Naufrágio do Lidador
O Lidador foi um barco a vapor brasileiro, que naufragou na baía de Angra do Heroísmo no início de 1878.
Também conhecido como "naufrágio do barco do sal", constitui-se em sítio arqueológico integrante do Parque Arqueológico Subaquático da Baía de Angra do Heroísmo.
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História editar
O Lidador, de bandeira brasileira, fazia a rota Portugal-Brasil, com escala nos Açores, transportando passageiros e carga em geral. Fora construído em Londres em 1873, e tinha 78,67 metros de comprimento, com propulsão mista, à vela e a vapor. Tinha dois mastros e uma única turbina com hélice.
Operado pela Empresa Transatlântica de Navegação, ao final de Janeiro de 1878 aportou à Ilha do Faial onde, na Horta, embarcou emigrantes açorianos daquela ilha com destino ao Brasil. Em seguida, prosseguiu viagem rumo à Terceira.
À vista da cidade de Angra do Heroísmo, lançou âncora fora das fortalezas da cidade, no exterior do alinhamento formado pela ponta de Santo António, no Monte Brasil, e o Forte de São Sebastião. No mesmo porto encontravam-se três embarcações de madeira, a vela, a saber: o patacho Angrense e o patacho Jane Wheatone o lugre Zebrina, ambos de nacionalidade britânica.
Assim que o Lidador ancorou, as lanchas do porto deram inicio à estiva, mas ao anoitecer do dia 6 de Fevereiro, já com as operações de embarque quase à metade, o vento começou a soprar com violência e rodou para o sul e depois para o quadrante sueste: o temido vento carpinteiro.
Sob forte pressão do temporal súbito, o Lidador recorreu à sua máquina e iniciou o levantamento da âncora, visando alcançar o mar aberto. Entretanto, possivelmente devido à precipitação, a sua equipagem deixou descair a âncora, não conseguindo voltar a recolhê-la atempadamente. A embarcação, com a máquina a vapor a trabalhar a toda a força, girou em torno da sua amarração vindo a embater no recife submerso que se estende a partir da ponta do Forte de São Sebastião por mais de duzentos metros.
A colisão provocou um rombo no casco da embarcação e a consequente submersão da máquina. A caldeira, subitamente inundada, explodiu. Desse modo, impotente para manobrar, flutuou para Oeste vindo a colidir com o Jane Wheaton, a quem quebrou o mastro do gurupés, vindo a encalhar próximo ao cais da Figueirinha, a não mais de cinquenta metros de distância da costa.
Os náufragos, em pânico, foram evacuados pelos botes dos demais navios ancorados na baía e pelas lanchas da cidade. A carga e as bagagens dos passageiros e tripulantes tiveram destino diferente: as divergências suscitadas entre o representante da agência da Empresa Transatlântica de Navegação e o Consulado Brasileiro deram azo a que nada se fizesse acerca do material que ainda se encontrava por salvar e que acabou por afundar com o navio desconhecendo-se do que se compunha.
Visando minorar a delicada situação dos náufragos, o prelado da diocese abriu uma subscrição pública para auxiliar as vítimas e João de Bettencourt de Vasconcellos Correia e Ávila acolheu, na sua própria casa, oito homens e dezanove mulheres. Se este ato do visconde de Bettencourt foi bem visto aos olhos da população à época, o mesmo não se registou com relação a António da Fonseca Carvão Paim da Câmara, barão do Ramalho, então Governador civil do Distrito de Angra do Heroísmo, que nada fez pelos náufragos.
Características editar
A embarcação, atualmente, encontra-se esmagada e fragmentada, sendo possível observar um aglomerado formado por tubos e placas de ferro encurvadas, assim como pelos restos da caldeira do navio.
Surpreendentemente para os estudiosos, o seu porão de vante transportava volumosa quantidade de lastro de pedra, prática antiquada num navio então relativamente moderno, já que à época a utilização de lastro de ferro, cimento ou chumbo liberava mais espaço para carga nos porões.
Como parte do casco ainda se encontra em bom estado, o "Lidador" constitui um bom exemplo da navegação do último quartel do século XIX e em mais um testemunho dos naufrágios ocorridos na Baía de Angra.
O acesso aos restos é feito a partir da costa, geralmente pelo porto do Clube Náutico de Angra do Heroísmo, sendo um mergulho classificado como fácil.
O fundo onde o barco assenta é formado por pequenas rochas e areia, e a profundidade varia bastante, indo dos 3 aos 10 metros.
O Lidador como local de mergulho editar
O naufrágio deste barco com o tempo deu origem a um local de mergulho é muito fácil para pesca submarina e para observação de espécies.
A profundidade média do mergulho ronda os 10 metros, apresentando um fundo formado por pequenas rochas e areia.
Apresenta características úteis para fotografia tanto dos destroços como das espécies marítimas que o frequentam, tanto diurno como nocturno.
A espécies observáveis mais frequentes são:
- Água-viva (Pelagia noctiluca),
- Alga vermelha (Asparagopsis armata),
- Alga castanha (Dictyota dichotoma),
- Anémona-do-mar (Alicia mirabilis),
- Alface do mar (Ulva rígida)
- Bodião (labrídeos),
- Caravela-portuguesa (Physalia physalis),
- Chicharro (Trachurus picturatus).
- Castanhetas-amarelas (Chromis limbata).
- Craca (Megabalanus azoricus).
- Estrela-do-mar (Ophidiaster ophidianus),
- Lapa (Docoglossa),
- Musgo-do-mar (Pterocladiella capillacea),
- Ouriço-do-mar-negro (Arbacia lixula),
- Ouriço-do-mar-roxo (Strongylocentrotus purpuratus),
- Peixe-porco (Balistes carolinensis),
- Peixe-balão (Sphoeroides marmoratus),
- Peixe-rei (Coris julis),
- Peixes-rainha (Thalassoma pavo),
- Polvo (Octopus vulgaris),
- Salmonete (Mullus surmuletus),
- Sargo (Dictyota dichotoma),
Este local é classificado como bom, devido às facilidades de acesso e a não oferecer perigo.
Bibliografia editar
- Guia de Mergulho - Açores. Dep. Legal nº 251773/06. 2007.










