Língua wolof

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Wolof
Falado em: Senegal
Gâmbia
Maurícia
República Dominicana
Total de falantes: cerca de 4.200.000
Posição: 143 1
Família: Nigero-congolesa
 2 Atlântico-Congo
  Atlântico
   Setentrional
    Senegambiano
     Wolof
Regulado por: CLAD (Centre de linguistique appliquée de Dakar)
Códigos de língua
ISO 639-1: wo
ISO 639-2: wol

A língua wolof ou uólofe é falada na África Ocidental, principalmente no Senegal, mas também em Gâmbia, Guiné-Bissau, Mali, República Dominicana, e na Mauritânia, sendo a língua nativa do grupo étnico homônimo. Pertence à família das línguas nígero-congolesas.3 Diferentemente das demais línguas sub-saharianas, não é uma língua tonal.

Geografiaeditar | editar código-fonte

A língua uólofe se distribui na África do Noroeste conforme segue:

  • Senegal: Cerca de 32 milhões de pessoas (40% da população do país) têm o uólofe como língua mãe, mesmo sendo o francês a língua oficial do país. Outros 40% da população senegalesa tem uólofe como idioma adquirido - sua segunda língua. Domina toda a região entre Dakar e Saint Louis (Senegal), mais ainda a Oeste e Sudoeste de Kaolack. O dialeto Dakar-Wolof, uma mistura urbana do wolof com as línguas francesa, árabe e inglesa, é falado na capital, Dacar. O uólofe é utilizada em todas as capitais regionais do Senegal e nos locais onde convivem dois ou mais grupos étnicos, a língua veicular é o uólofe.
  • Gâmbia: O idioma prevalente no país é o mandinka de Banjul, porém 200 mil pessoas (15 % do país) usam o uólofe como primeira língua. Na capital sua utilização é de 50% e na maior cidade do país, Serrekunda, o uso é de 90%, mesmo que aí os uólofes étnicos sejam muito poucos. O uólofe é cada vez mais a língua dos jovens e dos mestiços étnicos, vem também ganhando prestígio em função da música popular “mbalax” e da cultura senegalesa. Em Banjul e em Serrekunda, o uólofe é Língua franca com mais prestígio que a língua mandinka. A língua inglesa é a oficial do país, sendo que as línguas nativas mandinka (40%), uólofe (15%) e (15%) não são usadas na educação.
  • Mauritânia: 185 mil pessoas (7% do país) falam uólofe, em especial na costa sul, próxima ao Senegal. A língua árabe é a oficial e o francês é a língua franca.
  • República Dominicana: Menos de 3 mil pessoas (0,3% do país) falam uólofe, especialmente nas aldeias de Jarabacoa, onde predominam as comunidades Wolof. O povo Wolof foram levados como escravos para o porto de Santo Domingo (atual República Dominicana) para cortar cana de açúcar, enquanto mais escravos eram trazidos para trabalhar nas plantações de cana de açúcar, 12 anos depois o povo wolof fugiram para as montanhas em 1809 onde se formaram comunidades Wolof que conseguiu manter a sua herança e cultura viva.

Alfabetoeditar | editar código-fonte

O alfabeto árabe na forma chamada "uolofal" já foi a escrita para uólofe, sendo ainda utilizado por pessoas mais velhas no Senegal. Desde 1974 é, porém, utilizado o Alfabeto Latino sem H, sem V, sem Z; há ainda Ñ e N com “gancho inferior”;

Todas 6 vogais (incluem o Y) podem ser simples ou duplas, abertas ou fechadas, apresentando ou não diversos diacríticos.

Todas consoantes podem ser usadas simples ou duplas, exceto F, J, Q, S, que são somente simples; São usados também os grupos consonantais MB, MP, NC, NV, NG, NJ, NK, NQ, NT;

A ortografia pelo alfabeto latino foi implantada no Senegal por decretos governamentais entre 1971 e 1985. Méritos cabem ao "Centre de linguistique appliquée de Dakar" (CLAD), pois os fonemas têm clara e inequívoca correspondência com a escrita.

Gramáticaeditar | editar código-fonte

Conjugação por pronomeseditar | editar código-fonte

Em uólofe, os verbos não variam, não são conjugados. As idéias de tempo e aspecto são marcadas nos pronomes pessoais, que são chamados Pronomes Temporais.

Exemplos: Com o verbo dem ("ir") temos o Pronome Temporal maa ngi significa “Eu, Agora e Aqui”; ou o dinaa que indica "Eu - em breve". Assim: Maa ngi dem. "Estou indo agora e aqui" - Dinaa dem. "'Irei em breve"

Conjugação por Aspectoeditar | editar código-fonte

Os tempos, tais como presente, futuro e passado, são em uólofe de pouca importância e quase sem função. Importante é o Aspecto da ação, como é vista por quem fala, se a ação é perfeita (concluída) ou não (em andamento, inconclusa). Não importa se for no presente, passado ou futuro. Outros aspectos são: se a ação ocorre regularmente, se a ação vai com toda certeza ocorrer, se a ênfase é no Sujeito, no Objeto ou no Predicado da frase. È a conjugação por aspectos, não por tempos. Também são chamados de Pronomes Temporais os que variam assim por aspecto, embora um termo melhor fosse Pronome de Aspecto.

Exemplos: Com o verbo dem ("ir") temos o Pronome Temporal naa significa "Eu (fiz) já, em definitivo", o Pronome Temporal dinaa significa "Eu já vou (fazer), agora, logo"; o Pronome Temporal damay significa " Eu (faço) regularmente, habiutualmente". Assim, temos: Dem naa. "Eu já fui" - Dinaa dem. "Eu vou em breve, logo" - Damay dem. "Eu costumo ir habitualmente"

Se alguém precisa expressar que algo ocorreu no passado, isso não se faz pçor conjugação, mas pela adição do sufixo -(w)oon ao verbo. Isso não caracteriza conjugação do verbo, a conjugação é feita sempre no Pronome Temporal.

Exemplo: Demoon naa Ndakaaru. "Eu já fui a Dakar"

Conjugação dos Pronomes Temporaiseditar | editar código-fonte


Situacional (Apresentativo)

(Presente Contínuo)

Terminativo

(Passado para verbosd de ação ou Presente para verbos estáticos)

Objetivo

(Ênfase no Objeto)

Processivo (Explicativo)

(Ênfase no Verbo)

Subjetivo

(Ênfase no Sujeito)

Neutrol
Perfeito Imperfeito Perfeito Imperfeito Perfeito Imperfeito Perfeito Imperfeito Perfeito Imperfeito Perfeito Imperfeito
1a Pessoa singular "Eu" maa ngi

(Eu sou (estou)+ Verbo+ -ing)

maa ngiy naa

(Eu + passado, verbo de ação ou presente, verbo estático)

dinaa

(Eu vou (fazer) ... / futuro)

laa

(Coloca ênfase no Objeto)

laay

(Indica ação habitual ou futura)

dama

(Coloca ênfase no Verbo)

damay

(Indica ação habitual ou futura)

maa

(Coloca ênfase no Sujeito)

maay

(Indicates a habitual or future action)

ma may
2a Perssoa singular "Tu, você" yaa ngi yaa ngiy nga dinga nga ngay danga dangay yaa yaay nga ngay
3a Pessoa singular "ele, ela" mu ngi mu ngiy na dina la lay dafa dafay moo mooy mu muy
1a Pessoa plurall "nós" nu ngi nu ngiy nanu dinanu lanu lanuy danu danuy noo nooy nu nuy
2a Pessoa plural "'vocês" yéena ngi yéena ngiy ngeen dingeen ngeen ngeen di dangeen dangeen di yéena yéenay ngeen ngeen di
3a Perssoa plural "eles. elas" ñu ngi ñu ngiy nañu dinañu lañu lañuy dañu dañuy ñoo ñooy ñu ñuy

No uólofe urbano é comum o uso das formas da 3a pessoa plural também para a 1a pessoa plural.

Observar que os pronomes temporais podem tanto preceder como ficar depois do verbo.

Gêneroeditar | editar código-fonte

O uólofe não tem pronomes específicos para gênero, nada como Ela, Ela, neutro. São usados às vezes os descritores bu góor (macho / masculino) ou bu jigéen (fêmea / feminino) junto a palavras como kharit, 'amigo' e rakk, 'criança, filho' para indicar o gênero da pessoa.

Assim, em uólofe não há concordância por classe de palavra. Mas há marcadores de “definido” que concordam com a palavra modificada. Há assim ao menos dez artigos que podem indicar singular, plural. No dialeto das “Cidades” do Senegal (de Dacar) o artigo -bi é usado mesmo quando não há real necessidade de um artigo.

Exemplos de Artigos:

  • palavras que vêm do Francês ou do Inglês apresentam artigo –bi após a palavra: butik-bi, xarit-bi, 'A boutique, O amigo'
  • palavras religiosas ou vindas do árabe tem o artigo –ji -- jumma-ji, jigeen-ji, 'A mesquita, a menina'
  • palavras que se referem a pessoas usam -ki -- nit-ki, nit-ñi, 'A pessoa, O povo'
  • Outros “artigos” marcadores de classe: si, gi, wi, mi, li, yi.

Numeraiseditar | editar código-fonte

Cardinaiseditar | editar código-fonte

A numeração uólofe tem o 5 (cinco) e o 10 (dez) como bases: benn "um", juróom "cinco", juróom-benn "seis", fukk "dez", fukk ak juróom benn "dezesseis".


0 tus / neen / zero [French] / sero / dara ["nada"]
1 benn
2 ñaar / yaar
3 ñett / ñatt / yett / yatt
4 ñeent / ñenent
5 juróom
6 juróom-benn
7 juróom-ñaar
8 juróom-ñett
9 juróom-ñeent
10 fukk
11 fukk ak benn
12 fukk ak ñaar
13 fukk ak ñett
14 fukk ak ñeent
15 fukk ak juróom
16 fukk ak juróom-benn
17 fukk ak juróom-ñaar
18 fukk ak juróom-ñett
19 fukk ak juróom-ñeent
20 ñaar-fukk
26 ñaar-fukk ak juróom-benn
30 ñett-fukk / fanweer
40 ñeent-fukk
50 juróom-fukk
60 juróom-benn-fukk
66 juróom-benn-fukk ak juróom-benn
70 juróom-ñaar-fukk
80 juróom-ñett-fukk
90 juróom-ñeent-fukk
100 téeméer
101 téeméer ak benn
106 téeméer ak juróom-benn
110 téeméer ak fukk
200 ñaari téeméer
300 ñetti téeméer
400 ñeenti téeméer
500 juróomi téeméer
600 juróom-benni téeméer
700 juróom-ñaari téeméer
800 juróom-ñetti téeméer
900 juróom-ñeenti téeméer
1000 junni / junne
1100 junni ak téeméer
1600 junni ak juróom-benni téeméer
1945 junni ak juróom-ñeenti téeméer ak ñeent-fukk ak juróom
1969 junni ak juróom-ñeenti téeméer ak juróom-benn-fukk ak juróom-ñeent
2000 ñaari junni
3000 ñetti junni
4000 ñeenti junni
5000 juróomi junni
6000 juróom-benni junni
7000 juróom-ñaari junni
8000 juróom-ñetti junni
9000 juróom-ñeenti junni
10000 fukki junni
100000 téeméeri junni
1000000 tamndareet / million

Ordinaiseditar | editar código-fonte

Os Ordinais são formados pela terminação –éélu (pronúncia ay-lu) aposta ao Cardinal.

Exemplo: Sendo dois ñaar, Segundo é ñaaréélu

Há uma exceção :”primeiro” é bu njëk, ou ainda vindo do francês përëmye)


1o bu njëk
2o ñaaréélu
3o ñettéélu
4o ñeentéélu
5o juróoméélu
6o juróom-bennéélu
7o juróom-ñaaréélu
8o juróom-ñettéélu
9o juróom-ñeentéélu
10o fukkéélu

Amostraseditar | editar código-fonte

Exemplos de fraseseditar | editar código-fonte

Os exemplos a seguir estão conforme a ortografia desenvolvida pelo Instituto CLAD ("Centre de linguistique appliquée de Dakar"), que pode ser encontrada no Dicionário “Arame Fal” (Bibliografia nesta página).

No que se refere a tradução literal deve ser observado o j[a apresentado acima, onde os tempos do uólofe não tem o sentido daqueles das línguas Indo-Européias. Valem os itens Aspecto e o Foco da ação.

A tradução literal na tabela é feita palavra a palavra, na ordem original, onde os significados de cada palavra estão separados por barras (/);


Uólofe Português Literalmente em Português
(As)salaamaalekum !
Resposta: Maalekum salaam !

Essa saudação não é uólofe — é árabe, islâmica, mas é muito usada.

Olá!
Resposta: Olá!
(Árabe) que a paz esteja contigo
Resposta: E tu com tua paz
Na nga def ? / Naka nga def ? / Noo def?
Resposta: Maa ngi fii rekk
Como vai? / Como você está?
Resposta: Estou bem
Como - você (agora) - vai
Resposta: Eu aqui - estou - aqui - apenas
Naka mu ?
Resposta: Maa ngi fii
E aí?
Resposta: Tudo bem
Como está issot?
Resposta: Eu estou aqui
Numu demee? / Naka mu demee?/
Resposta: Nice / Mu ngi dox
Como vão as coisas?
Resposta: Bem / Ótimo / Vai indo
Como vai isso indo?
Resposta: Bem (do ingles Nice) / vai andando
Lu bees ?
Resposta: Dara (beesul)
O que há de novo
Resposta: Nada (de novo)
O que é isso é novo?
Resposta: Nada ou algo (não é novo)
Ba beneen (yoon). Vejo você em breve (próxima vez) Até - outra - (vez)
Jërëjëf Grato / Obrigado Isso valeu a pena
Waaw Sim Sim
Déedéet Não Não
Ana ...? Onde está ...? Onde está ...?
Noo tudd(a)* ? / Naka nga tudd(a) ?
Resposta: ... laa tudd(a) / Maa ngi tudd(a) ...

(* no uólofe de Gâmbia se usa muito o 'a' ao final)

Qual é seu nome?
Resposta: Meu nome é ....
Como você (já, agora) é chamado?
Resposta: ... Eu (objeto) – chamado/eu sou chamado ...

Textoeditar | editar código-fonte

Uólofe

Doomi aadama yépp danuy juddu, yam ci tawfeex ci sag ak sañ-sañ. Nekk na it ku xam dëgg te ànd na ak xelam, te war naa jëflante ak nawleen, te teg ko ci wàllu mbokk.

Português

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade. (Artigo Nr.1 - Declaração Universal dos Direitos do Homem)

Referências

  1. Ethnologue. Statistical Summaries
  2. Derivado da classificação de Etnhologue
  3. No passado, os franceses escreviam “ouolof" e os ingleses "wollof". São também usadas as formas "Volof" e "Olof", Walaf, Waro-Waro ou Yallof, conforme Ethnologue: Wolof - A language of Senegal.

Bibliografiaeditar | editar código-fonte

Em francês e inglês

  • Mamadou Cissé: Dictionnaire Français-Wolof, L’Asiathèque, Paris, 1998, ISBN 2-911053-43-5
  • Mamadou Cissé: « Graphical borrowing and African realities » in Revue du Musée National d'Ethnologie d'Osaka, Japan, june 2000.
  • Mamadou Cissé: "Revisiter "La grammaire de la langue wolof" d'A. Kobes (1869), ou étude critique d'un pan de l'histoire de la grammaire du wolof.", in Sudlangues [1] february 2005
  • Leigh Swigart: Two codes or one? The insiders’ view and the description of codeswitching in Dakar, in Carol M. Eastman, Codeswitching. Clevedon/Philadelphia: Multilingual Matters, ISBN 1-85359-167-X.
  • Fiona McLaughlin: Dakar Wolof and the configuration of an urban identity, Journal of African Cultural Studies 14/2, 2001, p.153-172
  • Michael Franke: Kauderwelsch, Wolof für den Senegal - Wort für Wort. Reise Know-How Verlag, Bielefeld, Germany 2002, ISBN 3-89416-280-5.
  • Jean-Léopold Diouf, Marina Yaguello: J'apprends le Wolof - Damay jàng wolof (1 textbook with 4 audio cassettes). Karthala, Paris, France 1991, ISBN 2-86537-287-1.
  • Arame Fal, Rosine Santos, Jean Léonce Doneux: Dictionnaire wolof-français (suivi d'un index français-wolof). Karthala, Paris, France 1990, ISBN 2-86537-233-2.
  • Gabriele Aïscha Bichler: Bejo, Curay und Bin-bim? Die Sprache und Kultur der Wolof im Senegal (mit angeschlossenem Lehrbuch Wolof), Europäische Hochschulschriften Band 90, Peter Lang Verlagsgruppe, Frankfurt am Main, Germany 2003, ISBN 3-631-39815-8.
  • Michel Malherbe, Cheikh Sall: Parlons Wolof - Langue et culture. L'Harmattan, Paris, France 1989, ISBN 2-7384-0383-2 (this book uses a simplified orthography which is not compliant with the CLAD standards).
  • Jean-Léopold Diouf: Grammaire du wolof contemporain. Karthala, Paris, France 2003, ISBN 2-84586-267-9.
  • Fallou Ngom: Wolof. Verlag LINCOM, Munich, Germany 2003, ISBN 3-89586-616-4.
  • Peace Corps The Gambia: Wollof-English Dictionary, PO Box 582, Banjul, The Gambia, 1995 (no ISBN, available as PDF file via the internet; this book refers solely to the dialect spoken in the Gambia and does not use the standard orthography of CLAD).
  • Nyima Kantorek: Wolof Dictionary & Phrasebook, Hippocrene Books, 2005, ISBN 0-7818-1086-8 (this book refers predominantly to the dialect spoken in the Gambia and does not use the standard orthography of CLAD).
  • [Senegal, Government of], Décret n° 71-566 du 21 mai 1971 relatif à la transcription des langues nationales, modifié par décret n° 72-702 du 16 juin 1972.
  • [Senegal, Government of], Décrets n° 75-1026 du 10 octobre 1975 et n° 85-1232 du 20 novembre 1985 relatifs à l'orthographe et à la séparation des mots en wolof.
  • [Senegal, Government of], Décret n° 2005-992 du 21 octobre 2005 relatif à l'orthographe et à la séparation des mots en wolof.

Ligações externaseditar | editar código-fonte









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