  ? Abandonado por forças portuguesas
1721 1730 Francisco Pereira Mendes Governador, funda o Forte de São João Baptista de Ajudá, subordinado ao Estado do Brasil
1730 1730 Sob a administração da Companhia do Cacheu e Cabo Verde
1730 1732 Francisco Pereira Mendes Governador
 ? 1736 Manuel Correia da Cunha Governador
 ? 1743 João Basílio Governador
 ? 1746 Pe. Martinho da Cunha Barbosa Governador interino
1746 1746 Francisco Nunes Pereira Usurpou as funções
1746 1746 Frei Francisco do Espírito Santo Governador interino
1746 1746 Francisco Nunes Pereira Usurpou novamente as funções
1746  ? Filipe José de Gouveia Governador
 ? 1752  ? Governador
1752 1759 Tenente Teodósio Rodrigues da Costa Governador
1759 1760 Almoxarife António Nunes de Gouveia Governador interino
1760  ? Capitão Félix José de Gouveia Governador
 ? 1790  ? Governador
1790 1797 Francisco António da Fonseca e Aragão
abril de 1797  ? Capitão Manuel Bastos Varela Pinto Pacheco
1804 1806 Jacinto José de Sousa1
1806  ? Francisco Félix de Sousa, Chachá I1 Governador interino devido a morte do governador anterior, seu irmão. Comerciante de escravos nascido em Salvador, na Bahia.
 ? 1817  ? Governador
1817  ? Francisco Félix de Sousa, Chachá I Segundo período
1844 1845 Segundo-Tenente (Alferes) Joaquim José Libânio Governador
1845 1849 Francisco Félix de Sousa, Chachá I Terceiro período
1849  ? Tenente Quaresma Governador
1851 1851 Alferes Elerpech Governador
1851 8 de Maio de 1858 Isidoro Félix de Sousa, Chachá II Governador subalterno, filho de Francisco Félix de Souza, Chachá I
1852 1853 Segundo-Tenente (Alferes) João Justino da Costa Governador
1853 1858 Escrivão José Pinheiro de Sousa o Itaparica, a título pessoal
1858 1858 Francisco Félix de Sousa, Chachá III Governador, filho de Francisco Félix de Sousa, Chachá I
1858 1861 Abandonado por forças portuguesas
1861 1865 Cedido pelo soberano do Daomé a missionários franceses
23 de Fevereiro de 1865 Reclamado por Portugal, através do Governador de São Tomé e Príncipe
1865 1868 Segundo-Tenente (Alferes) José Maria Borges de Sequeira Governador, sujeito à autoridade do Chachá III, Francisco Félix de Sousa
1868 1869 Segundo-Tenente (Alferes) Vital de Bettencourt e Vasconcelos Côrte Real do Canto Governador
1869 1872 Abandonado por forças portuguesas
 ? 1872  ? Alferes António Joaquim Governador
 ? 1878 Tenente Augusto Frutuoso de Figueiredo de Barros Governador
1878 1879 Alferes Lourenço da Rocha
1879 1881 Tenente António José Machado Governador
1881 1883 ? Governador
1883 1885 Tenente Fernando Gonçalves Governador
1885 1885 Tenente Bernardo Francisco Luís da Cruz Governador, não chegou a tomar posse
1885 1885 Tenente José Gomes de Sousa Governador
1885 1886 Tenente Francisco Rego Governador
1886 1887 Major António Domingues Cortez da Silva Curado Governador
1887 1888 Alferes Manuel Francisco Rodrigues Guimarães Governador
1888 1888 Capitão Vicente da Rosa Rolim Governador, não chegou a tomar posse
1888 1890 Alferes Manuel José Ferreira dos Santos Governador
1890 1890 Alferes Carolino Acácio Cordeiro Governador
1890 1893 Capitão Vicente da Rosa Rolim
1893 1893 Alferes Manuel José Ferreira dos Santos Governador, não chegou a tomar posse
1893  ? Capitão Vicente da Rosa Rolim Pela segunda vez
1897 1898 Tenente de Campos Governador
1898  ? Tenente Nunes de Aguiar Governador
1900  ? Tenente António Mendes da Costa Governador
 ? 1905 Tenente João de Deus Pires Governador
1905 1906 Alferes Joaquim Luís de Carvalho Governador
1906 1909  ? Governador
1909 1911 Tenente Sebastião Lousada Governador
1911 1911 Tenente Cândido João de Barros Governador
1911 1912 Alferes Guilherme Spínola de Melo Governador
1912  ?  ? Governador
 ? 1928 Tenente Viriato Henrique dos Anjos Garcez Governador
1928 1931 Capitão Joaquim Sinel de Cordes Governador
1932 1938 Capitão Miguel Maria Pupo Correia Governador
1938 1941 Capitão José Pimenta Segurado de Avelar Machado Governador
1941 1942 Dr. Jean Louis Bourjac Governador auto-proclamado (sem o reconhecimento de Portugal)
1942 1944 Segundo Oficial da Curadoria dos Serviçais e Colonos José Aníbal de Vasconcelos e Sá Guerreiro Nuno Governador interino
1944 1946 Capitão Carlos Alberto de Serpa Soares Governador
1946 1946 Segundo Oficial José Aníbal de Vasconcelos e Sá Guerreiro Nuno Governador, pela segunda vez
1946 1951 Capitão Miguel Maria Pupo Correia Governador, pela segunda vez
1951 1954 Administrador de Circunscrição de 3.ª Classe António João Teles Pereira de Vasconcelos Administrador
1954 1956 Administrador de Circunscrição de 1.ª Classe Ernesto António Pereira Enes Administrador
1956 1 de Agosto de 1961 António Agostinho Saraiva Borges Intendente

Referências

Bibliografiaeditar | editar código-fonte

  • TAVARES, António José Chrystêllo. São João Baptista de Ajudá face ao conflito Franco-Daomeano de 1892. Ancara: s.e., 1998.

Ver tambémeditar | editar código-fonte

Ligações externaseditar | editar código-fonte









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