Herberto Sales

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Herberto Sales Academia Brasileira de Letras
Nome completo Herberto de Azevedo Sales
Nascimento 21 de setembro de 1917
Andaraí
Morte 13 de agosto de 1999 (81 anos)
Rio de Janeiro
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação Jornalista, contista, romancista e memorialista

Herberto de Azevedo Sales (Andaraí, 21 de setembro de 1917Rio de Janeiro, 13 de agosto de 1999) foi um jornalista e escritor brasileiro.

Biografiaeditar | editar código-fonte

Era filho de Heráclito Sousa Sales e de Aurora de Azevedo. Estudou o ensino fundamental em Andaraí, antiga cidade mineradora da Chapada Diamantina. Foi para Salvador a fim de cursar o ginasial no Colégio Antônio Vieira, de jesuítas, onde seu talento foi observado pelos professores, dentre os quais o Padre Cabral - que já tivera igualmente incentivado os talentos de Anísio Teixeira e Flávio Neves, em Caetité (cidade natal de ambos e onde o jesuíta dirigira o colégio "São Luís Gonzaga") e depois de Jorge Amado.

Apesar do ambiente favorável, Herberto abandonou os estudos no quinto ano, retornando para a cidade natal, onde viveu até 1948, trabalhando como oficial de Cartório. Trabalhou, ainda, como garimpeiro e comerciante, atividades que lhe deram a base e conhecimento para sua primeira obra.

Ali escreveu e publicou, em 1944, seu romance de estréia, Cascalho, baseado na vida dos mineradores de diamantes e considerado um clássico do regionalismo literário. O impacto dessa publicação o colocou no cenário intelectual, fazendo-o mudar-se para o Rio de Janeiro, então capital da República, onde passa a laborar como jornalista em diversos órgãos da imprensa, com destaque para a revista O Cruzeiro que, durante décadas, foi o mais importante periódico do Brasil.

Em 1974 muda-se para Brasília, onde ocupa a função de diretor no Instituto Nacional do Livro. No governo José Sarney é nomeado assessor da Presidência da República, até quando, em 1986 foi a Paris, na condição de adido cultural da Embaixada do Brasil.

Quando volta ao país, busca o isolamento na pequena cidade de São Pedro da Aldeia. Era casado com Maria Juraci Xavier Chamusca Sales, com quem teve três filhos.

Cascalhoeditar | editar código-fonte

A história do romance foi curiosa e digna de registro, assim feito por Carlos Heitor Cony, que o sucedeu na Academia [1]:

"Publicado em 1944, quando Herberto Sales tinha 27 anos, "Cascalho" é o imenso romance que logo se colocou ao lado das grandes obras do nosso ciclo nordestino, iniciado com José Américo de Almeida e prolongado por Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado e Rachel de Queiroz.
Morando em Andaraí, na região da Chapada Diamantina, Herberto correspondia-se com Marques Rebelo, mas nunca comunicou-lhe que estava escrevendo um romance. Com mais de 650 páginas, enviou o livro a um concurso coordenado pela "Revista do Brasil", da qual Aurélio Buarque de Holanda era secretário. Na obsessão de catar regionalismos, Aurélio examinou o original e surpreendeu-se com a qualidade do texto. Sendo vizinho de Marques Rebelo, com ele comentou a obra que estava lendo. Ficou admirado ao saber que o autor de "Marafa" correspondia-se com o autor.
Herberto decidira encerrar a carreira literária que sequer começara. Juntara gravetos no quintal da casa de sua família, rasgara em quatro partes as 650 páginas da cópia que lhe restara. Queimara tudo. Aurélio sabia que o original enviado ao concurso seria jogado fora e decidiu ficar com ele, a fim de catar os vocábulos regionais que mais tarde enriqueceriam seu dicionário.
Quando Herberto escreveu a Rebelo, comunicando-lhe que queimara a cópia única do livro, foi surpreendido com a revelação de que o original continuava com Aurélio. Não foi difícil encontrar uma brecha no mercado editorial da época." (links adicionados)

Excertoeditar | editar código-fonte

"Sente-se apanhado irrevogavelmente na armadilha: ia morrer como um bicho - sem vela nem sentinela - e esse pormenor lhe causava uma espécie de decepção. Por mal dos pecados, sua candeia apagara-se: mais pelo instinto que por outra coisa, avançava através da escuridão do lapeiro. Evidentemente, os outros gruneiros tinham fugido com muita rapidez ao ser dado o alarma, pois, do contrário, também estariam lutando ali para não morrer: isso lhe parecia de certo modo injusto. Enterra os pés na areia, para dar impulso ao corpo. Tem vontade de gritar, mas não o faz, por considerar essa idéia totalmente inútil: no bojo da gruna outra coisa não se ouve que não seja o rumor da água." (do romance Cascalho)

Obraseditar | editar código-fonte

  • Cascalho, romance (1944)
  • A Eterna infancia, antología (1948)
  • Baixo Relêvo, crónica (1954)
  • Além dos Marimbus, romance (1961)
  • Dados Biográficos do Finado Marcelino, romance (1965)
  • Histórias Ordinárias, contos (1966)
  • O Sobradinho dos Pardais, infanto-juvenil (1969)
  • O Lobisomem e outros contos folclóricos, contos (1970)
  • Uma Telha de Menos, contos (1970)
  • O Japão: experiências e observações de uma viagem, notas de viagem (1971)
  • A Feiticeira da Salina, infanto-juvenil (1974)
  • A Vaquinha Sabida, infanto-juvenil (1974)
  • O Homenzinho dos Patos, infanto-juvenil (1975)
  • O Fruto do Vosso Ventre, romance (1976)
  • Armado Cavaleiro o Audaz Motoqueiro, contos (1980)
  • Einstein, o Minigênio, romance (1983)
  • Os Pareceres do Tempo, romance (1984)
  • O Menino Perdido, infanto-juvenil (1984)
  • A Volta dos Pardais do Sobradinho, infanto-juvenil (1985)
  • A Porta de Chifre, romance (1986)
  • Subsidiário, memórias (1988)
  • Na Relva da tua Lembrança, memórias (1988)
  • Andanças por umas Lembranças (Subsidiário 2), memórias (1990)
  • O Urso Caçador, infanto-juvenil (1991)
  • Eu de mim com cada um de mim (Subsidiário 3), memórias (1992)
  • Rio dos Morcegos, romance (1993)
  • As Boas Más Companhias, romance (1995)
  • Rebanho do Ódio, romance (1995)
  • A Prostituta, romance (1996)

Lorbeerkranz.png Academia Brasileira de Letraseditar | editar código-fonte

Foi eleito a 6 de abril de 1971 para ocupar a cadeira 3 da Academia, que tem por patrono Artur de Oliveira, como seu quarto ocupante, sendo recebido em 21 de setembro do mesmo ano por Marques Rebelo.

Quando de seu falecimento, em 1999, teve o corpo velado no Salão dos Poetas Românticos, no Petit Trianon, sede do Silogeu brasileiro. Foi sepultado no Cemitério São João Batista, no Mausoléu da Academia.

Para saber maiseditar | editar código-fonte

Ligações externaseditar | editar código-fonte

Precedido por
Aníbal Freire da Fonseca
Lorbeerkranz.png ABL - quarto acadêmico da cadeira 3
19711999
Sucedido por
Carlos Heitor Cony







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