Invasão da República Dominicana pelos Estados Unidos em 1965

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Operação Power Pack
Parte da(o) Guerra Civil na República Dominicana de 1965, Guerra Fria
Gen. Bruce R. Palmer, 1965.jpg
O general Robert York durante a ocupação.
Data 28 de Abril de 1965 – Setembro de 1966
Local Santo Domingo, República Dominicana
Desfecho Vitória dos Estados Unidos.
Juan Bosch excluído da Presidência.
Eleição de Joaquín Balaguer.
Combatentes
Flag of Estados Unidos Estados Unidos


Força Interamericana de Paz:
Flag of Brasil Brasil
Flag of Honduras Honduras
Flag of Paraguai Paraguai
Flag of Nicarágua Nicarágua
Flag of Costa Rica Costa Rica
Flag of El Salvador El Salvador
República Dominicana Forças Armadas Dominicana
República Dominicana (SIM) Serviço de Inteligência Militar Dominicana

Flag of República Dominicana República Dominicana
Principais líderes
Estados Unidos Lyndon B. Johnson
Estados Unidos Gen. Robert York
República Dominicana Col. Francisco Caamaño
Forças
42,000 fuzileiros e pára-quedistas estadunidenses
1,130 soldados brasileiros
250 soldados hondurenhos
184 soldados paraguaios
160 soldados nicaraguenses
21 soldados costa-riquenhos
3 soldados salvadorenhos
5,000
Vítimas
EUA:
13 mortos
200+ feridos
IAPF:
20 mortos
50 feridos1
2.000 mortos2
1.000 civis dominicanos foram mortos durante o conflito.2

A Invasão da República Dominicana pelos Estados Unidos (sob o nome de Operação Power Pack) ocorreu em 1965. Os fuzileiros desembarcaram no dia 28 de abril e foram, posteriormente, apoiados por elementos do Exército dos Estados Unidos pela 82ª Divisão Aerotransportada. A intervenção terminou em setembro de 1966.

Antecedenteseditar | editar código-fonte

Após um período de instabilidade política depois do assassinato do ditador dominicano Rafael Trujillo em 1961, o candidato Juan Bosch, um fundador do Partido Revolucionário Dominicano (PRD), foi eleito presidente em dezembro de 1962 e empossado em fevereiro de 1963. Suas políticas inclinadas a esquerda, incluindo a redistribuição de terras e a nacionalização de certas explorações estrangeiras, levaram a um golpe militar sete meses mais tarde por uma facção militar de direita liderada pelo General Elías Wessin y Wessin.

Wessin controlava o Centro de Entrenamiento de las Fuerzas Armadas (Centro de Formação das Forças Armadas ou "CEFA"), um grupo de infantaria de elite com cerca de 2000 altamente treinados. Era quase uma organização independente, criada inicialmente por Ramfis Trujillo, filho do ex-ditador, para proteger o governo e assegurar a Guarda Nacional, a Marinha e a Força Aérea. Elías Wessin tinha afirmou: "A doutrina comunista, marxista-leninista, castrista, ou seja lá o que é chamada, esta agora proibida." Posteriormente, o poder foi entregue a um triunvirato civil. Os novos líderes rapidamente aboliram a Constituição, declarando-a "inexistente".

Em 24 de abril de 1965, um grupo de jovens oficiais nas forças armadas, liderado pelo coronel Francisco Caamaño, rebelou-se contra o triunvirato. Esta ação foi acelerada quando o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Dominicana, o General Marcos Rivera, tentou prender quatro "conspiradores" do exército, porém o próprio Rivera acabou sendo preso. Os rebeldes pró-Bosch, conhecidos como "Constitucionalistas" por seu foco em restaurar o presidente constitucionalmente eleito, saíram para as ruas, tomando rapidamente o palácio nacional, as estações de rádio e de televisão na capital, Santo Domingo, e exigindo o regresso de Bosch. Francisco Caamaño e o Coronel Manuel Ramón Montes Arache foram os líderes dos Constitucionalistas. José Rafael Molina Ureña foi instalado como presidente provisório. Nos dias que se seguiram, os Constitucionalistas combateram com agentes de segurança interna e os elementos militares de direita do CEFA.

O Constitucionalistas distribuíram armas à população, o que resultará na criação de esquadrões armados desregrados, conhecidos como "Comandos". Ambos os lados estavam fortemente armados e civis foram apanhados no fogo cruzado. Washington iniciou imediatamente os preparativos para a evacuação dos seus cidadãos e de outros estrangeiros que poderiam desejar deixar a República Dominicana.

A invasão estadunidenseeditar | editar código-fonte

Soldados hondurenhos (FIAP) chegam a República Dominicana, 1965.
Oficiais do Serviço Médico reunidos perto de Santo Domingo a princípios de maio de 1965.

Inicialmente, a ação militar estadunidense foi limitada à evacuação por fuzileiros dos Estados Unidos e outros civis norte-americanos da cidade de Santo Domingo. Uma zona de desembarque foi criada, no Hotel Embajador, em Santo Domingo para esse fim.

As forças pró-governamentais, chamadas lealistas, não conseguiram recuperar o controle de Santo Domingo, e a desmoralizada CEFA recuou para a sua base em San Isidro. O General Wessin e o último líder do regime deposto, Donald Reid Cabral - mais conhecido como "El Americano" solicitaram intervenção dos Estados Unidos.

O Presidente Lyndon Johnson, convencido da derrota das forças Lealistas e temendo a criação de "uma segunda Cuba" na América Latina, ordenou forças para restaurar a ordem. Citando como razão oficial para a invasão a necessidade de proteger a vida dos estrangeiros, nenhum dos quais haviam sido mortos ou feridos; enviou uma frota de 41 navios ao bloqueio à ilha, e uma invasão foi lançada pelos Marines e elementos da 82ª Divisão Aerotransportada. Em última análise, 42.000 soldados e fuzileiros foram enviados para a República Dominicana.

Os Estados Unidos juntamente com a Organização dos Estados Americanos (OEA) formaram uma força militar inter-americana para ajudar na intervenção na República Dominicana. Posteriormente, a Força Interamericana de Paz (IAPF) foi formalmente criada em 23 de maio. Além da presença militar dos Estados Unidos, as seguintes tropas foram enviadas por cada país: 1130 do Brasil, 250 de Honduras, 184 do Paraguai, 160 da Nicarágua, 21 policiais militares da Costa Rica e 3 oficiais de El Salvador. Durante a guerra, morreram 44 soldados norte-americanos, e 200 ficaram feridos, entre a FIAP foram seis brasileiros e cinco paraguaios que ficaram feridos em ação. Os combates continuaram até 31 de Agosto de 1965, quando foi declarada uma trégua.

Em 1 de junho, eleições são realizadas para eleger um novo presidente, entre os candidatos Juan Bosch e Joaquín Balaguer, Joaquín Balaguer ganhou pelo Partido Reformista com o apoio do governo estadunidense. Em Londres, Caamaño afirmou que com a ocupação militar, em Santo Domingo, o processo eleitoral foi influenciado; para ele, as eleições não podem ter sido livres, em um país ocupado por tropas estrangeiras. José Francisco Peña Gómez confirmou que houve fraudes e contestou o processo na província de Barahona. Centenas de pessoas tomaram as ruas para declarar que houve fraudes.

Esta intervenção acabou em 21 de setembro de 1966, quando completou-se a retirada de tropas da Força Interamericana de Paz, e com a ascensão do Dr. Joaquín Balaguer à presidência da República Dominicana em 1 de junho de 1966. A relativa estabilidade política foi seguida inicialmente pelo opressivo governo de Balaguer que iria dominar a política da República Dominicana por vinte e dois anos.

Referências

  1. Washington Center of Foreign Political Research, National Support of International Peacekeeping and Peace Observation operations (Washington, D.C.: Johns Hopkins University, Feb 70), pp. 289-313.
  2. a b Eckhardt, William, in World Military and Social Expenditures 1987-88 (12th ed., 1987) by Ruth Leger Sivard.

Bibliografiaeditar | editar código-fonte

  • McPherson, Darrell G.. The Role of the Army Medical Service in the Dominican Republic. [S.l.]: Office of the Surgeon General, Department of the Army. - full text
  • Warnock, A. Timothy. Dominican Crisis: Operation POWER PACK. Short of War: Major USA Contingency Operations edited by A. Timothy Warnock. Air Force History and Museums Program, 2000. pp 63–74.







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