Riodades

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 Portugal Riodades  
—  Freguesia  —
Riodades está localizado em: Portugal Continental
Riodades
Localização de Riodades em Portugal
41° 01' 18" N 7° 29' 56" O
País  Portugal
Concelho SJP.png São João da Pesqueira
 - Tipo Junta de freguesia
Área
 - Total 19,20 km²
População (2011)
 - Total 462
    • Densidade 24,1/km2 
Gentílico: riodadense
Código postal 5130-287
Orago S. Miguel

Riodades é uma freguesia portuguesa do concelho de São João da Pesqueira, com 19,20 km² de área e 462 habitantes (2011). Densidade: 24,1 hab/km².

Rio D' Adens uma lição de históriaeditar | editar código-fonte

Em muitos aspectos, Riodades é hoje uma pálida sombra do que foi outrora, contudo, as suas raízes permanecem bem marcadas na índole das gentes, estando bem conservadas, as características, não só do povo riodadense, mas também, da forma de ser e de sentir do português.

As origens desta povoação são remotas, vão para lá da fundação da própria nacionalidade. Muitos terão sido os povos que por ali passaram, deixando sempre a marca da sua passagem, quer em vestígios físicos de obras arquitectónicas, quer nos vocábulos próprios e característicos, quer até em aspectos culturais que terão resistido ao caminhar dos tempos, constituindo poderosa herança de quem os recebe.

Falar na história de Riodades, é falar numa história percorrida passo a passo com Paredes da Beira, localidade vizinha de Riodades, sempre unida a esta com laços culturais, de vivência, ou até mesmo sanguíneos, desde a própria génese das duas populações. Sempre assim foi, e prevê-se que sempre assim será, pela estreita ligação que existe entre os habitantes das duas localidades. Tal facto não significa que a sua relação ao longo dos tempos tenha sido sempre cordial e pacifica. Desde os tempos mais remotos que ambas disputavam primazia sobre a outra, provocando aquelas animosidades muito características entre localidades vizinhas, mas que, no fundo sempre serviu para manter vivo o espírito de união que as caracteriza. A história assim o demonstra.

Geografia e morfologiaeditar | editar código-fonte

Freguesia do concelho e comarca de São João da Pesqueira, distrito de Viseu, diocese de Lamego, relação do Porto. Orago S. Miguel, dista 22 km a sudoeste da sede do concelho.

Freguesia compacta, situada em local ameno e soalheiro, com largas e dilatadas vistas, numa zona beirã caracterizada por enormes afloramentos graníticos, os quais proporcionam uma paisagem interessante do ponto de vista geológico.

Outrora densamente povoada por pinheiros, encontra-se hoje como uma das zonas mais martirizadas pelos fogos florestais que ano após ano proliferam pelas matas e florestas portuguesas. Extremamente rica e sobejamente conhecida pelos seus vales de campos de vinha e olival, principalmente pela sua qualidade ímpar, deparamo-nos hoje, em muitos casos, com uma visão árida e muito pouco cultivada resultante do constante abandono da agricultura e/ou da desertificação do interior português, que se sente deveras em localidades sem qualquer tipo de industria ou serviços.

Riodades situa-se na margem direita do rio Távora – afluente do douro – os curas desta freguesia nas "Memórias Paroquiais de 1758" – os padres Bernardo José de Lemos e António Correia – diziam justamente “ está situado este lugar entre quatro serras e três rios, ainda que pequenos, à maneira de península, sendo o de mais ponderação o rio Távora.”

Do foral de Paredes da Beira do século XI, lê-se que um desses rios, tributário do tavora (tavara no original) e que atravessa parcialmente a freguesia de Riodades, desaguando aqui, naquele rio. A denominada tavarela, (diminutivo medieval de tavara), também este nomeado no dito foral, vindo de Castainço, onde nasce. O outro dos três cursos de água, e dos três o menos considerável, chamou-o o dito foral de ribeira de macieira, decerto por nascer nesta povoação e freguesia limítrofe, desaguando no tavarela junto à povoação de Riodades. As designações de tavarela e ribeiro de macieira, não são as designações iniciais atribuídas aos cursos de água, quanto a um deles, de facto, o ribeiro entra no tavarela junto a Riodades, e neste topónimo figura o termo “rio” que se refere forçosamente a um deles, desconhecendo-se a qual. O étimo do último elemento é “anades”, ou como hoje em dia se diz o “adens”, a conhecida espécie animal palmípede. No século XIII, a tradição do topónimo Riodades era de “riba de ades” (inquirições de 1253), concordando inteiramente com o étimo, sendo já do uso popular, na altura, de “rio de aades”, que forçosamente designava um dos cursos de água onde povoavam as adens. Embora não se possam expor dúvidas a esta etimologia, é interessante ver o que a este respeito escreveram os curas supra referidos “uns dizem que esta povoação se chama Riodades, a ades, pássaros que no rio távora andam com frequência, no tempo de inverno, principalmente neste país e que por esta cousa se apelida o lugar de Rio de ades, outros afirmam que antigamente se chamou Rio de Águias, por haver somente neste distrito cópias destas aves, que se criam e têm a sua habitação nos grandes penhascos do rio távora, junto deste lugar” Convém recordar também o foral de Paredes da Beira do século XI, que indica no circuito de Riodades para as bandas de Trevões “ a cabeça da aguieira” como, além das águias, os grous. O dito foral do século XI (foral fernandino ou foral antigo), refere Riodades “para os lados de Penela, o sitio do nonho dos grou”- “quomodo duidit cum pena de dono et cum penela quomodo vadit ad nium de grou…”. A verdade é que a ciência etimológica – neste caso infalivelmente –dá-nos como certa apenas a primeira das duas hipóteses.

Vestígios históricoseditar | editar código-fonte

Muitos são os vestígios históricos que se podem encontrar na zona de Riodades. Desde vestígios arqueológicos, até aos mais recentes, esta é uma área de excelência devido à riqueza do seu espólio histórico e arqueológico. Muitos não chagaram aos nossos dias, sofrendo a erosão do tempo, e outros, ainda ocultos, esperam por um olhar mais atento e cuidado para virem à luz dos nossos dias.

Desde vestígios pré-históricos, passando pela civilização romana, a indícios da passagem dos visigodos por estas paragens, ou mesmo muçulmanos; da reconquista cristã à baixa idade media, são indícios ímpares de uma história já bem comprida de Riodades e Paredes da Beira.

O povoamento local é, sem dúvida, pré-histórico, como o demonstram as estâncias arqueológicas que por aqui se podem encontrar, tendo sido de carácter relevante para a fixação de povos pré-históricos devido ao seu clima ameno, fertilidade das terras e abundância de água, com diversos cursos fluviais na área.

De todas as estâncias arqueológicas, talvez a mais antiga, decerto a mais conhecida, é a estação arqueológica da “fraga d' aia” situando-se esta em Paredes da Beira, junto à margem direita do rio távora.

A fraga d' aia é um pequeno abrigo granítico, formado por blocos da mesma rocha, que se sobrepuseram uns aos outros. Esquematicamente, é constituído por uma parede inclinada, onde foram efectuadas pinturas a vermelho e por uma plataforma exterior rodeada por penedos, que era ocupada em época pré-histórica. Trata-se de um abrigo de pinturas rupestres do quaternário, sendo importante devido às indicações que nos dá da “necessidade e preocupação do homem, em exteriorizar as suas necessidades, ideias, desejos e sentimentos. Estes indícios de exteriorização forjaram o primeiro episódio da história da comunicação, vencido à partida, nos seus combates contra as forças da natureza, ele devia estar condenado a desaparecer. Contudo, compensa a sua fraqueza com a sua astúcia e a sua habilidade manual. O homo sapiens tornar-se-á simultaneamente o homo faber e o homo loquens".

Outras estâncias que por aqui poderemos encontrar, são as estâncias arqueológicas e castrejas de “carapito” (ao sueste, entre o ribeiro de Macieira e o tavarela); e de “ ribadela”, perfeitamente oposta àquele,(do outro lado deste rio), onde são visíveis vestígios de fortificações.

Igualmente notáveis, são os cabeços de “jocoim” e “dacotim”. O primeiro, dominando ao sul, perto do lugar de Riodades, enquanto que o segundo, do outro lado do tavarela, sobre Vale de Penela (b lugar anexo à freguesia de Riodades). O cabeço de jocoim, parece o mesmo referido, a dada altura, no foral de Paredes da Beira, referido como cabeça de torgais. “…quomodo uaditper cabeza de torgaaes et cum Furtarquada…”. Acrescentam-se dúvidas a esta teoria, parecendo-nos que o foral referido, quererá determinar os limites de Paredes da Beira com Fontearcada, como sendo a ”turgueira”, topónimo este que derivará certamente do referido no foral. Seja o mesmo ou não, o nome é evidente genitivo medieval, decerto antroponómico, como o é dacotim, podendo ser este decomposto em “ai d – cotim”, em que este nome é o genitivo de hipocarístico de origem germânica.

Outros topónimos de filiação germânica se podem encontrar por aqui, como é o caso de “britelo”, nos extremos da freguesia, para as partes de Penela, decerto o mesmo “britello” referido no foral de Paredes da Beira do século XI, embora aqui já se refira simplesmente a “…castineira vetera de britelo…”; ou ainda como parece ser o caso de “vale dos mil”, em Paredes da Beira, sem dúvida de interpretação popular de “valdemil”, genitivo do nome pessoal de origem germânica, muito usado antes do século XII, “Baldemirus”, isto é, “Baldemiri”, significando “villa” de um indivíduo desse nome. Ligada à interpretação popular desse topónimo “valdemil”, existe a tradição de uma batalha no local, entre mouros e cristãos, em que aqueles pereceram aos milhares.

Voltando à referência das estâncias arqueológicas, é de notar que a do carapito é designada por “castelo” no foral de Penela da Beira, do século XI “castellum de carapito”, devendo constituir o centro principal da dispersão das populações pelas baixas no período da romanização. Com este período, concordarão naturalmente topónimos locais, como é o caso de “predade”, (onde se encontra hoje situada uma quinta), na margem do ribeiro de Macieira, e talvez alusivo à espécie vegetal, característica do sitio nessa época.

E “reboredo”, ou “reboledo”, também alusivo a espécie vegetal, o “rabur”, (carvalho), (de reboreta). Outros nomes de sítios ou quintas, indicam possessões ou proprietários medievais, (até ao século XIII ou XIV), como é o caso de “sarrazinho”, que é o próprio nome pessoal “sarracino”; como também é o caso de “pai Fernandes”, em que pai é a proclise de paio; “Maria diz”, entre outros. O topónimo “ferrarias”, tanto pode aludir a factos arqueológicos, como a oficinas mais modernas, (medievais), onde se trabalhasse o ferro.

Rio D' Adens uma lição de históriaeditar | editar código-fonte

Muitas histórias e lendas subsistiram no decorrer dos tempos para chegar aos nossos dias e dar-nos um parecer um pouco abrangente do que representa a antiga e vasta história da nossa aldeia.

Riodades, outrora Rio d' Adens, havendo quem lhe chamasse ainda Rio d´Aves. Ora o nome deriva do facto de as "adens" (patos) tenham habitado esta zona, não se sabendo ao certo se o referido rio seria o Távora ou o Tabarela.

Riodades possuía em 1757 cerca de 150 fogos, evoluindo este número para cerca de 215 fogos, em finais do século passado. Cabia ao Reitor de Paredes da Beira apresentar o cura de Riodades possuindo este 8000 réis de côngrua. Dava-se na apresentação do cura desta freguesia, uma singularidade digna de nota, já que havia anos em que eram apresentados dois curas párocos com iguais honras, direitos, interesses e responsabilidades, um para Riodades e outro para Paredes, aliás são duas povoações com um caudal histórico em comum.

A Reitoria de Riodades foi estabelecida a 23 de Janeiro de 1870 e a Igreja (do Adro) que fora matriz tornava-se, transcrevendo um documento da época, "notável pela sua pobreza e abandono (…) e é talvez o templo mais ordinário de Portugal". Entenda-se ordinário como sinónimo de antiguidade, já que ainda hoje podemos ver a inscrição no lado exterior da Igreja, subsistindo a todo o tipo de remodelações, a data de 1110, não se sabendo porém se é a data da sua fundação ou de alguma reconstrução, data essa, que sendo da era de César, corresponde no calendário cristão ao ano de 1072.

Muitas eram as famílias nobres que possuíam o seu solar em Riodades. No início do século XVIII existiam as seguintes famílias de antiguidade e nobreza reconhecidas: os Guedes, os Leitões Loureiros, os Rebelos e os Pimenteis Botelhos, sendo esta a última a ser representada, nos finais do século passado.

No alvo de um monte bastante elevado situa-se a capela de Nossa Senhora Alegria, hoje com um imponente escadório onde existiu o "Castelo Môr" ou Castelo da Montanha, um dos tais e míticos sete castelos. A fundação da capela perde-se no tempo, não se sabendo nem quando nem, por quem foi mandada edificar. Sabe-se contudo que desde sempre, quem lá sobe delicia-se com "formosas e dilatadas vistas". A capela já foi reparada com as esmolas dos devotos pelo pároco em 1876.

Com tantas controvérsias acerca da sua festa principal, se realizada em Agosto ou em Setembro, sabe-se porém que a festa original tinha lugar no dia de Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Quanto ao mercado que se realiza quinzenalmente às Segundas- Feiras era no decurso do século passado realizado aos segundos Domingos de cada mês, sendo bastante concorrido por sinal.

Riodades e Paredes da Beira possuíam o mesmo número de autoridades, com poderes em tudo iguais e pertenciam à comarca de Trancoso. Os dízimos de Riodades pertenciam à Universidade de Coimbra.

Uma lição de História, parte IIeditar | editar código-fonte

Muito se pode dizer sobre Riodades, pois é rica e dilatada a sua história. De fundação anterior à própria monarquia portuguesa, foi resgatada aos Mouros por D. Thedon e D. Rauzendo, em meados do século XI. Muitas são as referências a Riodades, ao longo da história, rica em lendas, que prevalecem através dos tempos, tornando válido o orgulho que todos os riodadenses têm em o ser.

Para se buscar as origens de tão singular população, deve-se ter em linha de conta, de igual modo, a história de Paredes da Beira, por se encontrarem lado a lado através dos tempos, história esta única, muitas vezes, inexplorada com tendência a perder-se com o decorrer dos tempos. Muita da sua génese está agora a ser "desenterrada" com os inúmeros focos arqueológicos que vão sendo postos a nu, podendo afirmar com toda a convicção, que esta é apenas a ponta do iceberg. Quem dedica um pouco da sua atenção para a maravilhosa paisagem que poderá encontrar na zona, facilmente poderá constatar este facto.

Não serão apenas simples lendas o que se diz acerca dos designados "7 castelos". A história remonta à época da reconquista cristã, na qual Paredes e Riodades desempenharam um papel fundamental, devido à sua posição geoestratégica. Foram tomadas aos Mouros, estas duas localidades, por dois fidalgos descendentes dos Reis de Leão – os Távoras – D.Theodon e D.Rauzendo, como já se havia dito anteriormente, havendo inúmeras lendas que persistem acerca desta tomada, havendo dados que nos levam a crer ter sido das mais sangrentas das batalhas travadas. Algumas dessas lendas mais significativas é a tomada do denominado "castelo da montanha", na madrugada de 24 de Junho de 1037 (havendo historiadores que apontam para o ano de 1062), situado no cume de um monte onde hoje poderemos encontrar a capela de Nossa Senhora das Alegria. Outra das lendas é a toma da designada "Praça dos Mouros" em Paredes da Beira, subsistindo até aos nossos dias ainda esse nome em memória a tão sangrenta batalha.

Outros desses castelos encontravam-se estrategicamente espalhados pelas duas localidadeseditar | editar código-fonte

  • Castelo Velho – a oeste, próximo do Távora;
  • Castelo da Chen de Murganho – no sítio das Carvas;
  • Castelo de Nossa Senhora – a este, o principal de todos, o seu antigo nome era Castelo da Fraga da Alcávia.







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