Império Plantageneta

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Império Plantageneta em 1172.

O Império Plantageneta ou Império angevino (de Anjou) é o conjunto de Estados que se estendiam dos confins anglo-escoceses aos Pirenéus e da Irlanda a Limousin, unidos a meio do século XII por Henrique II de Inglaterra.

Origem do termo "império"editar | editar código-fonte

O castelo de Angers e suas muralhas, sede da dinastia.

O termo "império" para referir os territórios sob controlo de Henrique II e seus descendentes é utilizado pelo menos uma vez desde o século XII, no Dialogus de Scaccario de Richard fitz Nigel, surgido por volta de 1179.

No entanto, a ausência de uma unidade política, administrativa e financeira, assim como a breve existência do império (entre 1154 e 1204, data da conquista da Normandia) fizeram nascer algumas reticências nos historiadores quanto à utilização dessa expressão1 . O "império Plantegeneta" é, na realidade, um conjunto de vários Estados: um reino (Inglaterra), dois ducados (a Aquitânia e a Normandia) e vários condados. A sua unidade vem do fato de que uma única pessoa encabeça esses territórios: Henrique II.

Em 1984, Robert-Henri Bautier fala em "espaço Plantageneta" em vez de "império". Mesmo empregando a expressão, o historiador Jean Favier acha mais correto falar em "complexo feudal" do que em "império". São empregues outras expressões tais como "estado" ou "federação"2 . No entanto hoje em dia, na França, o termo "império Plantageneta" é o mais utilizado em publicações. Na Inglaterra fala-se em "Império Angevino" (Angevin Empire), termo utilizado pela primeira vez por Kate Norgate em sua publicação de 1887 England under the Angevin Kings3 , referindo-se à origem da dinastia Plantageneta. Alguns vão mesmo ao ponto de utilizarem o termo Commonwealth4 .

Geografiaeditar | editar código-fonte

Em seu auge territorial, o Império Plantageneta era constituído pelo Reino de Inglaterra, Senhorio da Irlanda, ducado da Normandia, ducado da Aquitânia (condado de Poitiers, ducado de Gasconha, condado de Périgord, condado de La Marche, condado de Auvergne e viscondado de Limoges) e condado de Anjou (condado do Maine e condado de Tours). Os plantagenetas tinham também alguma influência no ducado da Bretanha, nos principiados galeses independentes, no Reino da Escócia e no condado de Tolosa, apesar desses territórios não pertencerem ao império.

As fronteiras eram por vezes bem conhecidas, tal como a que separava a Normandia do domínio real. Outras, pelo contrário, eram dúbias, especialmente na fronteira leste da Aquitânia, onde existia uma diferença entre o reclamado por Henrique II e a sua verdadeira influência.

Administraçãoeditar | editar código-fonte

Uma das caracteríticas do Império Plantageneta era a sua natureza policrática, um termo utilizado por Jean de Salisbury no seu Policraticus.

  • A Inglaterra era dividida em Shires, com um xerife encarregado em fazer respeitar a common law. Um Justiciar, administrador geral, era apontado pelo rei quando este se ausentava do reino. Curiosamente a prolongada ausência dos reis de Inglaterra, muitas vezes em França, favorecia a administração inglesa5 . Sob o reino de Guilherme o Conquistador, os nobres não possuíam terras contíguas de grandes proporções, o que não lhes permitia enfrentar o rei e defender as suas terras ao mesmo tempo. Se bem que os Earls possuíam um estatuto semelhante ao dos condes no continente, não eram poderosos o suficiente para desafiar o rei.
  • Na Grande AnjouNota 1 6 , existiam dois cargos que partilhavam a administração: os prebostes e os senescais. Estes últimos estavam sediados em Tours, Chinon, Baugé, Beaufort, Brissac, Angers, Saumur, Loudun, Loches, Langeais e Montbazon. Os restantes senhorios não eram administrados pela família Plantageneta. O Maine foi, num primeiro tempo, desprovido de administração central. Os plantagenetas instalaram ali novos administradores, como o senescal de Mans. Mas essas reformas surgiram tardiamente e os Capetianos foram os únicos a beneficiar disso após anexarem a Grande Anjou7 .
  • O ducado de Gasconha era um território mal administrado, onde os administradores residiam em Entre-deux-mers, Bayona, Dax, ao longo do caminho de peregrinação de Santiago de Compostela e da Garona até Agen. O resto do território não tinha administradores e representava uma grande parte do ducado, comparando com outras províncias. Era difícil para os Plantagenetas, tal como o fora para os condes de Poitou, manter a sua autoridade no ducado8 . Essa parte da Gasconha era pouco atrativa devido à sua paisagem (húmida, deserta e pantanosa)9 .
  • A oeste de Poitou e da Aquitânia, existiam numerosos castelos nos quais viviam os representantes oficiais, mas a leste dessas províncias não havia nenhum. Os senhores locais governavam essas regiões como se fossem soberanos, possuindo fortes poderes. Foi ali que Ricardo Coração de Leão morreu lutando contra um senhor local, no Limousin. Alguns senhores eram poderosos rivais, tais como a Casa de Lusignan, em Poitou.
  • O conde de Tolosa estava ligado por um laço de vassalagem que raramente honrava. Apenas Quercy era diretamente administrada pelos Plantagenetas, e manteve-se uma terra contestada.
  • A Bretanha, região onde os nobres são tradicionalmente independentes, estava sob controlo dos Plantagenetas (regentes e depois duques) de 1166 a 1203. Nantes estava indiscutivelmente sob domínio angevino enquanto que os Plantagenetas metiam-se muitas vezes nos assuntos bretões, colocando bispos e impondo a sua autoridade12 .
  • O Pais de Gales reconheceu os Plantagenetas como senhores13 . No entanto continuava a ter uma administração independente, fornecendo aos Plantagenetas soldados e arqueiros.

Notaseditar | editar código-fonte

  1. A Grande Anjou é um termo utilizado para designar o agrupamento do condado de Anjou com o condado de Touraine e o condado de Maine.

Referências

  1. Martin Aurell, L’Empire des Plantagenêts (1154-1224), Paris, Perrin, 2003, p.10
  2. Jean Favier, Les Plantagenêts : origines et destin d'un empire : XIe-XIVe siècles, Edições Fayard, Paris, 2004.
  3. Norgate, Kate, England Under the Angevin Kings
  4. Aurell, L’Empire des Plantagenêts (1154-1224), Paris, Perrin, 2003, p.11
  5. David Carpenter, The Struggle for Mastery, página 91
  6. Elizabeth M. Hallam & Judith Everard Capetian France 937 - 1328, Edições Longman, página 66.
  7. Hallam & Everard, p.67
  8. Hallam & Everard, p.76
  9. John Gillingham, The Angevin Empire, página 30
  10. Seán Duffy, Medieval Ireland, página 58.
  11. Carpenter, p.226
  12. Gillingham, p. 24
  13. David Carpenter, p. 215
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