Severino Di Giovanni

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Severino Di Giovanni
Nascimento 17 de Março de 1901
Abruzos, Itália
Morte 1 de Fevereiro de 1931 (29 anos)
Buenos Aires, Argentina
Ocupação Tipógrafo, Jornalista e Professor
Escola/tradição Anarquismo, Ilegalismo, Antifascismo

Severino Di Giovanni (Chieti, 17 de Março de 1901Buenos Aires, 1 de Fevereiro de 1931) foi um militante anarquista italiano radicado na Argentina, conhecido por suas ações diretas violentas contra o estado autoritário, apelidado "o Robin Hood moderno".

Infância e juventudeeditar | editar código-fonte

Di Giovanni nasceu em 17 de Março de 1901 na região dos Abruzos, Itália, a 180 quilômetros a leste de Roma. Durante sua infância se viu fortemente impactado pelas imagens do pós-guerra (Primeira Guerra Mundial): fome, pobreza e soldados mendigando pelas ruas. Severino começou a se rebelar desde pequeno contra qualquer tipo de autoridade. Autodidata, ainda na Itália foi professor sem titulação e tipógrafo. Desde jovem teve contato com as ideias anarquistas através de textos impressos de Bakunin, Malatesta, Proudhon, Kropotkin e Élisée Reclus. Com dezenove anos ficou órfão e em 1921 - aos vinte anos- se entregou integralmente à militância anarquista. Em 1922 o fascismo de Mussolini se impôs na Itália e a censura e perseguições aos anarquistas obrigaram Severino a se exilar junto com sua família na Argentina.

Argentinaeditar | editar código-fonte

Chega a Buenos Aires na última grande onda de imigrantes italianos, em sua maioria gente muito pobre e analfabeta. A eles dirigiria Severino a maior parte de sua propaganda política e escritos, principalmente através de seu jornal mais célebre Culmine, que escrevia durante as noites já que trabalhava como tipógrafo e operário durante o dia. Foi um momento propício em que muitos outros anarquistas italianos se organizavam na Argentina, sendo este país latino-americano aquele onde as ideias libertárias mais se propagaram. Os eventos retratados em Patagonia Rebelde, filme baseado no livro de Osvaldo Bayer, mostra a resposta do governo aos insurgentes: o massacre. Di Giovanni também participa e protesta em atos em solidariedade pela prisão e homicídio de Sacco e Vanzetti em 1927. Grande parte de sua estadia na Argentina foi uma fuga constante, tendo de se mudar continuamente de um lugar a outro do país com sua família para evitar sua prisão.

Jornal Culmineeditar | editar código-fonte

O jornal Culmine começou a circular em Agosto de 1925. Assim sintetizava Di Giovanni o objetivo do 'Culmine':

  • Difundir as ideias anarquistas entre os trabalhadores italianos
  • Se contraposicionar à propaganda dos partidos políticos pseudo-revolucionários, que fazem do antifascismo uma especulação para suas futuras conquistas eleitoreiras.
  • Iniciar entre os trabalhadores italianos agitações de caráter exclusivamente libertário para manter vivo o espírito de aversão ao fascismo.
  • Integrar os trabalhadores italianos em todas as agitações proletárias da Argentina.
  • Estabelecer uma intensa e ativa colaboração entre grupos anarquistas italianos, companheiros exilados e o movimento anarquista regional.

Ação direta e bombaseditar | editar código-fonte

Di Giovanni não se limitou à teoria e aos panfletos, e não foi seus escritos o motivo de sua notoriedade, mas sim suas ações diretas violentas. Ele acreditava ser a 'revolução violenta' um mal necessário como pode ser comprovado em um trecho de sua última mensagem escrita em sua cela poucas horas antes de ser assassinado:

[…]Não busquei afirmação social, nem uma vida acomodada, nem tão pouco uma vida tranquila. Para mim elegi a luta. Viver em monotonia as horas mofadas dos medíocres, dos resignados, dos acomodados, das conveniências, não é viver, é somente vegetar e se mover na forma ambulante um monte de carne e de ossos. À vida é necessário brindá-la com a sublime elevação do braço e da mente. Enfrentei à sociedade com suas próprias armas, sem abaixar a cabeça, por isso me consideram, e sou, um homem perigoso.


Entre os atentados terroristas associados a ele estão uma bomba em um banco e outra no consulado italiano em Buenos Aires onde morreram vários civis inocentes por acidente, o que provocou grande parte da antipatia do resto dos grupos anarquistas e sua condenação por diversos jornais. Também participou de roubos, vindo ferir gravemente um policial com um tiro no rosto num deles. O maior roubo do qual participou foi o de um caminhão pagador carregado com 286.000 pesos, que lhe permitiu realizar seu sonho de abrir sua própria gráfica.

Captura e morteeditar | editar código-fonte

Severino Di Giovanni em seu julgamento.

Em seu último panfleto Di Giovanni escreveu "Saibam Uriburu e sua horda fuziladora que nossas balas buscarão seus corpos. Saibam o comércio, a indústria, os bancos, os latifundiários e os fazendeiros que suas vidas e posses serão queimadas e destruídas" Esta foi a gota que transbordou o copo.

A pouco tempo antes de sua prisão foi ditada a sua sentença de fuzilado, marcada para dia seguinte, em 1 de Fevereiro de 1931. Poucas horas antes de ser fuzilado pediu um café doce em sua cela. Ao provar o primeiro gole o dispensou: "Pedi com muito açúcar… Não importa, o será da próxima vez" disse com humor ácido. Após se despedir de sua família foi levado a um pátio externo da penitenciária da rua Las Heras para ser fuzilado diante de diversas testemunhas. Entre elas encontrava-se o escritor Roberto Arlt quem, mais tarde, descreveu os últimos momentos de sua vida.1

"O condenado caminha como uma pato. Os pés presos e afastados por uma barra de ferro a correntes que amarram as mãos. Atravessa uma faixa de calçamento rústico. Alguns espectadores riem. Insensatez? Nervosismo? Quem saberia! O réu se senta repousadamente no banquinho. Apoia as costas e ergue o peito. Olha para cima. Logo se inclina e parece, com as mãos abandonadas entre os joelhos afastados, um homem que cuida o fogo enquanto esquenta a água para tomar o mate. Permanece assim quatro segundos. Um sub-oficial lhe atravessa uma corta sobre o peito, para que quando os projéteis lhe matem não caia por terra. Di Giovanni gira a cabeça da direita para a esquerda e se deixa amarrar. É formado o bloco do pelotão de fuzilamento. O sub-oficial quer vendar o condenado. Este grita: "Venda não".

"Olha duramente para os executores. Emana vontade. Se sofre ou não, é um segredo. Mas permanece assim, teso, orgulhoso. Di Giovanni permanece reto, apoiada as costas no respaldar. Sobre sua cabeça, um uma faixa de muralha cinza, se movem pernas de soldados. Enche o peito. Será para receber as balas?

— Pelotão, firme. Apontem.

A voz do réu estala metálica, vibrante:

— Viva a anarquia! — Fogo!

Resplendor súbito. Um corpo robusto é convertido numa lâmina de papel dobrada. As balas rompem a corda. O corpo cai de cabeça na grama verde com as mãos tocando os joelhos. O clarão do tiro final.

As balas haviam escrito a última palavra no corpo do réu. O rosto permanece sereno. Pálido. Os olhos entreabertos. Um ferreiro martela aos pés do cadáver. Remove os rebites dos grilhões e da barra de ferro. Um médico o observa. Certifica-se de que o condenado está morto. Um senhor, que tinha vindo de fraque e com sapatos de baile, se retira com a cartola sobre a cabeça. Parece que saíra do cabaret. Outro diz uma má palavra.

Vejo quatro rapazes pálidos como mortos e desfigurados que mordem os próprios lábios; são: Gauna, do La Razón, Álvarez, do Última Hora, Enrique González Tuñón, da Crítica e Gómez do El Mundo. Eu estou como bêbado. Penso nos que estavam rindo. Penso que a entrada da Penitenciaria deveria ser colocado um cartaz dizendo:

— Está proibido rir — Está proibido entrar com sapatos de baile1

Di Giovanni tinha 29 anos quando foi fuzilado. Seus restos permanecem enterrados no cemitério de La Chacarita.

Curiosidadeseditar | editar código-fonte

  • Existe atualmente no Chile um grupo anarquista de ação direta responsável por vários atentados contra o estado chileno com o nome de Severino Di Giovanni.

Bibliografiaeditar | editar código-fonte

  • Bayer, Osvaldo. Severino Di Giovanni, el idealista de la violencia. Buenos Aires: Galerna, 1970.
  • Noble, Cristina. Severino Di Giovanni, Pasión Anarquista. Buenos Aires: Ed. Capital Intelectual, 2006.

Referências

Ver tambémeditar | editar código-fonte

Portal Portal da Anarquia

Ligações externaseditar | editar código-fonte









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