Operação Brother Sam

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A Operação Brother Sam foi desencadeada pelo governo dos Estados Unidos, sob a ordem de apoiar o golpe de 1964 caso houvesse algum imprevisto ou reação por parte dos militares que apoiavam João Goulart (Jango), consistindo de toda a força militar da Frota do Caribe, liderada por um porta-aviões da classe Forrestal da Marinha dos Estados Unidos e outro de menor porte, além de todas as belonaves de apoio requeridas a uma invasão rápida do Brasil pelas forças armadas americanas.

O desencadeamentoeditar | editar código-fonte

Lincoln Gordoneditar | editar código-fonte

O então embaixador Lincoln Gordon havia pedido a Washington apoio logístico aos militares brasileiros. Os Estados Unidos tinham forte influência em toda a América (com exceção de Cuba).

A Operação Popeye (Movimentação das tropas em Minas Gerais) estava sendo apoiada pela frota americana. A influência sobre Brasil era muito grande, as empresas de capital multinacional que aqui estavam tinham o domínio de grande parte da infraestrutura que sustentava o país; a geração elétrica, o fornecimento de água, de gás, de combustíveis, a indústria de alimentos, de roupas e toda a base da produção nacional.

A mobilização e o arquivamentoeditar | editar código-fonte

Em 31 de Março de 1964 foi deflagrada a Operação Brother Sam, que, segundo a imprensa e documentos já em domínio público liberados pelo governo americano, consistia no envio de 100 toneladas de armas leves e munições, navios petroleiros com capacidade para 130 mil barris de combustível, uma esquadrilha de aviões de caça, um navio de transporte de helicópteros com a carga de 50 helicópteros com tripulação e armamento completo, um porta-aviões classe Forrestal, seis destróieres, um encouraçado, além de um navio de transporte de tropas, e 25 aviões C-135 para transporte de material bélico.1

Gordon queria a intervenção rapidamente, se o golpe não tivesse vingado, o Brasil seria invadido, a poderosa Frota do Caribe estava entre 50 e 12 milhas náuticas ao sul do Espírito Santo, nas águas próximas à cidade do Rio de Janeiro.

Documento do Congresso estadunidense comprova a ação intervencionista: O papel dos Estados Unidos nestes eventos era complexo e às vezes contraditório. Uma campanha de imprensa anti-Goulart foi realizada ao longo de 1963, e em 1964 apoiada por Johnson. O embaixador Lincoln Gordon admitiu mais tarde que a embaixada tinha dado dinheiro a candidatos anti-Goulart nas eleições municipais de 1962 e encorajado os conspiradores; que muitos agentes das Forças Armadas dos Estados Unidos e pessoal extra da agência de inteligência estavam operando no Brasil; e que havia quatro navios tanques e o porta-aviões USS Forrestal da Marinha dos Estados Unidos, numa operação de codinome Brother Sam. As forças estavam ao largo da costa e, em caso de necessidade durante o golpe de 1964, agiriam rapidamente. Washington reconheceu o novo governo imediatamente após o golpe em 1964 e uniu-se ao coro que cantava que o golpe de estado das "forças democráticas" barrou o comunismo internacional. Em retrospecto, parece que a única mão estrangeira envolvida era a de Washington, embora os Estados Unidos não fossem o ator principal nestes eventos. Na verdade, a linha dura do exército brasileiro, pressionou Costa e Silva a promulgar o Quinto Ato Institucional (AI-5) no dia 13 de dezembro de 1968. Este ato deu para o presidente poderes ditatoriais, o Congresso e assembleias legislativas foram dissolvidos, foi suspensa a constituição, e imposta a censura .2

O exílio de Jangoeditar | editar código-fonte

Esse apoio militar dos Estados Unidos para o golpe militar provou desnecessário quando João Goulart chegou em Porto Alegre em 2 de Abril de 1964, e foi informado de que o governo dos Estados Unidos já havia reconhecido o novo governo brasileiro. Jango, em Porto Alegre, foi aconselhado pelo general Argemiro de Assis Brasil para se exilar no Uruguai.3

Os motivos da operaçãoeditar | editar código-fonte

Devido à Guerra Fria, qualquer linha de pensamento que não se alinhasse com a dos Estados Unidos e aliados pós Segunda Guerra era má vista, por isso os Estados Unidos não viam o governo de João Goulart, de tendência esquerdista, com bons olhos; havia três anos estavam preparando e incentivando civis e militares brasileiros estrategicamente para um golpe de Estado, para eliminar a influência das esquerdas pró-soviéticas no país.3 O general Golbery já estava 'armando' para que fosse uma transição pouco traumática para o país. Inicialmente, Kennedy mesmo sendo um ferrenho anti-comunista era contra o golpe no Brasil pois não enxergava ameaça de que o país se tornasse comunista. Mas sua morte levou ao poder nos Estados Unidos seu vice, Lyndon Johnson, que ansioso por calar os críticos internos reacionários Republicanos começou a operar uma política externa mais agressiva contra as investidas dos soviéticos.

O alinhamento do Brasil em 1946editar | editar código-fonte

Quando em 1946 os presidentes Dutra e Truman se reuniram, Dutra promoveu, por ideia do presidente americano, a fundação da Escola Superior de Guerra, criada em 1949. A ESG foi inspirada nos "War Colleges" americanos, onde estudavam militares brasileiros.

A Escola Superior de Guerra apesar do nome, não se trata de uma escola voltada aos assuntos clássicos da Estratégia e da Tática. Seus estudos são voltados para a política, sendo que seu principal curso, o Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia, tem em seu corpo docente desde a sua fundação mais da metade de alunos civis.

Devido ao alinhamento à direita, é claro que o país deveria seguir uma escola de guerra. O presidente Castello Branco optou pela escola americana.

O desalinhamento em 1955editar | editar código-fonte

Em 1955, Juscelino Kubitschek de Oliveira começou a incentivar a independência ideológica do Brasil em relação à política externa; os estado-unidenses começaram a se sentir ameaçados, pois denotou um desalinhamento da política brasileira em relação à dos Estados Unidos.

Com a construção do Muro de Berlim e a Revolução Cubana, Jânio Quadros homenageou Che Guevara e Fidel Castro. Isto chamou a atenção dos Estados Unidos para o Brasil, que, até então, estavam interessados com a Guerra Fria na Europa.

Os americanos ficarem atentos ao teatro de guerra nas Américas: jamais aceitariam um país de dimensões gigantescas e subdesenvolvido como o Brasil era à época perseguir uma política externa independente e não alinhada aos interesses norte americanos.

O anti-comunismo e intervencionismo americanoeditar | editar código-fonte

Com a posse de Jango, e o Brasil implementando políticas progressistas, reações conservadoras partiram de Washington e da direita brasileira insinuando que a política externa independente que Jango perseguia, de aproximar-se da posição independente do grupo de países não alinhados da Guerra Fria levaria eventualmente ao alinhamento do Brasil, e logo da América Latina, ao bloco de países comunistas uma vez que o movimento dos não alinhados continha países que resistiam à influência político, militar e econômica norte-americana como a Iugoslávia. Por uma questão estratégica norte-americana, e com a Guerra Fria em pleno andamento, os Estados Unidos não queriam aceitar que um país de dimensões continentais, subdesenvolvido como o Brasil era à época, mantivesse relações comerciais com a China e demais países considerados inimigos dos Estados Unidos. Para os Americanos da administração de Lyndon Johnson isso poderia acarretar em perda do mercado consumidor e que o Brasil se tornasse também fornecedor de matérias-prima para aqueles hostis aos Estados Unidos do bloco comunista e assim um déficit geopolítico-estratégico para os Estados Unidos na Guerra Fria.

Conforme noticiado na imprensa na época, os americanos em 1962 sugeriram que o Brasil adotasse sanções contra Cuba. O Brasil junto à outros países se negou a votar a favor da suspensão de Cuba da OEA, alegando que não havia clausula diplomática na carta fundadora da OEA. Por outro lado, com João Goulart tendo sido o transmissor das ameaças de invasão americanas à Cuba, o Brasil optou por votar a favor do bloqueio naval de Cuba pelos EUA quando da Crise dos mísseis, opção que a diplomacia brasileira julgava que manteria a paz entre EUA e URSS.

O Brasil de João Goulart flertava comercialmente com a África, a Índia, A China Comunista, o Leste Europeu Comunista e com uma gama de países do grupo de países aliados à URSS. O Brasil seguia perseguindo uma política externa contraventora com diversos atores não tipicamente aliados dos países americanos, em uma demonstração de que o Brasil almejava manter relações com todos os lados do conflito e não uma diplomacia comercial e diplomática alinhadas às posições norte-americanas. No âmbito da diplomacia econômica bi-lateral com os EUA, o Brasil seguia negando a ajuda americana para que pagasse indenização à empresas americanas estatizadas por governos estaduais. Com o discurso na Central do Brasil, se deu a impressão de que Jango usaria as camadas populares para pressionar por suas reformas agrária e bancária, o que os Estados Unidos não estavam preparados para aceitar, ou seja, perder aliados incondicionais na América Latina que servissem ao seu interesse nacional político, econômico e militar. Assim, o governo Americano deu autorização para que fosse posto em prático ação de apoio aos militares que tomaram o país. Muitos destes formados segundo teoria originalmente americana da segurança nacional anti-comunista, e mais ideologicamente alinhados aos interesses norte-americanos em ajudar os países latino-americanos na época.

Brizola e a estatização da ITTeditar | editar código-fonte

Em fevereiro de 1962, Leonel Brizola estatizou a ITT, empresa de telefonia norte-americana no Rio Grande do Sul, transformando-a na Cia. Rio-grandense de Telecomunicações (CRT).

Empresas americanas possuíam 31 das 55 maiores empresas do Brasil. Brizola foi intimidado de forma inconstitucional por militares para não realizar as estatizações. Militares conservadores que apoiavam Brizola julgaram sua atitude temerária.

A Lei de Remessa de Lucroseditar | editar código-fonte

Em Setembro de 1962 o Congresso Nacional aprovou a Lei de Remessa de Lucros, que ocasionou bilhões de dólares de prejuízos; essa foi outra provocação considerada pelos Estados Unidos como inadmissível, que desencadeou uma remessa de dinheiro para financiar os preparativos para o golpe. Gordon, em comunicado ao presidente americano, demonstrou muita preocupação.

Lincoln Gordon, Vernon Walters, Castello Brancoeditar | editar código-fonte

Lincoln Gordon, que foi enviado ao Brasil em setembro de 1961, era do Partido Democrata e ligado à CIA.

O coronel Vernon Walters era amigo de Castello Branco, haviam trabalhado lado a lado na Itália e era adido militar da embaixada americana no Brasil.

Segundo historiadores, Walters convocou Dan Mitrione a pedido de Magalhães Pinto para treinar 10.000 homens da Polícia Militar de Minas Gerais. Magalhães, dono do Banco Nacional, financiou do próprio bolso o treinamento.

A lei de remessas de lucros foi a proibição de empresas multinacionais de mandarem todos os lucros para suas sedes no exterior.

John Kennedy e João Goularteditar | editar código-fonte

John Kennedy, amigo pessoal de João Goulart, ordenou que Lincoln Gordon agisse com cautela para evitar uma revolução no Brasil. Gordon no entanto teve agir conforme ordenado por Lyndon B. Johnson, vice presidente de Kennedy que assumiu após seu assassinato e apoiou o golpe de estado oferecendo apoio militar e de suprimentos às tropas golpistas.

Lyndon Johnsoneditar | editar código-fonte

Com a morte de Kennedy, a posse em Novembro de 1963 de Lyndon Johnson e, em Janeiro de 1964, Jango sancionando a Lei de Remessa de Lucros, as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos ficaram mais complicadas pois o Brasil passava a pleitear posição mais equalitária na relação. As empresas americanas ameaçaram fechar suas filiais no Brasil. Internamente, Lyndon Johnson não tinha o mesmo apoio que Kennedy tinha e como todo presidente democrata sem amplo respaldo e aprovação ele era acusado pelos opositores do Partido Republicano de conduzir uma política externa muito suave, uma vez que a bandeira deles era sempre a anti-comunista e de política externa agressiva contra países esquerdistas e que não aceitassem os termos norte-americanos nas relações bilaterais. Tentando fazer um governo de coalizão, Johnson então mostrou-se mais agressivo que Kennedy, ordenando que seus serviços diplomáticos, de inteligência e militar fizessem "tudo ao seu alcance" para sacar do poder João Goulart.3

Lincoln Gordon e os rumos da ditaduraeditar | editar código-fonte

Em entrevista na rede ABC, em junho de 1979, Gordon confessou sentir-se chocado com os rumos da ditadura brasileira, ele não esperava que todo o capital injetado na região fosse literalmente para o ralo, e o Brasil estava mergulhando numa grande recessão, pois a política econômica se mostrou desastrosa, apesar da modernização do parque industrial.


Referências

  1. Phyllis R. Parker. Brazil and the Quiet Intervention, 1964. University of Texas Press.
  2. Brazil: The Military Republic, 1964-85. Library of Congress Country Studies. "[...] The role of the United States in these events was complex and at times contradictory. An anti-Goulart press campaign was conducted throughout 1963, and in 1964 the Johnson administration gave moral support to the campaign. Ambassador Lincoln Gordon later admitted that the embassy had given money to anti-Goulart candidates in the 1962 municipal elections and had encouraged the plotters; that many extra United States military and intelligence personnel were operating in Brazil; and that four United States Navy oil tankers and the carrier Forrestal, in an operation code-named Brother Sam, had stood off the coast in case of need during the 1964 coup. Washington immediately recognized the new government in 1964 and joined the chorus chanting that the coup d'état of the "democratic forces" had staved off the hand of international communism. In retrospect, it appears that the only foreign hand involved was Washington's, although the United States was not the principal actor in these events. Indeed, the hard-liners in the Brazilian military pressured Costa e Silva into promulgating the Fifth Institutional Act on December 13, 1968. This act gave the president dictatorial powers, dissolved Congress and state legislatures, suspended the constitution, and imposed censorship.""
  3. a b c Peter Kornbluh (editor) (1995-2004). BRAZIL MARKS 40th ANNIVERSARY OF MILITARY COUP: DECLASSIFIED DOCUMENTS SHED LIGHT ON U.S. ROLE. The National Security Archive.

Ligações externaseditar | editar código-fonte

Bibliografiaeditar | editar código-fonte

Ver tambémeditar | editar código-fonte








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