Honório Hermeto Carneiro Leão

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Honório Hermeto Carneiro Leão
Marquês de Paraná
Presidente do Conselho de Ministros
Mandato 1853 a 1856
Antecessor(a) Joaquim José Rodrigues Torres
Sucessor(a) Luís Alves de Lima e Silva
Vida
Nascimento 11 de janeiro de 1801
Jacuí, Minas Gerais
Morte 3 de setembro de 1856 (55 anos)
Rio de Janeiro, Rio de Janeiro
Progenitores Mãe: Joana Severina Augusta de Lemos
Pai: Antônio Neto Carneiro Leão
Dados pessoais
Alma mater Universidade do Porto
Cônjuge Maria Henriqueta Neto
Partido Conservador
Religião Católica romana
Profissão Professor, político, jornalista e diplomata
Títulos nobiliárquicos
Visconde de Paraná, com grandeza 26 de junho de 1852
Marquês de Paraná 2 de dezembro de 1854
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Honório Hermeto Carneiro Leão, primeiro e único visconde com grandeza, conde e marquês de Paraná GCNSC (Jacuí, 11 de janeiro de 1801Rio de Janeiro, 3 de setembro de 1856), foi um estadista, diplomata, magistrado e político brasileiro. Nascido em uma família de poucos recursos, Paraná cursou Direito na Universidade de Coimbra. De volta ao Brasil, foi nomeado juiz de fora em 1826 e, mais tarde, promovido a desembargador do Tribunal da relação de Pernambuco, embora tenha exercido suas funções na corte. Em 1830, foi eleito para representar Minas Gerais na Assembleia Geral Legislativa, sendo reeleito em 1834 e 1838, e ocupando o cargo até 1841.

Na sequência da abdicação do imperador dom Pedro I, em 1831, foi criada uma regência para governar o Brasil durante a menoridade de dom Pedro II, logo dissolvida no caos. Em 1837, Paraná formou um partido (inicialmente referido sem nome próprio, sendo chamado de "partido da maioria", "partido majoritário" ou "partido da reação"), que evoluiria para o Partido da Ordem no início de 1840 e, finalmente, para o Partido Conservador, na década de 1850. Ele e seus partidários defendiam vigorosa e incondicionalmente a ordem constitucional, permitindo ao país superar a regência assolada por disputas e rebeliões que poderiam facilmente levá-lo a uma ditadura. Nomeado presidente da província do Rio de Janeiro em 1841, Paraná ajudou a acabar com uma rebelião encabeçada pelo Partido Liberal no ano seguinte. Também em 1842, foi eleito senador por Minas Gerais e nomeado por dom Pedro II para o Conselho de Estado. Em 1843, Paraná tornou-se o primeiro presidente do Conselho de Ministros do Império, mas renunciou ao cargo após desentendimentos com o imperador.

Após anos na oposição, em 1849, Paraná foi nomeado presidente da província de Pernambuco, para investigar a Revolta Praieira (ocorrida um ano antes) e proporcionar um julgamento justo para os implicados. Tendo perdido muito de sua influência no partido, Paraná aceitou o cargo, acreditando que poderia recuperar sua posição entre seus pares. Com a nação pacificada internamente, ele foi enviado ao Uruguai em 1851, para forjar uma aliança com aquele país e com as províncias rebeldes argentinas de Corrientes e Entre Ríos contra a Confederação Argentina. A aliança triunfou e o imperador concedeu-lhe o título de visconde de Paraná.

Em 1853, Paraná foi novamente nomeado presidente do Conselho de Ministros, o chamado "Gabinete da Conciliação", e tornou-se o político mais poderoso do país. As reformas eleitorais e judiciárias que introduziu diminuíram o poder dos partidos no processo eleitoral, gerando ataques dos Conservadores em relação ao papel do partido e do parlamento no governo representativo. As reformas trouxeram a Paraná a feroz oposição da maioria de seus colegas, levando a uma virtual divisão no Partido Conservador sobre suas políticas. Em 3 de Setembro de 1856, ainda à frente do gabinete e no auge de sua carreira política, ele morreu inesperadamente após um repentino e desconhecido episódio febril.

Primeiros anoseditar | editar código-fonte

Nascimento e infânciaeditar | editar código-fonte

Honório Hermeto Carneiro Leão nasceu na vila de Paracatu, pertencente à então freguesia de São Carlos do Jacuí, em Minas Gerais, em 11 de janeiro de 1801. Filho de Antônio Netto Carneiro Leão e de sua primeira esposa, Joana Severina Augusta de Lemos,1 2 recebeu seu nome em homenagem à Santa Honorata, venerada naquele dia.3 4 nota 1 Embora descendesse, pelo lado paterno, dos poderosos Carneiro Leão de Portugal,5 seu pai, que seguiu a carreira militar, possuía uma condição bem mais modesta.6 nota 2 Logo na primeira infância, Honório passou a viver em Vila Rica, à época capital de Minas Gerais,5 7 onde ficou órfão de mãe, aos cinco anos de idade. Em 1807, seu pai casou-se com a sobrinha de sua esposa, Rita de Cássia Soares do Couto.5 7 8

Maria Henriqueta Neto, a marquesa de Paraná, em 1856

Foi nomeado para o cargo de juiz de fora em São Sebastião em 1826, e em seguida atuou como auditor de marinha e ouvidor do Rio de Janeiro. Após quatro anos foi promovido para a posição de desembargador da Relação de Pernambuco, onde serviu na então capital do país, a Corte (atual cidade do Rio de Janeiro). Poderia haver se tornado ministro do Supremo Tribunal de Justiça do Brasil, mas preferiu aposentar-se prematuramente e entrar na carreira política, onde foi eleito deputado geral por Minas Gerais em 1830. O casamento com Maria Henriqueta Neto, uma prima com grandes recursos financeiros, facilitou-lhe a ascensão social na aristocrática sociedade brasileira. Do matrimônio nasceram quatro filhos: Henrique Hermeto Carneiro Leão, futuro barão de Paraná, Nicolau Neto Carneiro Leão, futuro barão de Santa Maria, Maria Henriqueta Carneiro Leão, que se casou com Jerônimo José Teixeira Júnior, futuro visconde do Cruzeiro e Maria Emília Carneiro Leão que se casou com Constantino Pereira de Barros, futuro barão de São João de Icaraí.

Carreira políticaeditar | editar código-fonte

Em 1832, tornou-se ministro da Justiça. Nesse ano conseguiu sua primeira grande vitória na Câmara dos Deputados, ao evitar que fosse convocada uma Assembléia Nacional Constituinte, como pretendia o padre Feijó, ex-ministro da Justiça.

Foi um dos fundadores do Partido Conservador, juntamente com Bernardo Pereira de Vasconcelos e o visconde de Itaboraí, sendo seu líder até 1840.

Em 1841, foi nomeado presidente da província do Rio de Janeiro, reprimindo uma rebelião que eclodiu nessa época. Um ano depois foi eleito senador pela província de Minas Gerais, e ocupou as pastas da Justiça e, interinamente, a dos Negócios Estrangeiros. Em 1844 pediu exoneração do cargo.

Em 1849 foi-lhe confiada a presidência da província de Pernambuco, com a missão de pacificá-la, após o abalo provocado pela Revolução Praieira.

Armas do marquês de Paraná, as mesmas das famílias Neto (1.º e 4.º quartéis) e Carneiro (2.º e 3.º quartéis).

Em 1851 chefiou a missão diplomática que negociou com o governo do Paraguai a aliança contra Juan Manuel de Rosas, o ditador portenho.

Gabinete de 6 de setembro de 1853 (Gabinete da Conciliação)editar | editar código-fonte

De volta ao Brasil recebeu em 1852 o título de Visconde de Paraná. Em 6 de setembro de 1853 presidiu o Conselho de Ministros, ocupando também a pasta da Fazenda e iniciando uma política de conciliação, sendo seu ministério composto por:

Em 26 de junho de 1852 foi agraciado por Dom Pedro II com o título nobiliárquico de visconde de Paraná com honras de grandeza e, em 2 de dezembro de 1854, recebeu o título de marquês de Paraná.

Solar do marquês de Paraná, em Ouro Preto, onde viveu por volta de 1832.

Homenagenseditar | editar código-fonte

  • A avenida Marques do Paraná, na cidade de Niterói, foi-lhe dado nome em sua homenagem.

Notas

  1. Honório tinha uma irmã mais velha, Balbina Honória Severina Augusta Carneiro Leão (1797-1874), que viria a se casar com o comendador Manoel José da Silva Canêdo. (Canêdo, p. 7)
  2. Nascido em 1730 na cidade do Porto, em Portugal, o capitão de milícias Antônio Netto Carneiro Leão teria se estabelecido na vila de Paracatu (pertencente à freguesia de São Carlos do Jacuí) na década de 1760, onde dedicou-se à extração de ouro e amealhou considerável fortuna. Era irmão de Manuel Netto Carneiro Leão, que estabeleceu-se na província de Pernambuco e dedicou-se à cultura açucareira. (Senra, p. 13; Martins, p. 98)

Referências

  1. Sisson, p. 21
  2. Barata & Bueno, T.1, v.1
  3. Gouveia, p. 17
  4. Viana et al, p. 292
  5. a b c Janotti, p. 17
  6. Salles, p. 61
  7. a b Gouveia, p. 16
  8. Viana et al, p. 293

Bibliografiaeditar | editar código-fonte

  • Canêdo, Letícia Bicalho, Um Capital Político Multiplicado no Trabalho Genealógico, in Revista Pós Ciências Sociais, Universidade Federal do Maranhão, v. 8 n. 15, 2011. ISSN 1983-4527
  • Macedo, Joaquim Manuel de, Anno biographico brazileiro (v.3), Typographia e litographia do imperial instituto artístico, Rio de Janeiro, 1876.
  • Martins, Maria Fernanda, O Círculo dos grandes: Um estudo sobre política, elites e redes no segundo reinado a partir da trajetória do visconde do Cruzeiro (1854-1889), in Loccus: Revista de História, Universidade Federal de Juiz de Fora, v. 13, n. 1, p. 93-122, 2007. ISSN 1413-3024
  • Fernandes, Mauro Luiz Senra, Famílias que povoaram a Zona da Mata Mineira, v. 1. 2° ed. Além Paraíba: Casa Cruzeiro Papelaria e Tipografia Ltda. p. 13, 2004.
  • Salles, Ricardo, Nostalgia Imperial: a formação da identidade nacional no Brasil do Segundo Reinado, TopBooks, 1996. ISBN 8586020206
  • Sisson, Sébastien Auguste, Galeria dos Brasileiros Ilustres (Os Contemporâneos), in Biblioteca Histórica Brasileira, v. 18, parte 1, Livraria Martins, p. 9, 1948.

Ligações externaseditar | editar código-fonte


Precedido por
Pedro de Araújo Lima
Ministro da Justiça do Brasil
1832 — 1833
Sucedido por
Cândido José de Araújo Viana
Precedido por
Manuel José de Sousa França
Presidente da província do Rio de Janeiro
1841 — 1841
Sucedido por
João Caldas Viana
Precedido por
Aureliano de Sousa e Oliveira Coutinho
Ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil
1843
Sucedido por
Paulino José Soares de Sousa
Precedido por
Paulino José Soares de Sousa
Ministro da Justiça do Brasil
1843 — 1844
Sucedido por
Manuel Alves Branco
Precedido por
Manuel Vieira Tosta
Presidente da província de Pernambuco
1849 — 1850
Sucedido por
José Ildefonso de Sousa Ramos
Precedido por
Visconde de Itaboraí
Primeiro-ministro do Brasil
1853 — 1856
Sucedido por
Duque de Caxias
Precedido por
Manuel Felizardo de Sousa e Melo
Ministro da Fazenda do Brasil
1853 — 1855
Sucedido por
Antônio Paulino Limpo de Abreu
Precedido por
Antônio Paulino Limpo de Abreu
Ministro da Fazenda do Brasil
1855 — 1856
Sucedido por
João Maurício Wanderley


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