Siemens AG

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Siemens AG
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Tipo sociedade por ações
Indústria Infra-estrutura dos setores de energia e transportes públicos. Equipamentos hospitalares.
Fundação 12 de outubro de 1847 em Berlim, Alemanha
Sede Munique, Berlim, Erlangen, Alemanha
Pessoas-chave Joe Kaeser,
Presidente & CEO
LAJIR Red down.png 4,342 bilhões (2008) 1
Faturamento Red down.png 76,651 bilhões (2008) 1
Página oficial www.siemens.com

A Siemens Aktiengesellschaft ou simplesmente Siemens AG (NYSE: SI)2 é um conglomerado alemão de engenharia, sendo o maior da Europa.3 Seus principais escritórios estão localizados em Berlim, Munique e Erlangen. A empresa possui um total de 15 divisões e atua principalmente em três áreas: indústria, energia e medicina.

Mundialmente, a Siemens e suas subsidiárias empregam mais de 420 000 pessoas em 190 países1 e faturou 76 bilhões de euros no ano fiscal de 2008.1 A Siemens AG está listada na Bolsa de Frankfurt, estando também listada na Bolsa de Valores de Nova Iorque desde 12 de março e de 2001

Atuava originalmente fabricando equipamento de telecomunicações e atualmente está também nas áreas de material elétrico, infra-estrutura do setor energético (elétrico e nuclear), transporte público (na construção de trens e metrôs), equipamento hospitalar, painéis solares, autopeças (Siemens VDO) e computadores (Fujitsu-Siemens). No passado, a empresa teve filiais para a montagem de carros (Siemens Protos) e componentes eletroeletrônicos (Icotron, entre outras). A primeira encerrou suas atividades e a segunda se tornou uma empresa independente, a Epcos. A Siemens também participa de várias joint ventures , principalmente na área de geração de energia. O grupo controla ainda várias outras empresas que não levam o nome Siemens, como a fabricante de lâmpadas Osram e a fabricante de turbinas Demag Delaval.

Históriaeditar | editar código-fonte

Em 1847 os engenheiros alemães Werner von Siemens e Johann Georg Halske fundaram a Telegraphen-Bauanstalt Siemens & Halske para instalar linhas telegráficas e fabricar o produto que desenvolveram no ano anterior, o telégrafo de ponteiro. Diferente do telégrafo comum que exigia conhecimento do código Morse para ser usado, o telégrafo de Siemens e Halske tinha uma tecla distinta para cada letra, podendo ser operado por qualquer adulto alfabetizado.

O primeiro contrato para a instalação de uma linha foi firmado com o governo da Rússia, para ligar as cidades de Frankfurt e Berlim, em 1848. Para que parte da linha pudesse ser subterrânea, Siemens criou a prensa de guta-percha, máquina que revestia os fios com material isolante. Antes disso, as linhas telegráficas eram todas suspensas.

A empresa correu risco de falir quando o governo russo cancelou todos os seus contratos, mas, numa nova virada, o governo russo contratou a companhia para a instalação de uma enorme linha, com mais de 10000 km, ligando a Finlândia com a região da Crimeia. Este e outros contratos permitiram a expansão da empresa durante a década de 1850. Werner e seu irmão, Wihelm, instalaram na Inglaterra a Siemens Brothers, fábrica destinada a produção de cabos. Mandaram construir um barco no país, o Faraday, utilizado na instalação de cabos telegráficos submarinos.

Em 1870, a Siemens & Halske completou seu trabalho mais famoso: a linha telegráfica indo-europeia, que ligou as cidades de Londres e Calcutá. A essa altura, a empresa já estava bem estabelecida, com várias representações em países estrangeiros. Em 1879, com a transferência da sede de Berlim para Viena, começou uma nova fase de diversificação de objetivos. No mesmo ano, Siemens inventou o gerador elétrico a apresentou a primeira ferrovia elétrica. Em 1881, instalou a primeira rede de iluminação elétrica de rua da Europa e a primeira linha de bondes do mundo. No fim do século XIX foi criada a Siemens-Shuckertwerke dedicada à área de engenharia elétrica.

Em 1908, com Werner von Siemens já falecido, a Siemens-Schuckertwerke incorporou a Protos, fabricante de carros alemã. Os modelos da Protos já eram bastante requisitados pela elite europeia, mas a Siemens decidiu diversificar projetando carros de corrida. No mesmo ano da compra, um modelo de corrida da Protos venceu a Corrida Automobilística Nova York-Paris. A fabricação de carros foi encerrada na década de 1920, com a Siemens se concentrando cada vez na produção de material elétrico e de eletrodomésticos (muitos dos quais lançados sob a marca Protos).

Durante a Primeira Guerra Mundial a Protos praticamente abandonou a produção de carros de passeio, concentrando-se na construção de veículos para o exército alemão. Nessa fase fabricou caminhões de carga, caminhões-geradores e ambulâncias. Apesar destes contratos com o governo, a primeira Grande Guerra foi uma época de crise para todas as empresas do grupo Siemens. Os empreendimentos mais prejudicados foram os fortemente dependentes de importações, como os serviços de instalação elétrica industrial e construção de ferrovias. O fim da guerra iniciou um curto período de recuperação. Em 1919 Carl Friedrich von Siemens, filho mais novo de Werner, assumiu o comando da empresa. O novo ciclo de crescimento foi interrompido pela Quebra da Bolsa de 1929.

Com a deflagração da Segunda Guerra Mundial novamente as importações foram prejudicadas, e a produção regional tornou-se iminentemente necessária. Para manter os estoques, a Siemens montou várias oficinas de manufatura utilizando mão-de-obra escrava judia, voltadas para seu próprio consumo. A Siemens passou a produzir elétrodos, disjuntores e transformadores em lugares onde antes apenas os instalava.

A partir da década de 1950, o gerenciamento das companhias começou a ser centralizado. Antes disso, as três principais empresas do grupo – Siemens & Halske, Siemens Shuckertwerke e Siemens-Reiniger-Werke – eram administradas separadamente.

No ano de 2009 a empresa consolidou-se como a maior fabricante de centrais PABX de pequeno e médio porte do Brasil, com participação de 35% neste mercado.

Organizaçãoeditar | editar código-fonte

A empresa se reorganizou em unidades menores em 1989, descentralizando sua gerência e tornando cada filial responsável por seus próprios resultados. Na América do Sul essa estratégia foi parcialmente modificada quando as filiais da Argentina e Chile passaram a reportar à sede da Siemens Ltda., em São Paulo, originando a Siemens Mercosur.

No entanto, desde 1 de Janeiro de 2008, a Siemens Ltda. voltou novamente a ser um Cluster país (Cluster Brazil), passando tanto a Argentina quanto o Chile, a fazerem parte do Cluster Austral-Andino.

Deste esta mesma data, a empresa é formanda por 3 setores, subdivididos em 15 divisões.4

  1. Setor Industry (industria)
    1. Industry Automation
    2. Drive Technologies
    3. Building Technologies
    4. Industry Solutions
      1. Water Technologies
    5. Mobility
    6. Osram
  2. Setor Energy (energia)
    1. Fossil Power Generation
    2. Renewable Energy
    3. Oil & Gas
    4. Service Rotating Equipment
    5. Power Transmission
    6. Power Distribution
  3. Setor Healthcare (médica)
    1. Imaging & IT
    2. Workflow & Solutions
    3. Diagnostics

A Siemens AG é proprietária, entre outras, das seguintes empresas:

E sócia das seguintes joint-ventures:

  • Fujitsu-Siemens
  • Bosch Siemens Hausgeräte
  • Nokia Siemens Networks
  • Siemens Enterprise Communications Group

As atividades de back office das empresas Siemens na América Latina são gerenciadas pela organização Shared Services Latin America, que é um programa interno da empresa visando a sua otimização de processos, melhorias na rentabilidade, maior qualidade nas operações da empresa e concentração e padronização nos processos de apoio das operações das áreas de negócios.

Como processos de apoio pode-se identificar as atividades de Finanças e Contabilidade, Logística, Compras, Viagens, Recursos Humanos, gestão dos recursos e sistemas em Tecnologia da Informação,entre outros, fundamentais para o desenvolvimento sustentável da empresa, mas que não fazem parte do núcleo de negócios da Siemens.

Siemens no Brasileditar | editar código-fonte

A primeira empreitada da Siemens no Brasil foi a instalação de uma linha telegráfica ligando a então capital Rio de Janeiro à província de São Pedro (atual estado do Rio Grande do Sul), em 1867. Outra linha foi estabelecida na década seguinte, ligando o Rio a Montevidéu, sendo em sua maior parte submarina. Apesar da grandiosidade desse segundo projeto, a Siemens ainda não considerava o Brasil um mercado interessante o bastante para justificar a construção de uma filial regional.

A situação só mudou em 1895, época em que tanto a eletrificação das cidades quanto a própria urbanização avançavam rapidamente. Interessada em lucrar com a demanda por infraestrutura elétrica, a empresa abriu um escritório técnico no Rio de Janeiro e começou a firmar contratos para a instalação de geradores, linhas telegráficas e de bondes. A maior parte dos contratos era firmada com o governo e paga com divisas obtidas com o lucro do Primeiro ciclo da borracha. Aliás, a ampliação da rede telegráfica deu-se em parte justamente para facilitar o acompanhamento das cotações do látex. No princípio a maior parte dos meios de produção, bem como grande parte da mão de obra, ainda era de origem estrangeira.

Em 1905 foi fundada a Companhia Brasileira de Electricidade Siemens-Shuckertwerke. A firma foi encarregada da iluminação elétrica das ruas do Rio de Janeiro, assim como pela instalação de um sistema de alarmes de incêndio ligado ao corpo de bombeiros municipal. A empresa também instalou geradores e as primeiras linhas telefônicas do Brasil. Expandiu-se rapidamente, abrindo representações em São Paulo, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre. Também mantinha grandes armazens de material elétricoque ainda era todo importado. No Brasil, a Siemens continuava uma prestadora de serviços, não uma indústria fabricante. A despeito disso chegavam ao país vários produtos Siemens importados, como o carro Landaulet (da extinta Siemens-Protos) usado pelo Barão do Rio Branco.

A deflagração da Primeira Guerra Mundial trouxe tempos de crise. Embora o Brasil não tenha tomado parte no conflito diretamente as importações foram restringidas. A Siemens fechou escritórios um após o outro e só não encerrou completamente as atividades devido ao suporte recebido das filiais inglesa, argentina e estadunidense. Finda a guerra, começou a recuperação, feita através de contratos para a eletrificação de usinas de açúcar e da indústria em geral. Também instalou no país as primeiras centrais telefônicas automáticas da América Latina.

A Siemens brasileira só começou a produzir de fato em 1939, forçada pelo contexto internacional estabelecido pela Segunda Guerra Mundial. Sabendo pela experiência anterior que o conflito traria novas restrições ao material importado, a empresa começou a nacionalizar a fabricação de transformadores e disjuntores, abrindo a primeira fábrica, em São Paulo. Mas o problema maior da empresa na época foi suas raízes germânicas. Tão logo Getúlio Vargas optou de vez por apoiar os aliados começou um processo de intervenção contra as empresas alemãs. A Siemens foi estatizada em 1942 e fechada em 1944. Suas ações só começaram a ser reintegradas em 1946.

Os alemães também receberam de volta o controle da Casa Lohner, uma fábrica de equipamentos médicos. A serviço da Lohner, o doutor Manuel de Abreu desenvolveu o primeiro aparelho brasileiro de raios-x e inventou a abreugrafia. As reintegrações só terminaram em meados da década de 1950 e o grupo decidiu aproveitar a reinvestida para reinstalar uma filial da Osram no Brasil. Uma representação da fabricante de lâmpadas funcionara de 1922 ao início da segunda guerra. Em 1955 foi inaugurada uma fábrica em Osasco.

A firma continuou se expandindo, comedidamente até 1964 e de forma mais frenética após o golpe militar, na esteira do Milagre Econômico. Abriu uma fábrica de telecomunicações no Paraná, de componentes no RS e instalou os metrôs das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

A companhia conseguiu atravessar momentos difíceis com relativa estabilidade: sua sede foi destruída no incêndio do edifício Andraus, em 1972, o que lhe acarretou a perda de quase todas as informações de logística, contratos e outros documentos importantes. Apesar disso, conseguiu abrir novas filiais durante toda a crise inflacionária que ocorreu entre o final da década de 1970 e o começo da década de 1990.

Cronologia no Brasileditar | editar código-fonte

  • 1867: Fornecimento e instalação da linha telegráfica entre o Rio de Janeiro e o estado do Rio Grande do Sul.
  • 1874: A Siemens instala o primeiro cabo submarino da América do Sul, com aproximadamente 2500 km de comprimento entre o Rio de Janeiro e a foz do riu Chuí (Uruguai).
  • 1894: A Siemens instala em Belém do Pará a primeira usina elétrica a vapor do Brasil.
  • 1897: Iniciadas as operações do primeiro bonde elétrico de salvador, administrado pela Siemens até 1906.
  • 1899: A Siemens se torna concessionário da Cia. Ferrocarril Vila Isabel, funda a Cia. Telefônica do Rio de Janeiro e instala o primeiro centro telefônico da então capital da República, para 8 mil linhas.
  • 1905: Fundação da Cia. Brazileira de Eletrecidade Siemens-Schuckertwerke no Rio de Janeiro, primeira multinacional eletroeletrônica a se instabelecer no Brasil.
  • 1909: A Siemens instala no Theatro Municipal do Rio de Janeiro a primeira central diesel-elétrica do Brasil.
  • 1922: Instalação da 1ª central telefônica automática do Brasil, em Porto Alegre.
  • 1936: A Siemens recebe grande encomenda na área médica, com distribuição realizada pela Casa Lohner. Em colaboração com o Dr. Manuel de Abreu (inventor da abreugrafia) é fabricado o primeiro apararelho brasileiro de raios X.
  • 1939: A Siemens inaugura em São Paulo a 1ª fábrica de transformadores do Brasil.
  • 1953: Inauguração da 1ª central automática de Telex da América do Sul, na Diretoria de Rotas Aéreas, RJ.
  • 1955: Inauguração da fábrica Lapa, em São Paulo.
  • 1955: Entra em operação a primeira turbina a vapor do Brasil, fornecida pela Siemens à Coperbo (PE).
  • 1964: Constituída a Fundação Siemens do Brasil, para prestar assistência social, médica e cultural aos colaboradores da Siemens e da Icotron.
  • 1967: A Siemens fabrica o primeiro transformador de força do Brasil (50 MVA-345 kV).
  • 1967: A Siemens instala na fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo (SP), a primeira linha de pintura eletroforética da América Latina.
  • 1975: A Siemens fornece à Chesf cinco geradores com capacidade de 456 MVA cada um, os maiores produzidos no Brasil desde então. Com esse contrato, a Siemens já participa com cerca de 25% de toda eletricidade produzida no País.
  • 1975: A Siemens participa da construção do metrô de São Paulo.
  • 1975: Inaugurada em Jundiaí (SP), a nova fábrica de transformadores da Siemens.
  • 1977: A Siemens fornece o primeiro Tomógrafo
  • 1983: Fabricação do 1º gerador para a Usina Hidrelétrica de Itaipu, com potência de 823,6 MVA.
  • 1984: Início da fabricação das centrais de comutação pública EWSD na Fábrica de Curitiba.
  • 1989: A Siemens recebe o primeiro certificado ISO 9000 do Brasil.
  • 1993: Inauguração da fábrica em Manaus.
  • 1995: A Siemens no Brasil passa a ser centro de competência mundial para a fabricação de hidro-geradores.
  • 1997: A área de telefonia fixa é definida como centro de competência regional para fabricação de sistemas de comutação eletrônica digital Siemens (EWSD).
  • 1998: A unidade de Teleco-municações recebe o Prêmio Nacional da Qualidade.
  • 1999: Iniciadas as operações da maior central de cogeração do País, a termelétrica CTE 2 da CSN, em regime turnkey (240MW).
  • 2000: Iniciadas as operações da usina nuclear de Angra II sob responsabilidade da Siemens. Com 1.325 MW de capacidade, fornecendo o equivalente a 30% da energia consumida do Rio de Janeiro.
  • 2001: Entrada da Siemens no mercado de telefonia móvel com o fornecimento de infra-estrutura e celulares GSM. Inclusão da Chemtech Serviços de Engenharia e Software no grupo Siemens.
  • 2002: Na fábrica nova Anchieta da Volkswagen, a Siemens atua em todas as etapas do projeto da linha de produção do Polo, desde a engenharia até as soluções de automação.
  • 2003: A fábrica de Curitiba passa a ser centro mundial de competência para fabricação de equipamentos de telecomunicações para o mercado corporativo.
  • 2004: A Siemens instala a linha de transmissão Taquaruçu-Assis-Sumaré (SP), com três substações, extensão de 510km e tensão de 440kV.
  • 2005: A Siemens celebra 100 anos de presença no Brasil. Inauguração da localidade Abiurana em Manaus, concentrando as atividades da divisão Automation and Drives. Os equipamentos e sistemas da empresa respondem por 50% das telecomunicações do País.
  • 2007: A Siemens inaugura a maior planta integrada de equipamentos para energia da América do Sul, em Jundiaí.
  • 2013: Siemens delata cartel envolvendo ao menos 12 empresas nacionais e estrangeiras (Siemens incluída) em ao menos 6 licitações do metrô de São Paulo.5

Referências

  1. a b c d Siemens AG annual report (em inglês) (2008).
  2. Siemens AG (em inglês). New York Stock Exchange (NYSE). Página visitada em 30 de março de 2014.
  3. Simon Thiel (20 de maio de 2007). Siemens Names Merck & Co.'s Peter Loescher New Chief (Update4) (em inglês). Bloomberg. Página visitada em 30 de março de 2014.
  4. New organizational structure of Siemens AG as of January 1, 2008. Página visitada em 2008-05-11.
  5. Catia Seabra; Juliana Sofia; Dimmi Amora (14 de julho de 2013). Empresa alemã Siemens delata cartel em licitações do metrô de SP. Folha de S. Paulo. Página visitada em 30 de março de 2014.

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