Mouros

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"O mouro" (Marciano Henriques da Silva, c. 1865).

Denominam-se mouros de forma geral às populações islamizadas do noroeste de África, responsáveis pela Invasão islâmica da península Ibérica a partir do século VIII.

Índice

História editar

Na Antiguidade, os romanos denominavam "mauri" (mauros) às populações que habitavam a região noroeste da África, que por sua vez designavam de Mauritânia. Estas populações pertenciam a grupo étnico maior, o dos berberes, que posteriormente, à época da expansão islâmica, vieram a adotar esta religião, muitos dos quais adotando mesmo a língua árabe, além do idioma nativo. Estas populações juntaram-se aos árabes na conquista da península Ibérica durante o século VIII. A chamada "civilização moura" ou "civilização mourisca", que floresceu na Idade Média, era predominantemente árabe.

Com o avanço do processo da Reconquista, os mouros perderam grande parte de seu território na península no final do século XIII. Finalmente, em 1492, os Reis Católicos conquistaram o Reino de Granada e expulsaram os últimos mouros da península. A maioria dos refugiados estabeleceu-se no norte de África.

Desse modo, a palavra "mouro" pode referir-se a todos os habitantes do noroeste da África que são muçulmanos ou falam o árabe ou, ainda, aos muçulmanos de origem espanhola, judaica ou turca que vivem no norte da África. Em francês, "maure" (mouro) designa os nómades da região do Saara Ocidental. "Mouro" aplica-se ainda aos muçulmanos cingaleses-árabes do Sri Lanka. Na língua castelhana, "moro" também se refere aos muçulmanos que vivem no sul das Filipinas.

Arquitetura moura editar

A Catedral de Córdoba, uma das maiores mesquitas do mundo.

O minaret de Sevilha com suas proporções monumentais.

O palácio de ALHAMBRA, em Granada.

A influência da arte moura na Espanha foi além das áreas onde viviam os mouros. Criaram um estilo artístico sem igual, ambos em Arquitetura e em iluminação que floresceu de meados do século IX a princípios do século XI. Nesta arte, os cristãos que habitam ainda ao norte da península ibérica se valeram de influências mouras e orientais para formar um estilo que consiste em elementos evidentes em igrejas pela área.

Após a Reconquista, os cristãos empregaram trabalhadores mouros conhecedores de técnicas de edificação e decoração, criando um estilo chamado Mudejar, que persistiu até mesmo após a retirada total dos mouros da península.

Os "mouros" em Portugal editar

Na tradição oral portuguesa, os mouros são protagonistas de narrativas associáveis a cultos pré-cristãos, muitas vezes pré-históricos. Em geral, as lendas das mouras encantadas que guardam tesouros, andam associadas a montes, florestas, rochedos, monumentos pré-históricos ou fontes e revelam restos de tradições muito antigas.

Alexandre Parafita, na sua obra "A Mitologia dos Mouros", faz uma análise exaustiva desta figura da memória colectiva peninsular, a partir da interpretação de 263 lendas, aí concluindo que, embora sejam apresentados na História “oficial” como seres de “carne e osso”, invasores, pelejadores, opressores, inimigos de Deus, e identificados com múltiplas denominações (sarracenos, agarenos, muçulmanos, maometanos, infiéis, árabes, bérberes, islâmicos, mouriscos, maurescos, moçárabes, mudejares, etc.), os Mouros aparecem nas lendas como seres mágicos, com aparência humana ou não, que guardam valiosos tesouros e vivem nos montes, nas fragas, em torres, nos castros, nas grutas, nas covas, em cisternas, nos dólmens, nas fontes, em lagos ou em rios.

Dinastias mouras no norte de África e na Península Ibérica editar

Bibliografia editar

  • PARAFITA, Alexandre. A Mitologia dos Mouros. Porto: Gailivro, 2006.

Ver também editar