Mundo ocidental

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Mundo ocidental, civilização ocidental ou simplesmente Ocidente (em latim: occidens - "pôr do sol, oeste", como distinto de Oriente), é um termo que se refere a diferentes nações, dependendo do contexto. Não há consenso sobre a definição das semelhanças desses países, além de terem uma população significativa de ascendência europeia e de terem culturas e sociedades fortemente influenciadas e/ou ligadas pela Europa.1

O conceito da parte ocidental do mundo tem sua origem na civilização greco-romana na Europa, com o advento do cristianismo. Na era moderna, a cultura ocidental tem sido fortemente influenciada pelas tradições de movimentos como o Renascimento, a Reforma Protestante, o Iluminismo, e tem sido moldada pelo expansivo colonialismo europeu do século XV ao XX. Seu uso político foi temporariamente alterado por um antagonismo interno durante a Guerra Fria, no fim do século XX (1947-1991).

Originalmente, o termo tinha um significado literalmente geográfico, contrastando a Europa das culturas e civilizações ligadas ao Oriente Médio, Norte da África, Oriente Próximo, Sul da Ásia, Sudeste da Ásia e Extremo Oriente, que costumavam ser vistas como "Oriente" pelos primeiros europeus modernos. No entanto, atualmente essa definição tem pouca relevância geográfica, principalmente desde que os Estados Unidos e o Canadá se formaram nas Américas, a Rússia se expandiu para o Norte da Ásia e a Austrália e a Nova Zelândia foram criadas na Oceania.

No sentido cultural contemporâneo, o mundo ocidental inclui a Europa, além de muitos países de origem colonial europeia na América e na Oceania, como Estados Unidos, Canadá, Argentina, Brasil, Chile, Austrália, Nova Zelândia, entre outros.2 3 4

Introduçãoeditar | editar código-fonte

A cultura ocidental se originou na bacia do Mediterrâneo e seus arredores, sendo que a Grécia e a Roma antigas são frequentemente citadas como seus criadores. Com o tempo, seus respectivos impérios cresceram primeiro para o leste e para o oeste, incluindo o resto do Mediterrâneo e áreas costeiras do Mar Negro, conquistando, absorvendo e sendo influenciados por grandes civilizações do antigo Oriente Médio muito mais antigas (como a fenícia e a egípcia); mais tarde, expandiu-se para o norte do Mar Mediterrâneo, passando a incluir o ocidente, o centro, o sudeste, o leste e o norte da Europa. A cristianização da Bulgária (século IX), do Principado de Kiev (Rússia, Ucrânia e Bielorrússia, no século X), da Escandinávia (século XII) e da Lituânia (século XIV) trouxe o resto dos países europeus para a civilização ocidental (ver: impacto do cristianismo na civilização).

Historiadores, como Carroll Quigley em A Evolução das Civilizações,5 afirmam que a civilização ocidental nasceu por volta de 500 d.C., após o colapso total do Império Romano do Ocidente, deixando um vácuo para o florescimento de novas ideias que eram impossíveis nas sociedades clássicas. Em qualquer ponto de vista, entre a queda do Império Romano do Ocidente e o Renascimento, o Ocidente passou por um período de declínio considerável, conhecido como Idade Média, as Cruzadas.6

A Escola de Atenas retrata uma reunião dos mais importantes pensadores da antiguidade clássica. Afresco de Rafael Sanzio, 1510-1511.

O conhecimento do mundo antigo ocidental foi parcialmente preservado durante este período devido à sobrevivência do Império Romano do Oriente e das instituições da Igreja Católica, além da ampla contribuição dos árabes7 e principalmente pela ascendência concorrente da Era de Ouro do Islamismo.8 A importação árabe, tanto de antigas quanto de novas tecnologias a partir do Oriente Médio e do Oriente para a Europa renascentista representou "uma das maiores transferências tecnológicas na história do mundo."9 10 Desde a Renascença, o Ocidente evoluiu além da influência dos antigos gregos, romanos e muçulmanos devido às revoluções Comercial,11 Científica12 e Industrial,13 à expansão dos povos cristãos dos impérios da Europa Ocidental e, particularmente, à abrangência dos impérios europeus dos séculos XVIII e XIX. Muitas vezes, essa expansão foi acompanhada de missionários cristãos, que tentaram fazer proselitismo do cristianismo.

De modo geral, o consenso atual seria definir como parte do Ocidente, no mínimo, as culturas e os povos da Europa, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e uma grande parte da América Central e do Sul, como Argentina e Brasil. Há um debate entre estudiosos sobre se a Europa Central e Oriental está em uma categoria própria. Um argumento que justifica essa região europeia como parte do Ocidente é que o centro e o sudeste europeus, além dos países bálticos, como a República Checa, Polônia, Hungria, Estônia, Lituânia, Letônia, Eslováquia, Eslovênia, Bulgária e Romênia, são agora membros da União Europeia e da OTAN, organizações majoritariamente compostas por países ocidentais. Essas nações foram tanto fortemente influenciadas quanto influenciaram o mundo ocidental e dividem valores sociológicos e culturais com esse grupo de países. A Grécia e o Chipre não estão localizados geograficamente na Europa ocidental, mas são geralmente considerados uma parte do mundo ocidental. Isto porque a cultura ocidental tem raízes gregas e em parte devido a razões políticas e econômicas. A Rússia muitas vezes não é considerada como parte do ocidente. No entanto, a cultura russa (especialmente a música, a literatura e a pintura) é classificada como uma parte integrante da cultura ocidental.

Culturaeditar | editar código-fonte

O termo "cultura ocidental" é usado de forma muito ampla para se referir a uma herança de normas sociais, valores éticos, costumes tradicionais, crenças religiosas, sistemas políticos e artefatos e tecnologias específicas.

Especificamente, a cultura ocidental pode implicar:

O conceito de cultura ocidental é geralmente ligado à definição clássica do mundo ocidental. Nesta definição, a cultura ocidental é o conjunto de obras literárias, científicas, princípios políticos, artísticos e filosóficos que a distinguem de outras civilizações. Grande parte deste conjunto de tradições e conhecimentos é coletado no cânone ocidental.14

O termo tem sido aplicado a regiões cuja história é fortemente marcada pela imigração ou colonização europeia, como a América e Austrália, e não está restrito à Europa.

Algumas tendências que definem as sociedades ocidentais modernas são a existência do pluralismo político, do laicismo, da generalização da classe média, das subculturas proeminentes ou contraculturas (tais como movimentos da Nova Era), aumentando o sincretismo cultural resultante da globalização e da migração humana. A forma moderna destas sociedades é fortemente baseada na Revolução Industrial e em problemas sociais e ambientais, tais como a luta de classes e a poluição, bem como as reações a eles, tais como o sindicalismo e o ambientalismo.

Definiçãoeditar | editar código-fonte

Países que falam línguas indo-europeias.
Ocidente e Oriente em 1980, definido pela Guerra Fria.
Mapa-múndi indicando o Índice de Desenvolvimento Humano (201215 ):
  Muito alto
  Alto
  Médio
  Baixo
  Sem dados

De origem, a expressão indicava as áreas da Europa tradicionalmente católicas ou protestantes. A diferença entre o Ocidente e a sua contrapartida o Oriente é mais velha: no Império Romano já havia diferença entre a parte ocidental latina e o parte oriental, dominada pelos gregos. A separação do Império Romano em uma parte Ocidental e uma parte Oriental em 395 e o cisma de 1054 também reforçaram esta diferença. Ao longo dos séculos, o Grande Cisma do Oriente causou diferenças determinantes na estrutura social, nas formas dominantes, no domínio das tecnologias aplicadas e desenvolvimento econômico, na filosofia e na ética, na arquitetura, nas artes e no vestuário.

Com a expansão do cristianismo na Europa, a diferença foi levada às outras partes da Europa. Por exemplo, a Rússia e a Bulgária foram convertidas a partir de Constantinopla e fazem parte do Oriente, enquanto os irlandeses e os neerlandeses pertencem ao Ocidente. Depois da Idade Média, o Ocidente foi caracterizado por um grande número de correntes de desenvolvimento, tais como o Renascimento, o Iluminismo, o Protestantismo, e o Humanismo.

Hoje em dia, usam-se várias definições para o Ocidente:

  • Definição clássica
  • Culturas dominantes desde a época colonial
  • Países da OTAN durante a guerra fria.
  • Países ao ocidente da Ásia
  • Definições de governos

A definição clássica para o "Mundo Ocidental" compreende os países da Europa (por oposição a Ásia, o "mundo oriental"), e os que têm suas raízes históricas e culturais ligadas à Europa. Nesta definição se incluem, além da própria Europa, também as Américas e a Oceania e, em parte, também a África do Sul.

A expressão Mundo Ocidental às vezes refere-se ao grupo de países que alcançaram a hegemonia desde a segunda parte do segundo milénio. Nesta definição estão incluídos a Europa Ocidental, os Estados Unidos e o Canadá.

Durante a Guerra Fria, a expressão "Mundo Ocidental" se referia de maneira muito genérica aos países capitalistas desenvolvidos. Esta definição inclui os Estados Unidos, o Canadá, a Europa Ocidental, a Austrália, a Nova Zelândia, e também o Japão e Israel.

Definições de governos servem um alvo legal e administrativo. Às vezes, elas têm pouca relação com definições que foram apresentados acima. Por exemplo, o governo dos Países Baixos considera os imigrantes da Indonésia (uma ex-colônia holandesa) como imigrantes ocidentais.

Ver tambémeditar | editar código-fonte

Referências

  1. Western Civilization, Our Tradition; James Kurth; Acessado em 30 de agosto de 2011
  2. Thompson, William; Joseph Hickey. Society in Focus. Boston, MA: Pearson, 2005. 0-205-41365-X
  3. Embassy of Brazil - Ottawa. Brasembottawa.org. Página visitada em 6 de maio de 2011.
  4. Falcoff, Mark. Chile Moves On. AEI. Página visitada em 6 de maio de 2011.
  5. A Evolução das Civilizações - pg. 84. Acessado em 15 de janeiro de 2013.
  6. Middle Ages Enciclopédia Britânica

    Das três grandes civilizações da Eurásia ocidental e do Norte de África, foi a Europa cristã que começou como a menos desenvolvida em praticamente todos os aspectos da cultura material e intelectual, bem atrás dos Estados islâmicos e bizantino.

  7. Section 31.8

    Por algumas gerações depois de Maomé, a mente árabe tem sido, como foi, moldada, e produziu poesia e muita discussão religiosa; sob o estímulo do sucesso nacional e racial ela presentemente resplandece com brilho somente superado pelos gregos em seu melhor período. Com um novo ângulo e com um fresco vigor ela assumiu aquele sistemático desenvolvimento de conhecimento positivo., que os gregos haviam começado e abandonado. Ela reviveu o propósito humano da ciência. Se os gregos foram os pais, então os árabes foram os padrastos do método científico de lidar com a realidade, ou seja, a absoluta franqueza, a máxima simplicidade de declaração e explicação, registro exato, e criticismo exaustivo. Mediante os árabes, e não através da rota latina, que o mundo moderno recebeu o presente da luz e poder.

  8. Lewis, Bernard. What Went Wrong. [S.l.]: Oxford University Press, 2002. 3 p. ISBN 0-06-51605-4

    Por muitos séculos o Islã esteve na linha de frente da civilização e realização humanas. Na era entre o declínio da antiguidade e surgimento da modernidade, isto é, nos séculos designados na história europeia como medieval, a reivindicação islâmica não era injustificada.

  9. Science, civilization and society
  10. Middle Ages
  11. commercial revolution
  12. The Scientific Revolution
  13. The Industrial Revolution - Innovations
  14. Duran 1995, p.81
  15. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Relatório de Desenvolvimento Humano 2013 – Ascensão do Sul: progresso humano num mundo diversificado (14 de março de 2013). Página visitada em 15 de março de 2013.







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